O futuro já foi

December 12, 2009 at 8:11 pm (Livros/BD/revistas, Strange Land)

At 0946 GMT on the morning of September 11 in the exceptionally beautiful summer of  the year 2077, most of the inhabitants of Europe saw a dazzling fireball appear in the eastern sky. Within seconds it was brighter than the Sun, and as it moved across the heavens – at first in utter silence – it left behind it a churning column of dust and smoke.

Logo nos primeiros parágrafos de abertura de Rendezvous with Rama de Arthur C. Clarke, obra de 1972, este bizarro excerto a ecoar outro 11 de Setembro que deixa atrás de si também um rasto de destruição e um mundo que não voltaria a ser o mesmo.

Não interessa que a destruição no livro de Clarke seja causada pela passagem de um meteorito. Isto é o que significa ser ficção científica.

3 Comments

  1. João Seixas said,

    Oi Safaa,

    Pouco depois do 11 de Setembro – quando toda a gente andava a discutir se alguém alguma vez se teria lembrado de algo semelhante no mundo da ficção – essa passagem foi muito citada. O Clarke ainda estava vivo em 2001 ou 2002 quando lhe chamaram a atenção para isso. A resposta dele, obviamente, foi que nem se lembrava de ter escolhido essa data.

    Isto para dizer que o que realmente significa ser ficção científica é ter sempre presente que tudo no mundo pode mudar de um dia para o outro, de uma hora para a outra, seja sob o ímpeto cego de um meteoro, seja pela acção criminosa de fundamentalistas religiosos, seja porque the good men resolveram ficar de braços cruzados.

    Tudo o mais são coincidências… Espero que fosse esse o sentido último da tua última frase.

    Abraços,

    Seixas

  2. Safaa Dib said,

    Olá Seixas,

    Esperava por alguém como tu que me dissesse que essa citação já tinha sido “n” vezes discutida. Tinha 18 anos quando aconteceu o 11 de Setembro e não lia então Clarke nem FC pelo que a discussão em torno dessa frase passou-me ao lado na altura. (Longe de mim ter a pretensão de pensar que tinha descoberto isto pela primeira vez enquanto lia o Rendezvous…).

    Clarke não é nenhum profeta com dons divinatórios, mas não acredito em coincidências. Há algum de muito estranho e significativo em antecipar um evento, seja na escolha da data, seja na descrição da cena, um evento que efectivamente mudou o mundo. Uma mente racional não daria muita importância, mas acredito que “there are more things in heaven and earth, Horatio, than are dreamt of in your philosophy”.

    Interpreta o sentido da minha última frase como quiseres.🙂

    • João Seixas said,

      Bom, Safaa, a partir do momento em que alguém diz “não acredito em coincidências” entramos no foro da religião ou da loucura e, seja qual for o caso, contigo prefiro não entrar por aí…

      Sobretudo porque, mum universo sem coincidências, prefiro não me meter com alguém que tem por apelido Dib… O Herbert bem avisou…

      Seixas

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