Love Snapshot #9: Belle de Jour

March 9, 2010 at 9:00 pm (Love Snapshots)

Catherine Deneuve em "Belle de Jour" de Luis Buñuel (1967)

Há total inquietação na imagem de uma mulher deitada na cama depois de ser tomada sexualmente por um homem. Mais ainda se essa mulher se prostitui de dia, mas Belle de Jour não é uma qualquer prostituta. As suas fantasias e alucinações são povoadas de desejos de natureza masoquista e há indícios que apontam para uma infância de abusos.

Se a palavra frígida é a que caracteriza na perfeição a atitude de Belle de Jour, cujo nome verdadeiro é Séverine (numa perfeita alusão à sua aparência grave e sóbria), frigidez essa reservada em exclusivo para com o marido jovem, elegante e pertencente à nata da sua classe, o mesmo não se passa com outros homens a quem a mulher se oferece  não porque esteja desesperada por dinheiro, mas porque um desejo obsessivo a comanda e não irá descansar até ser tomada, mesmo à força.

É fácil imaginar o escândalo causado por este filme tão ousado na década de sessenta e, ainda hoje, raramente se vê com tal abertura a possibilidade de uma mulher cair voluntariamente numa espiral de degradação. No entanto, não se  esquece o plano de Belle de Jour deitada numa cama após uma sessão com um dos seus clientes em que, por momentos, o espectador julga a protagonista uma vítima, mas na verdade ela ergue o rosto para exibir um sorriso felino de satisfação. Um sorriso que encerra toda uma beleza manchada pelo lado negro do desejo.

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