Love snapshot #8: Lust, Caution
É raro o filme que dispensa uma cena de foro íntimo e sexual. Sexo é essencial na representação de uma relação amorosa, seja como fim, como meio ou início do jogo de conquista entre homem e mulher que se sentem atraídos um pelo outro. Tornou-se um acto banal em cinema, normalmente convencional, puritano e tímido na Hollywood recente, cru e desinibido no cinema europeu, e erótico, agressivo ou terno em cinema independente.
Mas é raro assistirmos a uma verdadeira expressão sexual como a vista em Lust, Caution de Ang Lee em que o sexo é também uma personagem. A jovem estudante Mai Tai Tai é recrutada pela resistência chinesa contra o Japão na década de 40, iniciando um processo de reeducação em que será usada como arma e instrumento de sedução de uma influente figura política em Xangai.
Mesmo consciente do papel de isco sexual que irá eventualmente subjugar a vontade do político, apenas tarde demais descobre a espiral infernal de desejo masculino que exige mais do que ela esperava dar. Mas Tai Tai não se limita a submeter-se à vontade do seu captor. Numa jogada ousada, ela ultrapassa o seu medo e ergue-se à altura do desafio, começando uma odisseia sexual em que a presa conquista o coração do caçador.
Com a escalada de erotismo entre Tai Tai e o político (o actor Tony Leung numa interpretação sempre imaculada), a sua duplicidade torna-se cada vez mais dilacerante. Afinal esse é o homem que a protege, afasta a sua solidão e oferece-lhe, ironicamente, os poucos momentos de felicidade e segurança na sua vida.
Conquistada a ligação emocional com o homem que jurara matar, tem que fazer a sua escolha. Infelizmente para Tai Tai, os jogos perigosos de espionagem e política são indiferentes perante o amor. A sua decisão prova ser fatal, e são o seu próprio corpo e coração que ditam a condenação ao inferno dos amantes.







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