A Invenção do Mundo Fantástico…

August 15, 2009 at 6:31 pm (Livros/BD/revistas, Strange Land)

Um dia gostaria de trabalhar num jornal diário e viver o dia-a-dia repleto de pressão de um jornalista para que possa assim encontrar uma justificação para os erros lamentáveis que vão recheando as páginas de jornais, revistas e suplementos nacionais e onde se nota por vezes uma gritante falta de profissionalismo, seja ela ditada por completa ignorância do jornalista que não sabe fazer o seu trabalho de casa, seja ela ditada por uma direcção de jornal que certamente tem os seus próprios interesses a defender.

Serve isto para expor o texto que saiu no NOTÍCIAS MAGAZINE de 15 de Agosto, suplemento do Diário de Notícias, intitulado A Invasão do Mundo Fantástico sobre a literatura fantástica em Portugal.

Comecemos pelo óbvio. O texto começa por falar sobre um género em clara ascensão e parece que a onda dos autores estrangeiros de maior sucesso trouxe com ela uma nova vaga de portugueses dedicados a este tipo de literatura. Espera-nos então um texto com uma abordagem completa sobre o panorama editorial do fantástico escrito por portugueses?  É de esperar um texto conciso que refira quais as editoras que têm desenvolvido um trabalho de destaque na área? É melhor não terem as expectativas muito elevadas…

Antes de mais, o texto começa por sublinhar como o género que conta histórias de castelos, dragões ou vampiros provou ser apreciado por um público de todas as idades. Logo, as editoras, sabendo a aposta ganha que têm entre mãos, andam a publicar dezenas de livros de fantástico nos últimos tempos. É curioso que refira este número de “dezenas” quando o próprio texto da jornalista Mariana Correia de Barros só aborda livros que se contam pelos dedos de uma mão mutilada (esta tem direitos de autor…).

Diz ela “A moda talvez tenha sido lançada por Tolkien e seguida por muitos autores como o recente fenómeno da norte americana Stephenie Meyer.” Talvez? Então não tem a certeza? Então não sabe dizer porque começou o boom do fantástico? Essa afirmação pouco rigorosa ainda comete a proeza de destacar Tolkien saltando logo para Stephanie Meyer, um fenómeno em nada relacionado com a fantasia épica que Tolkien inspirou, omitindo toda uma série de autores, colecções, projectos, subgéneros que viveram e morreram neste país antes de chegarmos à Meyer. Tudo ignorado pela jornalista porque o que interessa realmente neste texto é destacar Meyer nem que se tenham que fazer ligações forçadas de parentesco entre a vaca e a baleia, ora pois.

Segue-se uma citação do editor da Gailivro, Pedro Reisinho, sobre a popularidade do género fantástico no estrangeiro ao que se parte logo para a definição do fantástico e a sua natureza abrangente.

Nele podem ser incluídos os livros de ambiente medieval, com dragões e grandes batalhas de capa e espada, como vampiros que vivem no presente e se fundem na sociedade, ou até zombies que habitam num planeta mais futurista. Alguém tem alguma dúvida sobre a que obra se refere “vampiros que se fundem na sociedade”? Só quem tiver andado a dormir nos últimos meses e não tiver visto a campanha de marketing agressiva em torno dos livros de Charlaine Harris a ser presentemente publicados com sucesso em Portugal pela editora Saída de Emergência. Engraçado como o trabalho dessa editora nem existe para esta jornalista. Mas continuemos a dissecar o texto.

A própria fantasia urbana é um estilo em franca expansão que caminha lado a lado com o género da ficção científica. Se quer fazer uma afirmação destas, então complemente-a com exemplos de obras que mostrem a validade desse argumento. Não digo que não seja verdade, mas afinal do que se trata a fantasia urbana? Não foi explicado, simplesmente acabamos de descobrir que anda lado a lado com a ficção científica. Como e porquê, não sei, mas parece que não interessa muito.

Depois das citações de Pedro Reisinho, passamos para as de Inês Mourão, responsável de comunicação da editora Presença, que partilha connosco a ideia da vertente escapista presente na literatura fantástica, sendo essa na sua opinião a chave de sucesso do género. 

Aliás, a designação de trilogias ou tetralogias foi abandonada e hoje apenas se fala em sagas e ciclos. Pedro Reisinho diz que isso tem a ver com o facto de essas séries acabarem sempre por publicar um ou mais livros. Mas a melhor parte vem a seguir:

Mais raros, mas que começam agora a surgir, são os chamados stand-alone, títulos de fantasia ou ficção científica lançados isoladamente.

Hmm? Estou perdida. Mas afinal falamos ainda do panorama nacional ou essa é uma referência ao que se tem feito agora no estrangeiro? Se falamos do estrangeiro, stand-alones já existem há anos incontáveis ainda antes de eu sair da barriga da minha mãe há vinte e seis anos. Se estamos a falar do que se passa em Portugal, essa é uma frase que se refere apenas a um livro e um livro apenas que saiu nos últimos meses no mercado português publicado pela… Gailivro. Ai que os leitores já devem estar fartos de ver mencionados os autores da Gailivro neste texto e ainda nem chegámos à segunda página. Vai piorar, acreditem. Falo da obra do Octávio dos Santos Espíritos das Luzes. Claro que é o autor que é referido logo de seguida no texto e também entrevistado.

A seguir ao Octávio, é a vez de a Madalena Santos ser entrevistada, autora da saga Terras de Corza. Para que não restem dúvidas, conheço o Octávio e a Madalena, estive presente nos lançamentos dos seus últimos livros (embora o Octávio só tenha conseguido chegar no fim) e são duas pessoas que estimo bastante, e não coloco em questão as suas obras, mas este texto jornalístico por esta altura já começa a parecer um apanágio à Gailivro e de como o seu trabalho tem sido ÚNICO e FUNDAMENTAL neste país. O que é FALSO, porque estão longe de ser a única editora a apostar no campo da literatura fantástica. Mas quero continuar a dissecar o texto.

E saltemos para o último autor entrevistado e citado, que não poderia deixar de ser referido, claro. Referido até à exaustão em todos os textos jornalísticos sobre fantasia em Portugal, ele é considerado o pioneiro da fantasia épica portuguesa. Verdade seja dita, é o pioneiro da primeira fantasia épica portuguesa que VENDEU em Portugal. Falo do Filipe Faria, claro, com direito a foto e tudo (a barba fica-te melhor, Filipe, e ainda bem que já te desligaste do ar neuro-gótico).

E este malfadado texto termina com um parágrafo:

Estes três autores são apenas alguns dos autores que têm aproveitado agora a vaga do fantástico para tentar a sua sorte. Também na Internet se multiplicam os contos do género e há editoras que apostam na criação exclusiva de colecções exclusivas do fantástico.

Q-U-A-I-S? Um texto sobre “a invasão do mundo fantástico” em Portugal não pode lançar essa afirmação e ficar-se por aí impune. Quais colecções exclusivas de fantástico? Eu posso ajudar. Será a colecção Bang? Ou a colecção Teen? Ou a colecção Argonauta que vai ser revitalizada em breve? Provavelmente nem sabia dessa a jornalista.

Vergonhoso e deplorável, é o que chamo a este texto. E como se não fosse mau o suficiente o conteúdo completamente parcial e propagandista dos produtos com a marca Gailivro, ainda é inserida uma coluna lateral, cúmulo dos cúmulos, com o título OS GRANDES DA FANTASIA INTERNACIONAL. Esta é fulminante.

Começa por referir JRR Tolkien, inspiração de centenas de autores, para depois referir Marion Zimmer Bradley e o marco especial que constituiu para o público feminino com o seu quarteto As Brumas de Avalon, sendo os grandes nomes da fantasia internacional a seguir mencionados… Christopher Paolini e Stephenie Meyer… Como diria Sookie Stackhouse (personagem de Charlaine Harris) em verdadeiro calão white trash sulista, SHUT THE FUCK UP. Eu digo-vos um gigante da fantasia internacional que não mencionaram mas que deviam: George R. R. Martin, mas se calhar não era conveniente porque, por acaso, é um autor da Saída de Emergência que está a vender que nem pãezinhos quentes e não precisa de mais ajudinhas para vender.

É um insulto este texto. Insulto às editoras que são tão boas ou melhores que a Gailivro na promoção do fantástico em Portugal, insulto aos autores portugueses dessas editoras que mereciam também destaque, insulto à inteligência dos leitores por pensarem que se não referirem os outros elefantes no centro da sala ninguém vai reparar neles, e insulto ao próprio género da literatura fantástica por ter que sofrer com jornalistas que ou são forçados a escrever com limitações impostas pela direcção ou porque simplesmente o trabalho foi encomendado.

São as regras do mercado mas eu não tenho que aturar isto e engolir bullshit.

22 Comments

  1. João Ventura said,

    Olá Safaa
    Tinha acabado de ler a peça referida quando cheguei ao teu post.
    Assino por baixo.

  2. canochinha said,

    Esta jornalista devia arder no inferno por juntar na mesma frase o Tolkien e a Meyer😀

    Agora a sério, julgo que não restam dúvidas que foi um artigo encomendado, com um objectivo claro, provavelmente entregue a uma jornalista que fez uma ou duas pesquisas no Google para complementar (mal) a coisa e está feito. Muito triste.

    E o pior de tudo é que a maioria das pessoas que leram/vão ler esse artigo não fazem ideia de 99% dos erros e incoerências que apontaste…

  3. tchetcha said,

    E esta é a imagem do jornalismo em Portugal.
    Posso te garantir que noutras áreas (trabalhei na área da educação durante muitos anos) tudo o que eles se limitavam era fazer um copy/paste de opiniões, juntavam algumas frases soltas de alguns artigos para criarem um texto distorcido e cheio de gaffes. E ainda são pagos! Com tantos leitores tão bem informados e formados, seria mais fácil pagar a um desses leitores para criar um artigo com uma qualidade 100 vezes superior. Ganhava o jornal e o público em geral. Assim, ficamos todos a perder…

  4. Rui Baptista said,

    Tal como o João Ventura, assino por baixo.

  5. Safaa Dib said,

    Olá, obrigado pelos vossos comentários!

    Há coisas perante as quais não devemos ficar calados, e esse texto é uma delas. Detesto quando tomam os leitores por parvos.

  6. David Soares said,

    Olá, Safaa.

    Com efeito, o artigo da Mariana Correia de Barros lê-se como se fosse propaganda às editoras e obras referidas, sem nenhum objectivo de tecer uma cronologia, mesmo que breve, do género Fantástico. Ora, vender livros, ou seja o que for, não é errado, mas a mensagem que esta peça transmite é muitíssimo duvidosa; e, à luz daquilo que promete, pode dizer-se, à posteriori, que se trata de um texto cheio de erros. Por conseguinte, mau jornalismo.

    Transmitir aos leitores não-especializados que o Fantástico é, em exclusivo, um género literário escrito a pensar num público infantil ou “jovem adulto” é errado, assim como também é errado querer dar a ideia que se trata de algo recente, ao mesmo tempo que se faz um intervalo de mais de cinquenta anos entre as publicações do Tolkien e as da Meyer. Então o que é que se escreveu entre um e outro? Apenas a Bradley? Bolas, pode ser um género em ascensão meteórica, como diz no artigo, mas que passa por nós com a frequência típica de um cometa, lá isso passa!…

    Em suma, o texto é mau, sem nenhuma hipótese de redenção: na maioria do conteúdo, em quase toda a ênfase e, principalmente, naquilo que sugere sobre o género. Tem mais buracos que um naperon – e, ainda por cima, os naperons estão fora de moda, há muito tempo. Apresentar trabalhos deste jaez também já deveria estar fora de moda, mas, infelizmente, parece que não está.

    A reacção ideal seria que alguém, pertencente ao círculo do Fantástico português, escrevesse um artigo sério, além de informativo, e fosse capaz de publicá-lo num veículo de grande divulgação, como um grande jornal diário. Para o público não-especializado, os jornais comuns ainda são a fonte de informação, por excelência.

    Mesmo assim, tudo isto é marketing. Daqui a uns dias já ninguém se lembra que isto foi escrito. Os livros, esses, ficam.

    Abraço.
    David Soares

  7. Safaa Dib said,

    Olá David,

    Antes de mais, obrigado pela referência ao meu texto no teu blogue.

    De facto, o ideal seria pessoas informadas e especializadas escreverem os artigos sobre fantástico; o João Seixas ainda tem escrito alguns artigos bastante completos que têm surgido principalmente na Meus Livros, o João Barreiros tem um ou outro texto a surgir de quando em quando, mas falta uma contribuição mais regular e menos esporádica em publicações como o DN, o Público, o Expresso, etc.

    Normalmente esses jornais têm um ou outro jornalista que se interessa pela área do fantástico, mas nunca se aventuram realmente a desbravar o género, limitando-se a arranharem a superfície apenas.

    Para que essa colaboração realmente se concretizasse seria preciso primeiro os próprios jornais passarem a considerar o fantástico como parte de uma literatura madura, séria e adulta, com tanto ou mais potencial que a literatura que tanto aparece mencionada nos suplementos.

    No estrangeiro, convidam os autores de fantástico a partilharem as suas críticas sobre os livros mais recentes do género. E é assim que deve ser feito, mas em Portugal se o jornalista gostou de ler fantasia na juventude, então certamente que terá capacidade para debicar umas quantas frases que não são mais do que banalidades ou copy/paste da Wikipedia… Verdade seja dita, alguns ainda fazem um grande esforço na pesquisa e contactam as pessoas certas. Lembro-me do artigo da Eduarda Sousa que saiu no Público há uns meses e era competente.

    Mas este artigo da Mariana Correia de Barros é talvez o pior que já li em anos e anos de leitura de artigos sobre o fantástico em Portugal. E li-os praticamente todos desde 2005. E é grave porque em vez de progredirmos, tenho a sensação ultimamente que estamos a regredir…

  8. androvski said,

    Texto absolutamente dilacerante! Onde está o smile de palmas ?!

    A Argonatuta vai ser revitalizada? Não sabia dessa…

  9. David Soares said,

    Tens toda a razão, Safaa. Aproveito para dar um exemplo que se encontra na mesma classe do texto da Mariana Barros.

    Lembro-me que fiquei “chocado” (se calhar sem aspas) quando ouvi um jornalista (será que este é que devia ter aspas?), cujo nome não recordo, dizer no Congresso de Literatura do Alto Minho, em Monção, há três anos, que o Fantástico estava em ascensão graças aos filmes do Shrek, que, aparentemente, inspiravam novos autores. P’lo amor de Deus!… O problema é que para o público não-especializado esta é que é uma opinião especializada – porque é proferida por um jornalista: alguém que, aos seus olhos, representa uma visão idónea e documentada. Ora, a gente tem uma ideia de como é que as coisas se passam.

    Parece que cada vez que os jornalistas (como estes que já falámos) contactam com o campo da literatura Fantástica apercebem-se que existe todo um conjunto de obras e pessoas que lhes eram desconhecidos, então interrogam-se “Bolas, como é que nunca ouvimos falar disto, nós que somos tão cultos, tão informados, tão cool, tão seja-lá-o-que-for?” A resposta a que chegam é: “Se só descobrimos agora é porque o género está em ascensão! Só agora é que ele alcançou as altíssimas esferas em que nos movimentamos.”
    Depois é só uma questão de irem à Wikipédia ou aos comentários dos leitores na Amazon para tomarem o pulso à coisa.

    Abraço.
    David

  10. Francisco Norega said,

    É, realmente, uma tristeza ver artigos destes. É um insulto a quem dedica a sua vida ao género, fora da Gailivro. E, atenção, aprecio imenso o trabalho da Gailivro (acaba tudo por se resumir a públicos-alvo), mas há que separar propaganda de jornalismo.

    Mas, infelizmente, a incompetência dos jornalistas não está confinada ao Fantástico – já saíram várias vezes notícias em jornais de grande tiragem (a nivel regional, como o Diário de Coimbra e o Diário das Beiras) relativas a projectos em que estou envolvido e… meu deus! Às vezes conseguem, a partir de um texto enviado, fazer outro completamente desconexo, alterando a ordem dos parágrafos e ligando-os com frases que dão vontade de… bah, não sei de quê, mas não é coisa boa xD

  11. Jose Pedro Cunha said,

    Devo dizer que li o artigo original em causa e que me pareceu a espaços incorrecto ou pouco preciso, mas considero normal tendo em conta que é apenas um texto de exposição, provavelmente de uma jornalista que até teve poucas horas para fazer investigação e escrever o texto. Neste texto de refutação, estava a ler e achei as primeiras refutações exageradas, não estava bem a perceber o porquê de discordar de tudo o que a jornalista dizia até que cheguei ao cerne da questão: a SdE não é mencionada! É uma lacuna grave omitir aquela que talvez tem sido a editora nacional a mais apostar no fantástico, mas será que não merecia uma refutação menos emocional? Penso que no aspecto da oissã está vedadeiramente correcta, mas não era necessário procurar minunciosamente o texto à procura de pontos desconexos, todos os textos o têm. Um exemplo:
    “mas este texto jornalístico por esta altura já começa a parecer um apanágio à Gailivro e de como o seu trabalho tem sido ÚNICO e FUNDAMENTAL neste país. O que é FALSO, porque estão longe de ser a única editora a apostar no campo da literatura fantástica. Mas quero continuar a dissecar o texto.”
    Em nenhuma parte é dito que a editora Gailivro é a única e fundamental, tal como nunca é referido que existe o trabalho de outras, o que é um erro. Mas resultará isto de um intencão propositada? Ou de o trabalho escasso de uma jornalista que se limitou a contactar uma editora e procurar escrever o seu artigo a partir daí? A safaa dib penso que poderá responder: a SdE não terá sido contactada no âmbito deste artigo?
    Em caso de qualquer dúvida não tenho qualquer relação com o jornal, a jornalista ou qualquer editora nacional, apenas me pareceu que a safaa dib poderia como é seu costume ter escrito algo directo e consiso, atacando o que é atacável neste artigo, em vez de o fazer pessoalmente à jornalista.
    Pessoalmente gostaria mais de saber porque é que a outras editoras não foram contactadas, talvez depois se possa criticar com mais fundamento.

    Cumprimentos.

  12. Rui Baptista said,

    Caro José Cunha, também eu não quero estar a tomar parte de ninguém – embora aqui me sinta inclinado para o lado da Safaa Dib -, mas caso a jornalista tenha tentado contactar com outras editoras como a SdE, por exemplo e não tenha tido qualquer resposta por parte das mesmas, devia ter referido isso no seu texto. A forma como apresentou o artigo dá entender que nunca chegou a contactar mais ninguém…

  13. Jose Pedro Cunha said,

    Caro Rui Baptista, antes de queria felicita-lo pelo Bela Lugosi, que visito regularmente e gosto muito. Em relação ao meu post eu não quis insinuar que a SdE foi contactada, apenas quis confirmar que não terá sido, o que se subentende pelo artigo e pela reacção da Safaa!

  14. Rui Baptista said,

    Nem eu estava a querer afirmar tal coisa José Cunha, apenas queria dizer que é prática comum em jornalismo referir que se tentou falar com determinada entidade, neste caso a SdE, mas que esta não deu qualquer resposta.

    Desta maneira o jornalista, fica salvaguardado de possíveis acusações de não ter tentado contactar com A, B ou C. Percebem o que quero dizer?

    Quanto ao Bela Lugosi, muito obrigado.

    Um abraço,

    Rui

  15. Safaa Dib said,

    A jornalista não contactou a SdE, mesmo tendo nós publicado em Julho um autor português de fantasia, o Bruno Matos que lançou o ILLUSYA.

    Caro José Cunha, não sei o que lhe diga, tendo em conta que considera normal um texto que lhe parece a espaços incorrecto ou pouco preciso com a justificação de que é “um texto de exposição, provavelmente de uma jornalista que até teve poucas horas para fazer investigação e escrever o texto.” Então um texto de exposição que surge num suplemento nacional não tem qualquer obrigação de ser fundamentado, preciso ou correcto? E se a pobre jornalista teve poucas horas para fazer o seu trabalho, significa que eu tenho que desculpá-la? Se todos nós saíssemos impunes das nossas falhas de trabalho por termos pouco tempo para desempenhá-lo bem, seria óptimo para o trabalhador, não haja dúvidas.

    Quanto à sua referência ao facto de eu ter reagido demasiado emocionalmente ao texto, concedo que é verdade. Mas o que eu fiz não foi nenhum ataque violento, antes uma dissecação dos pontos abordados do texto de forma a expor as fragilidades do artigo.

    Todos sabem que trabalho na Saída de Emergência e é claro que tenho todo o direito de me sentir indignada com esse artigo que desconsiderou não só o trabalho da SdE, como o de outras editoras. Tivesse sido uma abordagem menos tendenciosa, imparcial e justa, não teria tido esta reacção. O José Pedro Cunha não sabe as dificuldades que estão subjacentes a uma editora para conseguir destaque na imprensa, sendo a concorrência imensamente agressiva e com muitos mais meios e recursos. Muitas vezes o destaque na imprensa não é pautado por mérito, mas por poder de marketing, influência em contactos e uma máquina de assessoria de imprensa bem oleada.

    Eu sei disso e por isso consigo perceber melhor porque X editora não é mencionada tantas vezes quanto Y editora.

    E para que não se esqueça, este é o meu blogue, e não uma página diária de um suplemento nacional (quem me dera…) pelo que a minha resposta é ditada de acordo com o que sinto e penso. Não tente tirar a credibilidade ao meu texto apenas porque sou a assistente editorial do editor Luís Corte Real.Isso não me tira a legitimidade para argumentar como argumentei; expus os factos e eles falam por si. Se achou o meu artigo tendencioso, é meramente o que ele é: a minha opinião que vale o que vale.

    Mas agradeço o seu comentário e a frontalidade em assumir a sua opinião neste espaço. Dou mais valor a isso do que a pessoas que falam do alto das suas poltronas e zonas de conforto sem sequer se dirigirem directamente às pessoas que tanto criticam.

  16. Jose Pedro Cunha said,

    Cara safaa, é claro que sei que este é o seu blog, não lhe tirei legítimidade de nada, apenas expressei a ideia com que fiquei, penso que é para isso que permite comentários. Concordo que um artigo de revista tem muito mais responsabilidades do que um post num blog pessoal, mas não a vi a lembrar isso aos que tiveram comentários mais concordantes.

    Em relação ao artigo, não tentei desculpabilizar nada, apenas não estava à espera de uma dissertação sobre o fantástico em Portugal. Num artigo deste tamanho haveriam sempre de ser esquecidos muitas obras importantes (refiro-me á primeira refutação em que acusa a autora de passar directamente de Tolkien para Meyer). Como tal tendo em conta o propóstio, e falando de: “um género em clara ascensão e parece que a onda dos autores estrangeiros de maior sucesso trouxe com ela uma nova vaga de portugueses dedicados a este tipo de literatura” referiu dois dos grandes booms (em termos de exposição mediática) do fantatico: Senhor dos Aneis e Twilight, falhou? sim , talvez Harry Potter merecesse também ser mencionado, meste aspecto não me parece que o artigo tenha falhado a um nível tão grande quanto isso. No que falhou foi em falar com autores, todos ligados à mesma editora, nesse aspecto concordo com a refutação feita. No mínimo (e já era mau em si), penso que uma enunciação das várias editoras apostadas em publicar fantástico em Portugal era necessário.

    Não pretendo com esta opinião inflamar ânimos, é uma opinião e nada mais.
    Cumprimentos.

  17. Rogério Ribeiro said,

    Como disse no BBDE, parece-me que houve mais um erro de forma do que de conteúdo. Os livros mencionados foram realmente os únicos visivelmente publicados durante o primeiro semestre de 2009. Se a jornalista se tivesse limitado a “empacotar” o artigo assim, falharia menos o alvo.

    Claro que se juntarmos a isso a deficitária análise internacional, aí sim ficamos com espaço para achar que o artigo é mesmo tendencioso…

  18. Saki said,

    Obrigada por este texto, Safaa, é realmente por isto que os blogues são cada vez mais necessários, especialmente para desmascarar (palavra forte? talvez…) o pseudo-jornalismo de um suplemento que chega a tantos leitores, e de um jornal que se quer tão conceituado. Maior a vergonha de publicar um artigo tão mau!

  19. ClaudiaV said,

    É por estas coisas que eu não perco tempo a ler revistas e me concentro apenas em ler os livros🙂
    Brilhante texto!

  20. Flávio Gonçalves said,

    A Livros do Brasil vai revitalizar a Argonauta????????? Com reedições ou novas edições?

  21. Ella Raven said,

    Não querendo intrometer-me onde não sou chamada, devo dizer que o artigo acerca do Fantástico tem de facto lacunas bastante acentuadas por parte da jornalista. E não digo isto como crítica do trabalho alheio, mas como leitora assídua de Fantástico que sou, confesso que mais do actual Fantástico do que do existente há mais tempo.

    Eu gosto de Stephenie Meyer, e se dissesse o contrário estaria a mentir. Mas se gosto dela, agradeço à grande Anne Rice que me aguçou o gosto pelos Vampiros. (mas apesar do sucesso que a Stephenie Meyer tem, raramente se ouve falar de Anne Rice…estranho uma vez que esta foi talvez uma das pioneiras do ”Vampirismo”).

    Mas acima de tudo, sou extremamente fã da Saída de Emergência…portanto ora vejamos quantos autores acompanho da Saída de Emergência neste momento…Eles são: Anne Bishop, Charlaine Harris, Pc Cast + Kristin Cast, Karen Marie Moning…enfim. O certo é que a SdE é uma das editoras que mais aposta no fantástico, com livros que de facto são bons e que despertam o gosto pelo estilo literário.

    A Gailivro é uma boa editora que começou recentemente a apostar em livros bons de Fantástico, mas contam-se talvez pelos dedos. Tiveram a felicidade de comprar os direitos autoriais de uma das Saga de maior sucesso internacional do momento. Isso faz dela uma editora excepcional? Não para já. Está no bom caminho, e espero que o continue a seguir. Melhor para mim e para os leitores. Ganham eles e ganhamos nós.

    O certo é que de uma jornalista espera-se um artigo mais aprofundado. Se buscamos o conhecimento, não queremos que este nos seja dado de forma restrita a muito poucos dados. Mas sim, que se sejam focados vários aspectos importantes de um todo. O que na minha simples opinião de leitora não foi cumprido neste artigo.

    Existe muito mais para além da Stephenie Meyer, do Tolkien, etc… Existem imensos autores de literatura Fantástica que são importantes. Sejam eles escritores para um público alvo mais jovem ou não.

    Não vi serem citados: a J. K. Rowling, Anne Rice, Bram Stoker, George R.R Martim, Anne Bishop, Charlaine Harris, Juliete Marilier, etc, etc, etc.

    E citarem Marion Zimmer Bradley já deve ter sido um rasgo divino.

    Peço desculpa se me extendi demasiado, se fui muito emotiva ou se disse algum errado mas de facto é uma opinião muito pessoal.

    Cumprimentos,

    Ella Raven

  22. Alessandro said,

    Olá pessoal,

    Estou realizando uma pesquisa no Brasil sobre Urban Fantasy, porém tenho poucas fontes acadêmicas.

    Gostei muito do artigo e dos comentários.

    Vocês poderiam me indicar algumas teses e dissertações que abordem o tema, preferencialmente em portugues?

    Obrigado!

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: