O Homem que Queria Ser Rei

October 17, 2009 at 10:00 am (Cinema e TV, Livros/BD/revistas)

Sean Connery e Michael Caine em The Man who Would be King, John Huston (1975)

Sean Connery e Michael Caine em The Man who Would be King, John Huston (1975)

In any place where they fight, a man who knows how to drill men can always be a King. We shall go to those parts and say to any King we find – “D’you want to vanquish your foes?’ and we will show him how to drill men; for that we know better than anything else. Then we will subvert that King and seize his Throne and establish a Dynasty.

Sábias palavras de Daniel Dravot (Sean Connery), mas que lhe custaram caro. Baseado no conto de Rudyard Kipking, ele próprio é o narrador da estranha jornada de dois ex-soldados britânicos ao Kafiristão, uma terra intocada por civilização na qual  ambicionam ser reis.

A colonização britânica da Índia influenciou de muitas formas a literatura vitoriana do séc. XIX. Obras como The Moonstone de Wilkie Collins pintam um retrato impiedoso e cruel de uma terra que exerce vingança contra aqueles que roubam o que lhe pertence. A civilização de Londres nunca está a salvo perante esta terra de devoção e exaltação religiosa, terra de enigmas e beleza misteriosa aliada a morte. Mas é Kipling que, melhor do que nunca, descreveu Índia, a terra em que nasceu, no seu mais momento mais marcante, no auge e declínio do colonialismo britânico.

O Homem que Queria Ser Rei é pura aventura que capta o exotismo do Oriente que tanto fascinara o Império Britânico, é sentido de humor absoluto na pele dos dois homens vigaristas interpretados por Caine e Connery (duas fabulosas interpretações), e não podia faltar o toque de tragédia para aqueles loucos suficientes para se aventurarem no coração de antigos mistérios, julgando-se superiores em força e inteligência…

1 Comment

  1. David Soares said,

    Viva, Safaa.

    Grande filme; ainda não li o conto que lhe está na origem, mas lembro-me bem dele. Tem piada, porque hoje consigo vê-lo de outra forma (vi-o pela primeira vez quando tinha uns dez ou doze anos). Trata-se de uma alegoria maçónica, na qual os maçons interpretados por Connery (que é um maçon na vida real) e Caine descobrem que a linguagem primitva da tribo paquistanesa é quase idêntica à simbologia maçónica comum; daí a exploração que fazem da situação até as coisas correrem mal… É daqueles títulos que, volta e meia, ando para comprar, mas esqueço-me porque coisas mais urgentes se metem à frente, mas há de chegar a altura.

    É interessante voltar a ver/ler determinadas obras e, à luz do conhecimento que se tem hoje, descobrir lá coisas que escaparam quando as vimos pela primeira vez. É como “Os Maias” do Eça: quando somos miúdos achamos aquilo uma chatice, mas é um romance esotérico do melhor que há. Está lá tudo.

    Bjs.
    D.

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