Em como se expõe uma pseudo-editora

November 4, 2009 at 9:48 am (Livros/BD/revistas)

Lembram-se daquele meu post sobre as vanity-press em que dei o exemplo da Bubok? Pois bem, recentemente chegou ao meu conhecimento através de um determinado fórum mais um caso de vanity-press, aliás, neste caso será antes uma author mill.

Acontece que ontem, muito a propósito deste assunto, Jaime Bulhosa da livraria Pó dos Livros publicou no blogue da livraria um texto muito pertinente precisamente a alertar para estas pseudo-editoras. Não pude deixar de inserir um comentário que hoje foi destacado nesse blogue.

A situação que denunciei no blogue da livraria é relativa a uma editora de nome “Edita-me” da área do Porto e refere-se a uma antologia de talentos fantásticos. Antes do Verão, recordo-me de ter lido sobre esse concurso e o respectivo regulamento,  até ter lido o desenlace em torno dessa antologia num fórum que costumo visitar.

Vou começar pelo início. Acompanhem-me que vale a pena chegar ao fim deste post.

Alguns participantes do dito fórum decidiram enviar as suas contribuições para esse concurso nas categorias de conto, poesia e ilustração em que os seleccionados seriam publicados numa antologia de “talentos fantásticos”.

O regulamento tinha indícios que não auspiciavam muito de positivo na medida em que inseria uma definição de fantástico paupérrima: O Fantástico pode ser entendido como uma abordagem ficcional ligada a personagens como fadas, feiticeiras, vampiros, lobisomens, monstros de qualquer espécie, Deuses, gnomos, gigantes, sereias, extra-terrestres ou outras entidades não humanas.

O regulamento previa que, caso houvesse o mínimo de 50 candidaturas seleccionadas, os participantes escolhidos seriam publicados na antologia. Só o facto de ter sido estabelecido um número mínimo para a dita publicação era motivo de suspeita, mas avancemos que a procissão ainda só vai no adro.

Entretanto, graças a várias discussões que assisti nesse fórum e através de várias pessoas com quem me relaciono, descobri que sempre haveria uma antologia, tendo os editores recebido 113 participações, das quais foram seleccionadas 80, como noticiado no blogue da editora.

Uma festa de lançamento, na noite das bruxas, elegeria o vencedor em cada categoria que ganharia um portátil, oferta patrocinada pela Tsunami. As anormalidades começaram a ser desvendadas com os esclarecimentos por parte da editora sobre a participação nessa antologia.

De acordo com o editor, relativamente aos direitos de autor (isto é de causar uma paragem cardíaca):

4. Direitos de autor

Tomando em consideração tratar-se de 80 autores distintos presentes na Antologia, teriam de ser repartidos por todos em partes iguais os direitos de autor (10% sobre o preço de capa), originando que cada um recebesse o valor de 2.5 cêntimos por cada exemplar vendido. Desta forma, cada autor apenas atingiria o valor dos 2€ quando fossem vendidos 80 exemplares.

Por este motivo, resolveu a editora atribuir individualmente o valor de 10% sobre o preço de capa (2€) na forma de desconto sobre a compra.

Por outro lado, possibilitando aos autores adquirir mais do que um exemplar com o referido desconto (que poderão “revender” pelo PVP de 20€) está o autor a multiplicar o seu “ganho em direitos de autor” sem que tenha de estar dependente das vendas efectuadas, nem aguardar 1 ano por ele.

Pensamos que assim, encontramos uma forma mais eficaz e por ventura mais rentável para os autores, de atribuição dos direitos de autor.

Que falta de vergonha é esta? Como é possível sequer ser assumida tal coisa como se fosse algo perfeitamente natural pagar direitos de autor em descontos de 10% sobre o preço de capa do livro? E ainda encorajam o autor a ele próprio revender o seu livro de forma a ter uma margem de lucro. Mais chocante é o facto de esse referido desconto ter validade de 1 mês!

Se ainda não perceberam bem, passo a explicar. Os autores seleccionados não têm direito à oferta de um exemplar. O livro custa 20€, mas como está explicado neste ponto:

2. Prazo para usufruir do desconto concedido aos autores

O desconto concedido aos autores que façam a sua pré-reserva, é válido por um período de 30 dias. Ou seja, até dia 30/Nov.

Incrível, não é? Afinal os tais direitos de autor que vieram na forma de um desconto de 10% sobre o preço de capa deixam de ser concedidos após um período de 30 dias! Só tenho pena que este esquema não seja crime punível por lei.

E quanto à razão de não oferecerem exemplares aos autores? Passo a citar o editor:

Na Edita-Me optamos por colocar a participação livre, assumindo tanto todos os custos com a realização do concurso, como todos os riscos inerentes à publicação da Antologia.

E tendo em conta o número de participações, o tipo de livro que é, com a dimensão que tem, acreditem: para uma editora jovem como é o caso da Edita-Me, os custos são bastantes elevados e o risco é considerável.

Não nos seria possível encetar uma iniciativa destas, nestes moldes, se ainda para além destes custos tivéssemos de assumir o custo de 1 livro por participante.

Assim, entre cruzar os braços num acto de passividade (tão comum nos dias de hoje e ainda mais nos assuntos ligados à cultura) não levando a cabo nenhuma iniciativa de promoção de autores emergentes, ou levar a cabo um concurso destes, nos moldes em que o mesmo foi feito: A nossa opção foi um claro “SIM, vamos em frente, vale a pena, quanto mais não seja, pela divulgação dos autores, que de outra forma, dificilmente teriam possibilidade de ver um trabalho seu publicado”.

Que comovente. Saltou-me uma lágrima do canto do olho. Claro que não devemos cruzar os braços e se deve fazer tudo pela divulgação de autores emergentes. Que causa tão nobre atrás da qual se esconde a raposa à espera de cravar a dentuça na mass.. no osso! Atenção que não está aqui a ser posta a qualidade do conteúdo da antologia, sendo esse facto perfeitamente irrelevante. Questionam-se sim as tácticas pouco éticas desta pseudo-editora que pretende apenas obter lucro à custa da boa vontade de aspirantes a autores.

E agora dizem-me em defesa da editora: Não tivemos que pagar nada para participar no concurso nem para ser publicados. E agora digo eu: Tiveram que pagar 18 euros pelo exemplar e se os 80 participantes e respectivos familiares decidirem realmente desembolsar essa quantia (os familiares desembolsam 20€), é só fazer as contas e ver quem afinal ganha em toda esta situação. Portanto, não houve cobrança pré-concurso, mas houve pós-concurso. Considerando que não há investimento em distribuição, porque o livro não vai chegar às livrarias que interessam (a tabacaria da esquina não conta), sendo em grande parte vendido através do site da editora, e uma vez que não houve obviamente impressão de tiragem e os portáteis foram oferta da Tsunami,  a editora só teve despesas de impressão dos exemplares da antologia que foram encomendados.

Acontece que, de acordo com os testemunhos de pessoas que compraram a antologia, a qualidade da dita é péssima. As queixas que li foram as seguintes: má paginação com má fonte e sem margens, falta de revisão dos textos estando o livro repleto de erros, corte de texto dos autores, e nem sequer foi colocada a biografia dos autores porque não havia espaço… Em suma, uma antologia estupidamente cara que se limitou a despejar textos de 80 autores às quais foram atribuídas classificações. Isto não é edição, nem é trabalho de uma editora que se preze.

Se houve algum investimento da parte desta pseudo-editora foi numa festa na noite das bruxas num bar no Porto em que se garantiu aos autores que não lhes seria cobrado consumo mínimo nem entrada, quando afinal veio a saber-se que houve cobrança (verdade seja dita, prometeram reembolsar os autores indignados, cá esperamos para saber se houve ou não reembolso). E eu nem sequer vou referir o facto de que muitos participantes consideraram os vencedores dos portáteis de qualidade duvidosa, porque isso seria entrar em todo um campo especulativo e o que interessa são os factos.

Portanto, recapitulemos. Definição de author mill (quando tiver tempo traduzo para português):

Unlike vanity publishers or self-publishing services, author mills don’t charge upfront feeswhich is why they can convincingly present themselves as “real” publishers–but they often do their best to turn their authors into customers, heavily encouraging them to buy their own books, or incentivizing self-purchases with special offers and discounts. Because of the need for author volume, editorial gatekeeping is lax (though many author mills, knowing how much authors crave validation, claim to be selective). Author mills protect their profits by doing everything on the cheap, with minimal or nonexistent editing, interior and cover design that’s straight-from-template, and no meaningful marketing or distribution, resulting in tiny sales for the average author mill book. They also often have exploitive, nonstandard contracts.

Parece-me que depois desta exposição, podemos concluir que, no caso da “edita-me”, estamos perante uma author mill genuína.

Não me canso de repetir, e vou voltar a dizê-lo: Um autor não deve pagar para ser publicado. Um autor não deve aceitar jamais comparticipar custos de publicação com a editora. Um autor deve exigir pagamento pelos direitos de autor e esse pagamento nunca deve vir em forma de descontos ou promessas ou festas de lançamento. Um autor nunca deve pagar por exemplares de uma obra sua se não tiver recebido um livro sequer. E estas coisas envolvem sempre uma coisa chamada contratos. Exijam sempre um contrato e depois leiam as entrelinhas todas.

O Luís Rodrigues tinha aconselhado este site e também passo a palavra aos interessados onde poderão obter informações mais completas sobre os numerosos esquemas postos em práticas por pseudo-editoras.

Acreditem que é muito fácil saber distinguir o trigo do joio, basta colocarem as perguntas certas e terem noções básicas sobre edição de livros. Sejam sempre desconfiados e não se iludam com falinhas mansas ao vosso ego de escritores. Estas empresas não querem saber de qualidade ou talento, apenas lhes interessa como podem obter lucro da melhor forma possível.

E quem me atirar com os seguintes dois discursos:

– Tu trabalhas numa editora e estás a ser parcial e injusta, só queres é puxar clientes para a tua editora.

ou

– Isso é tudo inveja porque estamos a ser publicados e em Portugal só se gosta é de falar mal. Prefiro a “edita-me” do que enviar manuscritos para outras editoras onde só se publica com cunhas.

Vai levar com um livro bem pesado na cabeça para ver se ganha juízo!

23 Comments

  1. Dunya said,

    Tu tens coragem, mulher. Continua, please, a abrir os olhinhos à malta. No site escreva! (www.escreva.com) apareceu-me um caso mais ou menos similar e eu PASSEI-ME. Mas completamente. Passei-me porque era um caso em que estavam a enganar as pessoas sem vergonha nenhuma. Ora depois, mais tarde, um dos autores da iniciativa manda-me um mail todo lixado (ao qual eu nem respondi, é que nem vale a pena).

    Tem que se continuamente alertar para estes esquemas.

    Um abraço!

  2. Luís Rodrigues said,

    Pessoalmente, chateio-me com isto. Chateio-me porque a proliferação destes pseudo-editores faz com que os escritores pensem, como muita gente já pensa, que estas práticas são a norma no mercado quando a realidade é que um escritor não deve, em circunstância alguma, ter de pagar ao editor para ser publicado. Nem sequer 20 euros.

    As práticas são nocivas porque catalisam uma série de maus hábitos. Para começar, fazem com que os escritores se acomodem ao facto de terem de contribuir financeiramente para a sua publicação, isto para além de terem de servir de agente de vendas em proveito de outrém, quando é a escrita que lhes devia dar retorno, cabendo o risco financeiro e a tarefa de distribuir os livros a terceiros. Mas pior é que cria oportunidades para que editores menos escrupulosos começem a oferecer contrapartidas cada vez menos vantajosas aos autores nos seus contratos, aproveitando-se da ingenuidade e ignorância destes em relação ao mercado. Começam a pensar: “Se este gajo pagou 500 euros a X para ser publicado, não se vai importar que eu lhe pague agora menos avanços ou royalties do que pago a outros. Até agradece.” E com a redução ou eliminação do risco financeiro por parte do editor, a actividade editorial torna-se mais lucrativa, e começam a resvalar os padrões de qualidade: rende publicar mais autores, logo publicam-se mais autores, mesmo que sejam fracos, maus, péssimos ou, eventualmente, execráveis. Se o que interessa é manter a cabeça à tona, e publicar uma grande variedade de títulos por POD rende mais do que apostar num catálogo de qualidade, então seja. Com um aumento do output, os editores (ou pseudo-editores) deixam de ter mãos a medir e então descura-se a revisão, a paginação e a própria divulgação e distribuição do livro. A quantidade de títulos no mercado aumenta explosivamente, as livrarias enchem, aumenta (ainda mais) a rotatividade nos escaparates, as devoluções ocorrem com (ainda) mais frequência, isto quando as edições não são logo recusadas por falta de espaço. Até os editores mais bem intencionados são obrigados a publicar mais títulos, porque as suas edições são rapidamente retiradas do mercado para dar lugar aos livros que estão sempre a surgir. E como rende ao editor publicar mais autores diferentes, diminuem-se as tiragens para reduzir as devoluções. Os autores saem prejudicados, porque passam a ser mal pagos (quando não são eles que têm de pagar), passam a ter livros mal revistos e geralmente maltratados pelas editoras, com tiragens menores e menos tempo de exposição nas livrarias. Os leitores idem, para não falar dos editores honestos que ainda restarem.

    Não acredito que alguma vez cheguemos a este extremo, porque felizmente o “vanity publishing” acaba por se consumir um pouco na ganância, subterfúgios e incompetência de quem o pratica, e acabe desse modo por alienar os escritores já “queimados”, mas cada novo autor que dá razão de ser a uma “vanity press” ou “author mill” está a contribuir para que o mercado dê um passinho nesta direcção.

    PS: Estava a pensar . . . Se me atirares o tal livro à cabeça, posso ficar com ele?

  3. Flávio Gonçalves said,

    Bom, agora já entendo porque é que quase todos os autores que submeteram textos para a Colecção Mir perguntaram, para minha surpresa, quanto tinham que pagar, os autores brasileiros principalmente parecem estar muito familiarizados com editores desse género.

  4. Grayfox said,

    Gostei bastante deste teu texto (excepto o desprezo pelo “determinado fórum”). Como expliquei lá, apesar de conhecer pessoalmente vários dos publicados é com alguma pena que me vejo impedido de comprar o livro, isto porque não quero incentivar este tipo de “publicações”. A questão dos direitos de autor é no mínimo de rir:

    “Por outro lado, possibilitando aos autores adquirir mais do que um exemplar com o referido desconto (que poderão “revender” pelo PVP de 20€) está o autor a multiplicar o seu “ganho em direitos de autor” ”

    Então os direitos de autor normalmente só são pagos sobre um exemplar vendido? Assim parece, e os direitos sobre os exemplares que os outros autores vendem? Sim, porque para além de matéria prima (seja que qualidade que for), e impressão gratuita (só as vendas directas a cada autor asseguram isso), também angariaram distribuidores e vendedores gratuitos.

    Enfim, avise-se os mais distraídos, nesse aspecto os meus parabéns ao teu post. E os que quiserem continuar a ser explorados que continuem.

  5. Joel Puga said,

    Já há reacções a este texto no blog da edita-me… Não são as melhores…

    http://edita-me.blogspot.com/2009/11/talentos-fantasticos-resultados.html

  6. Joel Puga said,

    Já agora, respostas a afirmações como esta “Acho piada toda a gente dali falar em custos que as editoras “a sério” nao pedem… quando na verdade, é a coisa mais fácil gastar mais de 200€ a tentar SER OUVIDO por uma editora. E isto é a ponta do icebergue.” eram bem vindas, para se perceber melhor como funcionam as editoras ditas “legítimas”.

    É que, honestamente, não percebi…

    • Joel Puga said,

      Esqueçam. Se for possível, pedia que apaguem-se isto.

      • Luís Rodrigues said,

        A despesa em envio de manuscritos é um inconveniente antecipado, e a editora em nada lucra com isso. Neste caso, o autor está a pagar aos Correios — e só porque opta pagar aos Correios — e não ao editor.

      • Joel Puga said,

        Pois, Steer, também achei um bocado esquisito, mas pronto.

  7. Luís Rodrigues said,

    Também não percebi. Gostava que o indivíduo explicasse como, quando e onde gastou 200 euros para “ser ouvido” por uma editora tradicional.

    Não percebi também a senhora que diz que os concorrentes estão a ser difamados. Que eu saiba, é precisamente pelos direitos desses autores — e não para os atacar — que se denuncia o vanity publishing.

    • Joel Puga said,

      Aparentemente o senhor que disse isso inclui o envio dos manuscritos nos custos.

      Também seria interessante alguém falar dessa “ilusão” (ou não) de que estas editoras são uma steping stone para editoras grandes. Já li em vários locais que não, e de facto vejo mais escritores estreantes a serem publicados nas grandes editoras que autores vindos destas outras editoras, mas existe um ou dois casos recentes disso cá em Portugal que parecem estar a alimentar a esperanças de alguns. Acertadamente ou não?

      • Safaa Dib said,

        Sei do caso do livro do Rafael Loureiro “Memórias de um vampiro” cuja 1ª edição foi auto-publicada em POD. O David Soares já nos fez o favor de nos indicar o valor literário desse livro.

        Se concordo com o que a Presença fez? Não. Mas também já tinha discordado anteriormente de muitas opções deles. Agora que isto anda a provocar ilusões é um facto, mas cuidado em distinguir self-publishing de vanity. O Rafael Loureiro, pelo que me indicaram, ao menos teve a inteligência de ser ele a custear a edição e promovê-la, não andou a espatifar dinheiro numa editora gananciosa.

      • Joel Puga said,

        Bem, se todas as editoras concordassem umas com as outras tínhamos uma variedade de livros bem reduzida.

  8. Safaa Dib said,

    Puga, estranhava mais se não houvesse reacções. Entristece-me é ver como se agarram com unhas e dentes a esta ilusão de que a editora fez um bom trabalho e o resto é calúnia. De resto, também não percebi esse último comentário. Aliás, também não percebi bem o anterior em que fala de difamação. Se há coisa que posso afirmar é que os concorrentes nunca foram difamados. Então e eu ando a escrever estes posts para quê? Não é para avisar as pessoas para pouparem o rico dinheirinho?

    Mais engraçado é meterem o nome da SdE nisto. Anda uma dose considerável de ácido a ser despejada contra a editora, e eu nem falei em nome da editora, mas em meu nome pessoal.

    Entretanto, li mais comentários que foram surgindo nesse post e nem sei se rie, nem sei se chore.

    • Joel Puga said,

      Acho esse destilar de veneno contra a sde exagerada e um bocado para o estúpida, mas não me admira. Já não é de agora que eu ando a avisar que a atitude de certas pessoas do meio do fantástico português (quase todas, de um maneira ou de outra, relacionados com a sde), mais cedo ou mais tarde, ia trazer algumas consequências desagradáveis. Mas pronto…

      • Luís Rodrigues said,

        É a história da raposa e das uvas. Alguns destes indivíduos já deram a entender que tiveram manuscritos rejeitados pela SdE, provavelmente por causa do Prémio Bang, e imagino que outros não tenham sequer tentado remetê-los com medo da rejeição. É uma história que se repete em todo o lado, não apenas com a Saída de Emergência, que aqui não é mais do que um alvo fácil.

        Se a Saída de Emergência lhes tivesse acenado com um contrato todo catita, ou as “certas pessoas” tivessem louvado o trabalho destes aspirantes, e ias ver se eles se iam importar com as atitudes dos críticos. Infelizmente, as uvas estão verdes. E muito altas.

  9. Camila D. said,

    Quando vejo todos estes comentários – e os que foram postados no blog da editora e afins – recordo sempre a história que Richard Morgan nos contou no Fórum Fantástico 2008, quando cá esteve a apresentar a versão portuguesa do Carbono Alterado (publicado pela SdE).
    Dizia ele – e certamente melhores cabeças que a minha terão presentes os números e os dados precisos – que a primeira vez que enviou o CA para agentes (como cá se enviam para editoras) nenhum agente lhe quis pegar no livro.
    Em vez de achar que o problema era dos agentes, decidiu – e em boa hora! – rever e reescrever diversas passagens da obra.
    Quando enviou a nova versão, os agentes não só aceitaram o trabalho como este foi um sucesso, incluindo venda de direitos para cinema.

    Por vezes é preciso analisar as coisas cuidadosamente antes de apontar dedos em todas as direcção. Com a distracção, podemos não apontar na direcção certa e perdem-se assim grandes obras e grandes autores…

  10. Fernando Torres said,

    Temos o mesmo problema do lado de cá do oceano. Pseudo-Editoras têm aqui os mesmos estrategemas.

  11. anacnunes said,

    Eu ainda nem tinha conhecimento de metade desses factos e já estava a olhar de canto para a “edita-me”.
    Quando saiu o concurso eu até pensei participar, mas depois houveram umas coisas que me deixaram desconfiada (as mesmas que foram mencionadas) e eu decidi nem arriscar. Há mesmo muito quem goste de explorar os escritores amadores, mas também acho que é muito desconhecimento geral.
    Gosto de pensar que, graças ao que já li, nunca vou cair numa patifaria destas, mas não posso deixar de entender os que o fazem, porque parece tudo tão fácil e eles sabem bem como elevar o ego.

  12. Francisco Norega said,

    E pronto, lá fui eu meter a colher. Deixei um comentário no site da edita-me. Pode ser que a mim me oiçam, pelo menos com o Ludovico nunca me dei mal xD

  13. Esta semana … (2009.11.07) « Rascunhos said,

    […] é uma crítica literária, mas depois do artigo publicado no blog da Pó dos livros, fica o post no blog da Safaa Dib sobre pseudo-editoras. Para […]

  14. Esta semana … (2009.11.07) « Rascunhos said,

    […] anterior “Pseudo-editoras”),  Safaa Dib (em comentário no blog da Pó dos livros e no Stranger in a Strange Land) e Rogério Ribeiro (I Dream in Infrared). De realçar que nestes comentários não se referem os […]

  15. Manuel Alves said,

    Haha!Quando cheguei ao fim desta, vá, esclarecedora posta li algo que apenas posso considerar como uma divertida ironia:

    “Ads by Google
    Quer editar o seu livro?
    Vê-lo em livrarias por todo o país? Envie-nos agora o seu original!
    http://www.chiadoeditora.com

    Há que admitir o sentido de humor do carácter aleatório dos anúncio na Internet (dá que pensar :D).

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