Passatempo Fome
Como já todos os meus leitores do blogue deverão saber, fui a tradutora da obra de Elise Blackwell, Fome, publicada em Portugal pela editora Livros de Areia. Um livro que tem recebido críticas bastante elogiosas e positivas na imprensa literária e blogosfera e pensei que seria uma boa altura realizar um passatempo de oferta de um livro. Como tradutora, tive direito a vários exemplares, pelo que não me importo de abdicar de um para os interessados em conhecer esta extraordinária história no tempo do cerco de Leninegrado.
Se ainda tiverem dúvidas sobre o que se trata o livro, podem ler os vários textos na blogosfera aqui, aqui e outro aqui.

Para concorrerem ao passatempo basta escreverem uma frase em 340 caracteres (pode ser menos, mas não mais) em que indicam a razão porque gostariam de ler este livro, até dia 30 de Setembro. A melhor frase, sujeita inteiramente a critérios subjectivos ditados pelos meus neurónios, será seleccionada e anunciada a 1 de Outubro, recebendo o livro como oferta.
Não se safam de um pequeno regulamento de participação, uma vez que a experiência já me ensinou a ter algum cuidado neste tipo de passatempos.
Deverão enviar para o o meu mail pessoal com indicação no assunto PASSATEMPO FOME , a vossa participação junto com o nome completo. Só é válida uma participação por pessoa. Só são aceites participações de Portugal (continente e ilhas). O envio do livro será da minha responsabilidade e custo, mas não me responsabilizo por extravios dos CTT ou moradas incorrectas. Reservo-me ao direito de não escolher uma frase vencedora se considerar que nenhuma me agrada o suficiente.
Resta-me desejar boa sorte a todos os participantes e que ganhe a frase mais inspirada e inventiva!
A máscara da felicidade

Várias coisas vieram-me à mente após ter visto a adaptação cinematográfica de Truffaut do livro de Ray Bradbury. Primeiro, esquecera-me da beleza e perfeição da prosa de David Copperfield de Charles Dickens, uma prosa tão perfeita que inspira um novo sopro de vida na personagem emocionalmente morta de Bradbury, o bombeiro Montag. Segundo, esquecera-me do quão poderosa era a ideia de transformar as pessoas no próprio livro, de perpetuar a obra literária através da memória humana. As vidas dessas pessoas tornam-se preciosas e ganham um novo sentido. No livro de Bradbury, Clarisse pergunta a Montag se é feliz. Apanhado desprevenido, a sua mente começa a reflectir e a libertar-se da sua própria passividade, até finalmente chegar à fulminante conclusão.
He was not happy. He was not happy. He recognized this as the true state of affairs. He wore his happiness like a mask and the girl had run across the lawn with the mask and there was no way of asking for it back.
O que me fascina é esse breve momento de pânico em que Montag deseja ser de novo aparentemente feliz e ignorante dos males da sua sociedade. Mas não há um caminho de volta.
Os eventos do ano no fantástico português
Há seis anos, no ano 2004, eu era estudante do meu 3º ano do curso de LLM da Faculdade de Letras de Lisboa. Não fui para o curso de Letras para fugir de ciências ou matemática, pelo contrário, desbravei o secundário no agrupamento de ciências mas decidi alterar o rumo que a minha vida tomava para ingressar na Faculdade de Letras porque gostava verdadeiramente de ler e de livros.
Na Faculdade, várias coisas aconteceram. Conheci pessoas (fora do meu curso) que partilhavam o meu entusiasmo, particularmente por literatura fantástica, e descobrimos que havia muitos como nós. Até que em 2003 fui abordada pela pessoa que se tornou decisiva na minha vida de muitas formas. o Rogério Ribeiro convidou-me para organizar com ele o 1º Encontro de Fantasia e FC na FLUL, numa época onde o fantástico não tinha metade da força que tem actualmente. E a a partir daí começou uma jornada muito interessante.
Na altura em que organizei o 1º Encontro de FC&F não tive muito apoio da Faculdade. Na verdade, acho que todos consideravam tudo aquilo demasiado estranho e irrelevante, com excepções de alguns professores. Mas o destino prega muitas partidas. Hoje trabalho na melhor editora de Portugal de literatura fantástica, faço e divulgo os livros que adoro, e são-me oferecidas oportunidades únicas. Seis anos depois, volto à casa materna, qual filho pródigo.
Em Março deste ano, o Centro de Estudos Anglísticos da Faculdade de Letras convidou-me para fazer parte da Comissão Organizativa de um Colóquio dedicado a fantasia e ficção científica, com o título de “Mensageiros das Estrelas”. Fazem parte da organização antigos professores meus e ex-colegas, do Centro de Estudos Anglísticos, assim como o Luís Filipe Silva, e não pude deixar de aceitar o convite.
Acontece que as datas escolhidas quase coincidiam com outro evento que, como toda a gente sabe, organizo há 6 anos com o Rogério, o Fórum Fantástico. E assim vi-me na difícil posição de participar na organização de dois eventos com datas demasiado próximas. Se esta posição traz desvantagens, traz também outras vantagens: posso evitar que debates semelhantes ocorram, repetição de temáticas ou actividades, consigo manobrar por entre ambos e colocá-los lado a lado de forma a se complementarem e não a tornarem-se antagonistas.
Os meus esforços têm ido nesse sentido. O ideal seria que se realizassem com uma maior distância temporal e tivesse sido eu contactada com maior antecedência teria feito tudo para que isso acontecesse. Sendo assim, resta-me tentar diversificar os eventos o mais possível, de forma que os fãs possam deslocar-se ao Colóquio e ao Fórum e sentirem que ambos são paragens imperdíveis e obrigatórias. Não tenho dúvidas de que Mensageiros das Estrelas e o Fórum Fantástico são os dois eventos do ano no fantástico português. Um terá uma natureza de um cariz mais académico com muitos professores universitários reputados envolvidos, mas não deixará de focar as várias facetas do género: literatura, BD e cinema.
O evento da FLUL irá realizar-se na faculdade durante a semana, considerando as imensas difilcudades logísticas do local em realizar o evento ao fim-de-semana. Ainda não houve divulgação oficial do evento porque ainda esperamos confirmação de um convidado de peso e estamos a ultimar os convites e dar os últimos toques à programação. A organização está a cargo de pessoas que pertencem ao meio universitário, sendo compreensível que no início do ano lectivo se aposte mais fortemente na divulgação.
A organização do Centro de Estudos Anglísticos desejava convidar alguém reputado do meio académico, por isso, sugeri Farah Mendelsohn que aceitou amavelmente o convite e estará presente na Faculdade de Letras de Lisboa no Colóquio. As pessoas que mais têm contribuído a nível nacional de forma credível e estimulante para a divulgação e evolução do género fantástico em Portugal foram convidadas (e ainda estão a ser) e a programação será em breve divulgada.
Uma semana depois poderão contar com o Fórum Fantástico que já dispensa apresentações. A qualidade dos participantes estará ao mesmo patamar, no entanto, com um maior número de convidados internacionais: contaremos com a presença de Peter Brett (Gailivro), Ricardo Pinto (Presença) e Stephen Hunt (Saída de Emergência) para além dos autores nacionais David Soares, Afonso Cruz e João Pedro Duarte, entre outros.
Alguns convidados nacionais foram convidados para os dois eventos mas o programa tem temáticas diversificadas o suficiente para interessar o público e são eventos como este que precisam de apoio e divulgação para que possam crescer e continuar nos anos seguintes. Conto com a vossa participação, ou então, promoção. Não são dois eventos antagonistas, nem o poderiam ser estando eu envolvida na organização de ambos, mas são eventos que têm os mesmos objectivos e focarão várias áreas dentro do campo da literatura fantástica de uma forma que pretende dar credibilidade ao género. Afinal, não é isso que todos nós queremos? Mais reconhecimento e credibilidade para o género?
(ambos os cartazes são da autoria de Pedro Marques e ainda não se encontram na sua versão definitiva)






