Eu não fumo, e você?

February 6, 2010 at 12:24 pm (Livros/BD/revistas, Strange Land)

Antes de mais, uma nota pessoal. Já recebi muitos avisos de amigos a alertar-me para a insensatez de continuar a expor publicamente, com o meu nome, as tais pseudo-editoras/vanity presses. Razões? Porque não sou uma pessoa totalmente isenta uma vez que trabalho para uma (verdadeira) editora, porque devo manter-me à margem destas polémicas, mais não seja para manter o nome da minha entidade patronal afastada destas celeumas.

Tudo bons conselhos, de facto. A verdade é que não tenho paciência para assumir fachadas anónimas, mas também não tenho paciência para ver a desfaçatez cada vez maior de certas pessoas a reinar impune. Tudo o que faço em meu nome neste espaço é pessoal e afastado da minha rotina profissional, e o meu chefe é o primeiro a dizê-lo. Eu sou assistente editorial, mas sou primeiro e, antes de mais, leitora. Uma leitora talvez mais calejada, mas uma leitora.

Bem sei que depois há muito choro e dedos apontados, raiva e frustração mal canalizadas, acusações de eu ser a Cruella de Vil dos tais pseudo-editores (em vez de dálmatas) e – esta é a minha favorita – uma agente secreta a soldo de grandes corporações editoriais que pretende acabar com o trabalho mui nobre e digno dos auto-intitulados editores.

Mas desta vez  será diferente porque não me irei alongar a detalhar os passos. Desta vez confiarei no vosso bom-senso para que leiam com os próprios olhos e tirem as vossas próprias conclusões sobre a legitimidade deste projecto. Não é difícil distinguir o trigo do joio, e eu limitar-me-ei a apontar o caminho.

Uma vez que a pessoa responsável por este pseudo-projecto já demonstrou na blogosfera atitudes pouco abonatórias a seu favor e uma postura claramente ofensiva para com aqueles que criticam o seu projecto, não tenho qualquer desejo em pôr essa pessoa a chafurdar o meu nome na lama.

E no entanto, é um dever expor isto pelo que se trata, uma clara tentativa de fazer dinheiro à custa dos sonhos e aspirações de poetas incautos. E essa é e sempre foi a minha luta, porque há poucas coisas mais cruéis do que brincar com os sonhos das pessoas.

E há que chamar a atenção porque parece-me cada vez mais que os meios de comunicação social estão a desligar-se perigosamente desse papel filtrador de qualidade e lixo. Anunciam tudo, sem lei nem rei, aos seus leitores que normalmente confiam no juízo do jornalista. Se eu conseguir usar qualquer credibilidade que eu tenha para fazer as pessoas duvidar, questionar, então é uma missão cumprida.

Por isso, sem mais delongas, leiam este regulamento, tenham em particular atenção o tom geral, as alíneas 2 e 3, e tirem as vossas próprias conclusões.

PS -> Não poderia deixar de chamar a atenção para um blogue que disserta sobre este mesmo tema e regulamento com infinitamente mais estilo e sentido de humor do que eu. Falo do blogue Máscara &Chicote, editado por uma figura que se oculta por trás da máscara Fortinbras. Recomendo o blogue, em particular este post e este.

13 Comments

  1. pedro said,

    Desgraçadamente, basta ler o editorial supostamente subversivo do Nicotina para perceber a qualidade da coisa: conteúdo 0 presunção e água benta 5.

  2. anacnunes said,

    Fiquei, literalmente, sem palavras.
    Custa-me a acreditar que há quem caia nestes esquemas, a sério que custa.

  3. nfonseca said,

    eu, que até sou um fumador assumidissimo, neste caso tenho de dizer que fumo mas não engulo.

    O certo é que estas situações vão continuando, piorando e replicando. O que começa a ser algo preocupante.

  4. João Seixas said,

    Eu, o que acho curioso é que estes esquemas se multipliquem agora, num momento em que até editoras ditas “sérias” (Gailivro, Casa das Letras,Presença, Euria-América, et.al.) parecem bater-se como cães esfomeados por alcançarem o autor que mais se aproxime do grau zero da qualidade literária (O Martelo do Odin ou lá como é que aquilo se chama, Fábios Venturas, Filipes Farias, Cátias Palhas e afins)…

    Quando ainda havia um módico de exigência naquilo que se publicava, não apareciam estas tretas…

    Vá-se lá perceber esta gente. É como dizia o outro: “estes romanos são doidos”.

  5. Safaa Dib said,

    Também me custa perceber porque é que de repente todos se lembraram de implementar este esquema em Portugal, numa altura em que as editoras andam sedentas de manuscritos.

    Mas esta Nicotina é notável pelo descaramento, nem sequer procura disfarçar.

  6. paulo brito said,

    Isto só se justifica pelo facto de apelar ao narcisismo de alguns autores. Lembra ideia de que um ser humano só é completo se tiver um filho, plantar uma árvore e escrever um livro.

  7. Noticias fantasticas (2010.02.10) « Rascunhos said,

    […] duvidoso. Para mais detalhes em relação a esta edição aconselho a leitura dos posts de Safaa Dib, Trama e Máscara&Chicote (Parte I , Parte […]

  8. Kerhex said,

    Filipe Faria a aproximar-se do grau zero da qualidade literária? Aviso desde já que Filipe Faria está longe de ser o melhor, no entanto, desculpe-me Sr. João Seixas, mas o romano é vocemessê… Não estou admirado com o azedume proveniente do seu comentário, visto que já se sabe que partilha da mesma opinião que o Professor João Barreiros sobre “Inácio Quiroga” o protagonista do “Fantascom” publicado na “Bang!”, porém, dispensa-se a comparação entre o “bitoque” de Filpe Faria e o excremento de pombo que este esquema é.

    Relativamente ao assunto abordado pelo post: Obrigado pelo alerta Safaa Dib, não tinha conhecimento deste tipo de esquemas, vou então passar a palavra. ^^

  9. João Seixas said,

    Caro Kerhex,

    Em ponto algum comparei o guano do Filipe Faria com este “esquema”. Mas o seu post apanhou-me num momento de fraqueza ociosa e deu-me para abrir um livro à sorte. Calhou “A Essência da Lâmina”:

    “A única que lhe restava era a espada, pois Kror investiu com um grito em Olgur e ambos os alfanges silvaram mortíferos pelo ar na dança de aço que Aewyre já tão bem conhecia e com os quais havia tanto tempo que Anchalah ansiava emparelhar” (p.134).

    “O seu capuz estava puxado para trás, o que lhe exibia a cabeça careca com pequenas máculas vermelhas na face de escarninho sorridente” (p-380)

    “A princesa ficou cega e recuou aos tropeções para trás, a sua raiva dando momentaneamente lugar ao medo de não estar a ver o seu adversário, e acabou por escorregar numa poça de guisado, caindo de costas Ao chão.” (p.382)

    “Este penetrou pelo golpe adentro, retendo-o com uma parada de Ancalah, e girou em si para desferir um murro com as costas da mão esquerda em Heldrada, atingindo-a em cheio na cara” (p.452).

    Peço desculpa por não continuar com mais exemplos, mas não consigo ler com as lágrimas de tanto me rir. E isto folheando à sorte. De facto, retiro o que disse. O Filipe Faria aproxima-se do grau zero da escrita, mas vindo de baixo.

    Cumprimentos,

    Johannus Seixam

    • Luís Rodrigues said,

      Sem dúvida, a minha parte favorita é quando a princesa “recua para trás”. O autor adormece ao teclado e não há editores capazes de o acordar. A grande maioria dos leitores, pelos vistos, também não tem estado para isso.

      • Quentin Atarantado said,

        Não concordo. Girar em si é muito mais difícil, exigente e perigoso do que recuar para trás…

      • Luís Rodrigues said,

        Mas isto do Faria vinha a propósito de quê, já agora?

  10. Safaa Dib said,

    Pois, isso também eu gostava de saber, Luís…

    João, pensava eu que não te podias dar neste momento ao luxo de fraquezas ociosas, mas corrige-me se estiver enganada.

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