Lex Talionis

July 19, 2009 at 12:30 pm (Strange Land)

Eu sou a eterna optimista, embora grande parte das pessoas com quem me relacione não o sejam muito. Eu sou a optimista que acredita que com trabalho duro e dedicação as pessoas certas conseguem chamar a atenção e ultrapassar o mediano ou o medíocre que ultimamente parece imperar em todo o lado.

Mas a optimista em mim não se deixa enganar. Há uma parte de mim que se queda a observar e nota que a evolução é uma coisa ilusória e que os progressos que se pensava terem sido feitos, parecem na maioria das vezes embater numa parede ou cair em saco roto. Mas chega de abstracções e passemos a coisas mais concretas.

Estou de volta à actividade neste blogue (e pretendo mantê-la a um ritmo mais regular, embora já tenha tentado anteriormente) e a razão que me fez de novo escrever tem a ver com uma série de reflexões que têm circulado em vários blogues sobre um tema que me é caro no qual me envolvi bastante: o fantástico em Portugal. Muito se falou nestas últimas semanas, por vezes num tom bastante azedo, e segui atentamente tudo o que foi escrito.

O meu amor por livros, especialmente os de literatura fantástica, é o fio condutor  que alimentou todo o meu trabalho, mesmo quando eu não suspeitava dos frutos que iria colher. As coisas que faço por amor, como diria Jaime Lannister, a minha personagem favorita em As Crónicas de Gelo e Fogo. Ele fez coisas hediondas, mas eu prefiro pensar que dei o meu contributo para a divulgação dessa literatura e uma maior consciencialização do potencial do fantástico em Portugal. Gosto de pensar que dei toda a minha alma e empenho enquanto os projectos me interessaram e enquanto acreditei neles.

Em 2006, escrevi um post sobre a situação da fantasia e ficção científica em Portugal e agora a relê-lo penso como está tão incrivelmente datado e incompleto. Detecto naquele post um certo tom, lá está, optimista. Mas com os anos eu sei que esse optimismo converteu-se num certo azedume e impaciência, e as pessoas que melhor se dão comigo o terão detectado.

Houve os grupos de discussão de Tolkien, os sci-freaks, os filhos de Athena, os 1ºs Encontros Literários, a Épica, o Fórum Fantástico, os trabalhos freelancers para a Saída de Emergência. Ultimamente esse papel de divulgadora,  moderadora e organizadora tem estado um pouco mais apagado porque, simplesmente, desenvolvo hoje um trabalho em prol do género a um nível muito mais profissional e sério.

O que era uma brincadeira, uma actividade de tempos livres, um passatempo, um projecto para me manter sã, rouba-me agora quase todo meu tempo e energias. Trabalhar como assistente editorial no Grupo Saída de Emergência abriu-me os olhos para a realidade do lado de quem faz os livros e de quem os vende. E acreditem que é uma perspectiva inteiramente diferente. Pensamos que sabemos coisas como tradutores, autores, revisores ou por conversas com editores em feiras do livro, mas na verdade o mundo da edição é aquele que determina as tendências, que pode quebrar ou elevar um bom escritor, que pode abrir portas ou fechá-las irremediavelmente. Muitos podem invejar o poder do editor, mas é um poder que não está isento de regras e limitações. Raro é o editor que se dá ao luxo publicar aquilo que os seus gostos ditam. Esqueçam essa ideia, porque não é verdadeira. Prometo escrever um post mais detalhado sobre edição de literatura fantástica em Portugal, mas agora o assunto é outro.

Porque falo deste trabalho agora? Porque permite-me ter uma noção mais clara do que tinha em 2006 do que realmente se passa no mundo da literatura fantástica em Portugal. Recentemente, o Luís Rodrigues foi convidado pela Sf Signal para escrever um texto sobre a situação do fantástico em Portugal. Ora eu conheço o Luís há anos e sei bem qual a opinião dele, que não me surpreendeu minimamente. É uma opinião informada e sei que o Luís acompanha bem as coisas que se têm feito em Portugal (e muitos não saberão do seu contributo insuspeito e não reconhecido para muitas iniciativas importantes). O problema do Luís é o problema que houve desde sempre: é por vezes demasiado hostil e ácido na forma como entra em discussões. A atitude dele torna-se problemática para muitas pessoas que se revoltam com a sua abordagem da questão.

Na caixa de comentários do blogue do Correio Fantástico, assim como na Sf Signal, surgiram as reacções ao texto do Luís que só me surpreenderam numa coisa: era o mesmo tipo de reacção azeda e exacerbada que testemunhava em fóruns há muitos anos.  Pensei eu “mas ainda estamos nisto depois de tantos anos? Ainda esta celeuma e despeito todo?” Deixem-me explicar o principal motivo da reacção: o Luís Rodrigues é um alvo suspeitíssimo, um membro há muitos anos do mítico e famigerado fandom nacional.

Não é nenhum segredo de que existe um grupo de pessoas que há anos tem-se mostrado activo, em maior ou menor grau, na divulgação do género.  E também não é nenhum segredo que o convívio regular com os principais protagonistas deste grupo deu-me a conhecer muitos defeitos, virtudes, episódios lamentáveis, outros memoráveis, mas absorvi tudo e aprendi a interagir de acordo com a personalidade de cada figura.

A maioria tem opiniões muito fortes sobre o estado da nação, alguns dirão que são os eternos pessimistas que professam que nada com a etiqueta nacional merece considerações. A maioria dos membros do chamado fandom desenvolvem um trabalho já reconhecido na área e são as suas opiniões que são normalmente ouvidas pelos meios de comunicação social ou outros eventos quando é preciso uma voz que saiba do que está a falar.

E depois há a ideia que a maioria dessas pessoas tem de que o fandom despreza a fantasia inspirada em Tolkien, a que se chama vulgarmente de fantasia épica derivativa que, como se sabe, foi a fantasia que mais vingou em Portugal nos últimos anos. Mas há que colocar aqui uma questão importante: o fandom critica negativamente a fantasia inspirada em Tolkien por ser uma mera cópia ou porque é má? Porque se criticam por ser meramente uma cópia, então eu sou obrigada a divergir deles.

Conheço imensas fantasias derivativas que hoje são consideradas clássicos ou obras bem amadas.

Uma das primeiras obras de Guy Gavriel Kay, A Tapeçaria de Fionavar, é abundantemente inspirada em Tolkien, tendo sido escrita no seguimento do seu trabalho de edição do Silmarillion juntamente com Christopher Tolkien. E apesar de um início fraco e tremido, Kay vai conquistando uma voz cada vez mais segura, lírica e emocional que o tornou famoso em obras posteriores. Também posso dar o exemplo de Terry Brooks na série Shannara. The Sword of Shannara acaba por ser um simples remastigar do enredo do Senhor dos Anéis mas isso não impediu que o livro conquistasse milhares de fãs porque de facto tem algumas qualidades.

E o mesmo poderia dizer dos livros Dragonlance escritos por Margaret Weiss e Tracy Hickman, dois escritores que fizeram as delícias de milhares de jovens com histórias e aventuras bem escritas de grande carga emocional e personagens que acabaram por se tornar lendárias.

E não posso deixar de mencionar o David Gemmell, um grande autor de fantasia cujos mundos se inspiram fortemente nos clichés de fantasia épica, mas isso não o impediu de criar histórias memoráveis. E depois poderia destacar o caso de Poul Anderson em The Broken Sword que não só respeitou as convenções do género, mas ainda o levou mais longe.

Já tive a oportunidade de ler inúmeros manuscritos, contos, excertos e obras publicadas por portugueses que se poderiam incluir em fantasia épica. Não posso dizer que tenha encontrado uma obra ou texto que me tenha satisfeito plenamente e que me tenha enchido as medidas, mas vi potencial em algumas, um potencial que muitas vezes andava de mãos dadas com algumas falhas sérias a nível de construção narrativa, enredo ou situações risíveis e ridículas em que as personagens são colocadas. Tudo facilmente emendado, creio, com trabalho rigoroso e disciplina, empenho e dedicação. Mas aqui há um aspecto que não posso deixar de abordar.

É imperativo que acabe uma certa mentalidade que existe em Portugal de que o livro, apenas porque é publicado, é obra de um génio. E o que é pior: Ao constatarem que o livro não tem o sucesso desejado ou não atingiu as estantes de livrarias no país inteiro, consideram que o livro é obra de um génio incompreendido, e vai daí a lamúrias e protestos que não dignificam muito o autor. Ainda poderia falar do caso dos autores que julgam que o manuscrito não precisa de nenhum trabalho de edição, mas isso é assunto para outros posts, até que porque faz falta um verdadeiro trabalho de edição em Portugal. Eu não quero ofender ninguém com esta afirmação, mas compreendam que publicar um livro em Portugal não é sinónimo de se ser escritor. Eu não sou obrigada a reconhecer uma pessoa como escritor apenas porque publicou obras, seja numa grande casa editorial ou numa vanity-press. E nem o Luís Rodrigues é obrigado a reconhecer o trabalho de muitos jovens autores apenas porque foram publicados e venderam e têm fãs. Se o Luís leu esses livros e considerou-os que não deviam ser mencionados no seu texto, é porque a sua consciência assim o ditou. Podia tê-lo mencionado por respeito a essas obras, mas não há nenhuma lei que o obrigue a tal.

Durante anos assumi uma posição moderada, juntamente com o Rogério Ribeiro, uma posição que medeia entre a inflexibilidade do fandom e uma maior abertura e desejo de contar histórias de muitas pessoas que fomos conhecendo graças ao fórum fantástico e outros. No último ano ou dois, muitos poucos sabem que eu e o Rogério começámos a divergir cada vez mais sobre o conteúdo do evento. O Rogério defendia que, independentemente das qualidades da obra apresentada, devíamos dar-lhe lugar no evento, mesmo tendo nós consciência das suas limitações. Eu defendia que, precisamente por não estarem a um nível minímo desejado, deviam ser excluídas de apresentação. Eu acreditava que por maiores que fossem as boas intenções do Rogério em apresentar a obra e apontar ao autor a necessidade de melhorias, achava que o evento estaria conotado com um nível de mediocridade que a minha consciência recusava-se a divulgar. Felizmente, chegámos a um consenso em grande parte das vezes, houve vários que não foram convidados, houve outros que aceitaram o convite. Mas o que importa é que a lógica do Rogério sempre imperou no Fórum, que foi a de permitir divulgar tudo o que era feito em Portugal, seja por membros do fandom, seja por pessoas que nunca se envolveram em grupos, facções, etc.

A atitude é a falha principal no meio. A atitude daqueles que se mostram intransigentes nos seus standards. A atitude daqueles que se ressentem com a rejeição e falta de apreciação pelos seus esforços e optam por enveredar por vezes pelo mesmo desrespeito de que os primeiros são acusados. A atitude dos invejosos que querem nada mais do que destruir o mérito do trabalho dos outros. A atitude daqueles que se julgam salvadores da pátria, mas não lhes reconheço as qualidades para salvarem coisa alguma.

E deixem-me que vos diga. Por mais defeitos que tenha o fandom, há algo em que geralmente não falham. Marcam presença nos lançamentos, estão sempre disponíveis em contribuições e sugestões para o Fórum Fantástico, estão lá sempre quando é preciso guiar autores estrangeiros em Portugal, compram os livros, divulgam-nos à sua maneira. Recentemente, foi lançada a antologia COM A CABEÇA NA LUA, que foi provavelmente o evento do ano em ficção científica em Portugal, e constatei, desiludida, que só as habituais caras do fandom tinham marcado presença no lançamento. Onde as novas caras? Onde os leitores ávidos? Onde os bloggers entusiastas (À excepção da Cristina Alves, editora do Rascunhos, que tem sido exemplar e quem me dera que houvesse mais 500 como a Cristina)? Onde os editores de e-zines de fantástico? Em lado nenhum!

Assim não é possível fazer crescer o género fantástico em Portugal.

Mas voltando à literatura em si, e deixando as atitudes de lado, se os autores que temos não querem seguir as pisadas de Jack Vance, Michael Moorcock, Gene Wolfe ou Stephen R. Donaldson, devemos ignorá-los por isso? Ou devemos construir pontes que lhes façam abrir os olhos para toda a diversidade que existe na literatura fantástica?

E agora pergunto para o lado dos jovens leitores e autores que tanto criticam o fandom: Querem alguém que fale sempre bem dos vossos textos e digam que são a figura mais influente e talentosa dos últimos tempos? Querem apenas elogios? Querem alguém que aceite tudo o que publicam sem um olhar crítico que aponte uma ou outra falha? Eu suspeitaria imenso do editor que me propusesse a publicação de um manuscrito meu sem que me desse uma opinião fundamentada e esclarecida, a opinião de alguém que já adquiriu a experiência e conhecimentos suficientes para saber se valho a pena ou não como escritora.

Mas se há uma coisa que mudou para melhor desde 2006 é que temos muitos mais leitores do que há cinco anos. Leitores que não se ficaram por J. K. Rowling e Harry Potter, mas procuraram mais e mais e tornaram-se exigentes. É o sinal mais positivo que encontrei nos últimos tempos. Eu vejo no fórum Bang! a quantidade de fãs que devoram a colecção e anseiam pelo próximo título de Moorcock, George R. R. Martin, Dan Simmons, Richard Morgan e outros. Eu leio as sugestões que fazem e espanto-me e fico contente porque demonstram um nível já bastante superior que era praticamente inexistente em Portugal há uns anos. A facilidade de compras na Internet também ajudou bastante a este fenómeno, assim como a facilidade de encontrar o melhor que se tem feito através de word of mouth na Internet.

Será sonhar muito a ideia de que talvez alguns destes leitores revelem no futuro uma escrita capaz de fazer o Luís Rodrigues mencioná-los com orgulho na SF Signal?

Confesso que ainda não vi um escritor português de fantasia que me tivesse impressionado, e disse-o no twitter, ao que me foi perguntado: “Mas não serás tu difícil de impressionar?” A pergunta é perigosa porque evidencia uma linha de pensamento de que eu devia baixar os meus padrões de exigência para tornar assim mais fácil a aceitação de novos autores. Quando começo a ler um novo texto, não estou à espera de ver o próximo George R. R. Martin, apenas algo que eu goste de ler, que me emocione, que me faça virar a página com entusiasmo, que me faça entrar no maravilho mundo da suspensão de descrença, porque eu quero mesmo acreditar. Mas se o português nao for bom o suficiente, se os diálogos não soarem naturais o suficiente, se o enredo for aborrecido ou mal feito, não posso acreditar.

Algumas pessoas sugeriram à própria SdE que incentive workshops de escrita criativa, mas a SdE é uma empresa, embora se faça muito ali por amor à camisola. É a outros que cabe a organização de workshops; a edição de revistas, seja em papel ou online; a organização de encontros e tertúlias; a procura de colaboradores dispostos a contribuir diariamente com textos e novidades. Passei por tudo isso, mas o que se tem feito mesmo assim não é suficiente enquanto não houver mais colaboradores, mais união no meio, menos suspeita e indiferença, mais vontade em ensinar e aprender, em dar e receber.

Tem que acabar a política azeda de retribuição que impera no meio da literatura fantástica em Portugal, a de olho por olho, dente por dente, que eu diria que é um passatempo favorito de certas pessoas. A ideia é discutir, mas não pôr no lugar. A ideia é sugerir, mas não denegrir ou rebaixar. A ideia é aceitar, e não ignorar. A ideia é construir e fazer crescer, e não destruir com ódio, dor de cotovelo, inveja, incompreensão, falta de comunicação, uma terrível e estúpida e dispensável falta de comunicação.

33 Comments

  1. igdrasil said,

    “Recentemente, foi lançada a antologia COM A CABEÇA NA LUA, que foi provavelmente o evento do ano em ficção científica em Portugal, e constatei, desiludida, que só as habituais caras do fandom tinham marcado presença no lançamento. Onde as novas caras? Onde os leitores ávidos? Onde os bloggers entusiastas (À excepção da Cristina Alves, editora do Rascunhos, que tem sido exemplar e quem me dera que houvesse mais 500 como a Cristina)? Onde os editores de e-zines de fantástico? Em lado nenhum!”

    Com muita pena minha, a actividade profissional que desempenho não me tem permitido marcar presença, especialmente neste evento. Encontrava-me a mais de 300km de distância, apesar de a minha residência ser a uns escassos km do Colombo. Fica para uma próxima. Mas também me lembro perfeitamente que apenas fui bem recebido pelo Rogério e pelo Phillip no FF deste ano…talvez fruto dessa dissonância entre a sua opinião e a do Rogério: é que eu aparecia no FF com muitos projectos e algumas ilusões (apesar de ser completamente desconhecido do tal fandom)e esperei bastante tempo por poder conversar consigo. Acabei por ser recebido pelo Rogério que me deu força, apesar de não me conhecer. Mas não interessa, “ancient histories”… Admiro as pessoas que muito têm feito pelo fantástico nas artes em Portugal: Você, o Rogério, o Luís Filipe Silva, o João Seixas, etc… eu tento seguir o vosso exemplo, mas ainda tenho muito caminho a percorrer!

    “Pensei eu “mas ainda estamos nisto depois de tantos anos? Ainda esta celeuma e despeito todo?” Deixem-me explicar o principal motivo da reacção: o Luís Rodrigues é um alvo suspeitíssimo, um membro há muitos anos do mítico e famigerado fandom nacional.”

    Quando comentei o texto do Luís, não tive a intenção de ser ofensivo e não me parece que o tenha sido, concordo em parte com a sua análise mas espero agora que as pessoas, ligados ao tal fandom ou não, apresentem algumas ideias, medidas concretas, para solucionar este problema. O seu texto vem dar uma excelente visão do assunto, uma visão profissional. É um excelente contributo para a discussão.

    “E agora pergunto para o lado dos jovens leitores e autores que tanto criticam o fandom: Querem alguém que fale sempre bem dos vossos textos e digam que são a figura mais influente e talentosa dos últimos tempos? Querem apenas elogios? Querem alguém que aceite tudo o que publicam sem um olhar crítico que aponte uma ou outra falha?”

    Não se aplicando esta questão a mim, pois não sou um “jovem autor” nem tenho pretensões nesse sentido, parece-me que não será este o caminho, e parece-me que se alguém pensar que deve ser assim está bastante errado.

    “Algumas pessoas sugeriram à própria SdE que incentive workshops de escrita criativa, mas a SdE é uma empresa, embora se faça muito ali por amor à camisola. É a outros que cabe a organização de workshops; a edição de revistas, seja em papel ou online; a organização de encontros e tertúlias; a procura de colaboradores dispostos a contribuir diariamente com textos e novidades. Passei por tudo isso, mas o que se tem feito mesmo assim não é suficiente enquanto não houver mais colaboradores, mais união no meio, menos suspeita e indiferença, mais vontade em ensinar e aprender, em dar e receber.”

    Será que o fandom, em conjunto com alguns voluntários exteriores, não está disposto a tentar algo neste sentido, excluindo o espectacular FF?

    “A ideia é sugerir, mas não denegrir ou rebaixar. A ideia é aceitar, e não ignorar. A ideia é construir e fazer crescer, e não destruir com ódio, dor de cotovelo, inveja, incompreensão, falta de comunicação, uma terrível e estúpida e dispensável falta de comunicação.”

    Exactamente a minha opinião. Continua a ser este o grande objectivo do Correio do Fantástico, bem como da DAGON… Penso que com esta discussão o caminho certo surgirá…

    Por isso lhe pergunto? Considera que esta discussão pode trazer algo de positivo? Qual a sua opinião sobre os elementos “outiders” ao fandom e a sua participação recente na promoção da literatura fantástica?

    São questões pertinentes, que, atavés das suas respostas, nos podem ensinar muito.

    “Onde os bloggers entusiastas (À excepção da Cristina Alves, editora do Rascunhos, que tem sido exemplar e quem me dera que houvesse mais 500 como a Cristina)? ”

    Realmente parece-me que o “Rascunhos” é o melhor blogue, actualmente, de literatura fantástica, em termos de quantidade de análise e da qualidade de mesma! Está de Parabéns a Cristina.

    Cordialmente,

    Roberto Mendes

  2. Rui Baptista said,

    Olá Safaa,

    Gostei muito do texto. Também tenho acompanhado nas últimas semanas, a discussão em alguns blogs/sites sobre o fantástico em Portugal, mas só o teu texto é que parece ter chegado ao cerne da questão.

    No entanto não posso deixar de fazer uma observação a propósito do lançamento da antologia Com a cabeça na Lua. “…e constatei, desiludida, que só as habituais caras do fandom tinham marcado presença no lançamento.”

    Enquanto os eventos continuarem a ser em Lisboa, de minha parte haverá sempre uma enorme dificuldade em poder comparecer, o que me causa um grande desânimo. Há uma grande diferença entre uma pessoa ter de deslocar-se 10, 20 ou 50 quilómetros, e ter de deslocar-se 300 quilómetros ou até mais. O tempo e as despesas são um factor terrivelmente forte na hora de poder ou não estar presente.

    Se fizerem lançamentos fora de Lisboa, talvez possam ver caras novas…

    Um abraço,

    Rui

  3. Rogério Ribeiro said,

    Bom, aparentemente o optimista maior sou eu!😛
    Realmente, sempre valorizei a paixão com que se cometem erros mas se fazem coisas. Sempre quis dar às pessoas a hipótese de melhorarem. Se a aceitam ou não, a decisão já é da sua total competência. Daí sempre ter achado que, demonstrando a perseverança de criar uma obra, e a temeridade de a lançar cá para fora, havendo um minimo de potencial (e aqui é onde a minha noção de qualidade minimina várias vezes divergia da da Safaa), a exposição no FF era uma mais-valia de evolução para o autor.
    Talvez estivesse errado. Talvez a atitude desdenhosa de algumas pessoas, não necessariamente as mais competentes, mas muitas vezes os “outros”, acabasse por ser contraproducente, criando logo ali uns anticorpos. Mas pronto, creio que saber encaixar criticas destrutivas também é uma lição de vida útil a um escritor.

    O fandom, como qualquer outro grupo de pessoas, é um misto de pessoas bem-intencionadas e mal-intencionadas, de pessoas educadas e de outras nem tanto, de pessoas abnegadas e de adoradores do seu próprio umbigo. Como qualquer outro grupo de pessoas com que interagimos, aprende-se com o tempo a lidar com cada um consoante o que nos demonstra.

    De resto, há tanto que deriva dos inúmeros debates que tenho tido com a Safaa que só lhe posso agradecer a companhia neste percurso, desejar-lhe as maiores felicidades no meio editorial, e esperar que continuemos a encontrar razões válidas, e visões de compromisso, para colaborarmos.

    Roberto:

    Há algo em que acho que te equivocas. O fandom não é um clube onde se entra por inscrição! Quando me envolvi com o “fandom”, não pedi licença para entrar. Fui começando por ouvir, aperceber-me do que eu próprio sentia falta que existisse, arregaçar mangas e fazer. É pelo que fazes que serás reconhecido como pertencendo ao fandom. Aliás, eu diria que tu já pertences, pelo menos para mim. Portanto, essa dos membros externos…
    Quanto aos méritos da discussão, certamente terá muitos. Mas quando, ao longo dos anos, se ouvem muitos processos de intenções, como eu e a Safaa temos ouvido, que depois são afogados em quesílias pessoais, dá-nos o benefício de mostrarmos sempre algum cepticismo quanto ao resultado prático das discussões.

    E ficam também os meus parabéns à Cristina, claro.

    Rui:

    De momento também eu tenho andado afastado do “fandom”, por compromissos profissionais, daí iniciativas como o Fórum Fantástico, com a Safaa, ou a Tertúlia Noite Fantástica, com a Sandra Rosa, estarem paradas. Pela mesma razão, tenho outros projectos na calha que ainda não arrancaram, um deles na área do cinema.
    Mas, o que interessará para essa tua questão, é que o Porto figura noutro dos meus projectos que penso lançar no último trimestre deste ano. Eu sei que o país não é só Lisboa e Porto, mas já daria o meu contributo para não ser só Lisboa em termos do fantástico😉
    Serve isto para avisar que em breve vou precisar de toda a força e colaboração do pessoal a norte…🙂

    Um abraço,
    Rogério

  4. Safaa Dib said,

    Roberto:

    Estou chocada por me estares a atirar à cara o meu suposto “mau acolhimento” que te dei por altura do Fórum Fantástico 2008. Recordo-me de ter conversado contigo uma vez e no qual me fizeste uma proposta ao que querias uma resposta afirmativa ou negativa, a qual não podia dar sem conhecer melhor o conteúdo do projecto e as pessoas envolvidas. E já é do conhecimento geral que em época de organização de Fórum e durante o evento é praticamente impossível ter dois dedos de conversa decente com alguém, para grande pena minha. É sempre correrias e dores de cabeça de um lado para o outro! Peço desculpa se ficaste com a impressão que te ignorei ou tratei-te mal, mas não foi propositado e acredita que tinha muitos problemas em que pensar naquela altura, pelo que haverá coisa que me terão passado ao lado.

    Quero esclarecer melhor o uso do termo fandom no meu texto. O fandom é um grupo de pessoas, como o Seixas refere bem na caixa de comentários do Correio Fantástico, que já tem assistido aos principais acontecimentos do género em Portugal já desde os anos 80 e 90.É um grupo mais exigente e experiente, e que já experimentou de tudo. Mas a verdade é que agora há muitas outras pessoas interessadas em prestar também o seu contributo à ficção científica, fantasia, horror, etc, pelo que o termo fandom ainda só existe mesmo para designar essa velha guarda.

    Como diz bem o Roger, não são um clube selecto e restrito. Para fazer parte deste grupo e interagir com ele, basta mostrar trabalho e valor. Foi quando comecei a organizar actividades com o Rogério que o fandom voou todo em nossa volta e nos quis conhecer melhor. Confesso que é um fandom demasiado corroído por mal estares, egos inflamados, disputas e ódios irracionais, mas há também conhecimento, experiência, iniciativa, vontade de divulgação, etc.

    Rui e Roberto:

    Quanto à questão da presença em lançamentos, eu compreendo que a distância seja um impeditivo mas também devem compreender que no momento em que se torna difícil encher uma sala em Lisboa, menores são as probabilidades de se organizar sessões no Porto, Algarve ou outra qualquer localidade.

    Aliás, recordo-me aquando a promoção do “Lisboa Triunfante” de David Soares de ter conseguido convites para o autor se deslocar a Braga e o Porto, e embora não tenha sido uma ida em vão, no Porto ficou algo aquém das expectativas. Se as pessoas não fazem um esforço para se mobilizar, dificilmente há motivação para organizar mais actividades deste tipo.

    Rogério:

    Só estamos de sabática este ano, estamos longe de fechar a casa.😉

  5. Rui Baptista said,

    Safaa,

    Há sempre um pormenor qualquer que me esqueço de referir e que me parece fazer uma grande diferença…

    Naturalmente que percebo a razão de os eventos, nomeadamente os lançamentos, serem na maioria em Lisboa. Há um maior número de público-alvo. Quanto ao Porto, e apenas posso falar da minha cidade, só me apetece dizer que somos uns tristes! Eu estive no lançamento do Lisboa Triunfante do David Soares, e estava muito fraquinho. E pior ainda esteve o lançamento da Carla Ribeiro… Depois queixamo-nos que não se passa nada no Porto…

    Portanto, em eventos futuros, se não me vires por lá, é simples mente por falta de disponibilidade e nunca de interesse.

    E caro Rogério,

    Eu estou sempre disponível para colaborar em novos projectos. Quer dizer, tenho vontade😉 Se precisarem de mais uma mãozinha, é só apitar.

    Um abraço a ambos,

    Rui

  6. Rafa said,

    Safaa, no fim escreves para os já conhecidos ou aqueles que desculpa o termo são cotas na “cena”, enquanto eles se “matam” em blogs, foruns, artigos e outras coisas mais, os leitores avastam-se dos livros e vão por outros caminhos.
    Eu ainda vou lendo de tempos a tempos mas sinceramente perdi a vontade para ir a eventos e ver sempre as mesmas velhas caras ou seriam caras velhas?😄
    Desculpa o termo mas estas divergencias são mais velhas que o cagar!😄

    • Rafa said,

      Avastam-se! (XD um erro épico a patente é minha)

    • Rogério Ribeiro said,

      Espera, Rafa, houve algo que eu não percebi no teu raciocinio. Os leitores afastam-se dos livros pq vêem estas quesilias, ou não se aproximam do género por causa delas?
      É que dificilmente estou a ver alguem deixar de ler pq o “fandom” tem estas aves raras, umas a descoberto outras clandestinas. Já o não se envolverem activamente, já acredito…

      • Rafa said,

        Rogério se a ideia é agarrar novos leitores não fica lá muito bem ter a suposta elite (da treta porque se fossem tão elite mantinham a compostura quais senhores e senhoras bem educadas) a brigar desde o seculo passado. Os leitores vão sempre ler o que gostam tenham ou não cromos a brigar, o problema será quando querem ajuda a encontrar novos livros e entram em foruns ou leem artigos que a unica coisa que fazem é fazer critica negativa ao que eles os leitores gostam de ler.
        Ler é um passatempo caro que requer manutenção e incentivo.
        Muitas dessas brigas afastam os leitores de um caminho mais abrangente dentro do fantastico.

  7. Rogério Ribeiro said,

    Ah, então vejo-me obrigado a concordar contigo a 100%!🙂

  8. igdrasil said,

    Saafa,

    Desculpas aceites. Peço também eu desculpa pela indelicadeza de ter referido este episódio num comentário ao teu post. Certamente era apenas um mau dia.
    Numa discussão que já tem de tudo, desde pequenas brigas até um hacker a atacar o correio do fantástico e a apagar posts e comentários, têm os intervenientes estado um pouco desviados do objectivo. Acabo de lançar medidas concretas que estou disposto a levar a cabo através de mais um post.

    Rafa, realmente se os leitores quiserem dirigir-se ao fandom e alguns elementos se comportarem mal, é normal que os leitores se afastem!

    Roberto Mendes

  9. Semanário 32 « Caneta, Papel e Lápis said,

    […] mesmo ter de tentar fazer pelo menos um. Queria experimentar escrever fantasia porque anda aí uma acesa discussão sobre o fantástico em Portugal, que me adoçou o bico e deu-me ganas de escrever algo. Não sei é muito bem o quê. 😄 E hoje […]

  10. João Ventura said,

    Ora vivam!
    Um dos efeitos colaterais desta correnteza de postas foi ficar a saber – se percebi mal, corrijam, por favor – que não vai haver este ano (pelo menos…) o FF.
    Sendo um anúncio importante para os interessados, talvez devesse ser objecto de uma posta dedicada…

    Tenho acompanhado as últimas tempestades no ciberespaço, mas não sendo especialista em meteorologia galáctica, tenho evitado intervir, com receio de ser apanhado involuntáriamente nalgum vórtice… Quando se pensa que a mancha vermelha de Júpiter está lá há cerca de 300 anos, devemos ter muita atenção à permanência no tempo das consequências destas borrascas de dimensão cósmica. E observá-las sempre com um distanciado respeito.

    E não tendo mais (de momento) para dizer, até à próxima. Tenho uns livros para ler e umas coisas para escrever.

    Saudações

    João Ventura

  11. Safaa Dib said,

    João Ventura,

    O Rogério encarregou-me de fazer o anúncio e não passa desta semana. Mas posso dizer desde já que haverá Fórum Fantástico em 2010 e já temos tudo marcado com a Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Telheiras. Voltamos à casa original, portanto.😉

    Rafael, percebo o teu ponto de vista e devo dizer que vi esse afastamento dos leitores acontecer devido a uma certa postura agressiva da parte de pessoas que deviam saber melhor. Mas também não acho que devam ser simplesmente ignoradas porque se todas essas pessoas que têm feito contribuições importantes ao longo dos anos deixassem de repente de contribuir acredito que ficaríamos todos um pouco mais pobres em conhecimento e leituras… Como disse no meu post, a atitude é mesmo a coisa a resolver.

    Eu ainda quero abordar num post diferente algumas questões pertinentes colocadas pelo Seixas sobre os leitores de fantástico, em particular, os leitores da colecção Bang. Parece-me que fizeste uma análise um tanto ou quanto simplista da coisa, Seixas, mas prometo voltar a reler tudo e comentar.

    • Rafa said,

      Pobres? Nah! Tinhamos sempre uma Safaa, um Rogério e outra malta nova que não sofre de doenças da velhice.
      O problema das contribuições é que algumas pessoas pensam que lá por terem ajudado o fantástico no passado temos que lhes prestar vassalagem. “Oh grande chefe que escreveste sobre o fantástico antes de eu nascer, eu te presto vassalagem com este piaçá com 10 anos de uso, escreve mais artigos em breve porque eu já não tenho papel para limpar o c%.” Eu pelo menos levo isto com sentido de humor, anyway é mais do mesmo esta cena do fantástico em Portugal. Ai tá mau ai ai tá mau, ai que não temos autores ai ai ai…arrangem um gravador como o grande Cunhal que descanse em paz btw. Obviamente Safaa sabes que estou a levar isto com sentido de humor, sou muito mais mal educado ao vivo!😄

      • Luís Rodrigues said,

        Por falar em papel para limpar o c-percentagem, alguém aqui está com o rabinho assado.

      • Álvaro Holstein said,

        O simples facto de pensares no assunto: «O problema das contribuições é que algumas pessoas pensam que lá por terem ajudado o fantástico no passado temos que lhes prestar vassalagem» é só por si assustador. Não ficou para mim claro se essa vassalagem deve ser prestada a alguém. Espero que a resposta seja não.

        Não se devem confundir nem as coisas, nem “os coisas”.

  12. Rogério Ribeiro said,

    Não havendo Fórum Fantástico 2009, convém dar a dica de que talvez haja ainda algo, embora mais modestito, a decorrer este ano na área.
    Portanto, convém ficarem de antenas no ar.
    Não é uma promessa definitiva, mas o alien cá dentro não se cala, há que alimentá-lo!😉

    Um abraço,
    Rogério

  13. Francisco Norega said,

    Bem, apenas queria dizer um coisa, relativamente ao lançamento de “Com a Cabeça na Lua”. (quanto a esta discussão vou seguir a tua opção e escrever um post no meu blog).

    Sim, viram-se as mesmas caras no evento, mas será por essas caras serem os verdadeiros apoiantes do género ou por serem os apoiantes do género que têm a possibilidade de comparecer em todos esses eventos que, infelizmente, só têm lugar em Lisboa? Eu fui ao FórumFantástico o ano passado, fui ao Porto ver o Martin (talvez o único evento do fantástico fora da capital de que me lembro), e assim que tomei conhecimento da fantástica iniciativa Tertúlia Noite Fantástica comecei a organizar-me para me deslocar à Capital para comparecer na edição seguinte, mas nunca mais soube nada disso (apesar de ter tentado saber o que se passava, tanto no blog e no twitter).
    Penso que o principal problema não é aparecerem sempre as caras, mas sim os eventos terem lugar sempre na capital. Por muito que gostasse de comparecer em todos os grandes eventos ligados à literatura fantástica, não posso – nem quero (a minha vida não é só o fantástico, como é óbvio) – deslocar-me a lisboa sempre que há um.
    E penso que não deveria ser criticado por isso.

    • Francisco Norega said,

      E não quero com esta minha insignificante contribuição atacar ninguém. Longe de mim isso.
      Apenas queria que se desse valor aos fãs do Fantástico que, mais ou menos vezes, se deslocam a Lisboa para comparecer aos eventos. Penso que se deveria valorizar as caras novas que (deslocando-se algumas centenas de quilómetros) vão aparecendo, de quando em vez, nos eventos da Capital, e não criticar os que não aparecem. Se calhar o problema não é dos fãs não aparecerem, é de os eventos terem lugar sempre no mesmo sítios.

  14. Safaa Dib said,

    Francisco, a intenção do meu comentário não era a de criticar ou elogiar as pessoas que vão surgindo nos eventos, mas a de criticar as pessoas que têm possibilidades disso mas, por alguma razão que me escapa, não o fazem, inviabilizando assim a hipótese de se organizarem mais eventos na capital e fora dela. É evidente que não vou criticar-te a ti, ou ao João Seixas (que veio de Viana do Castelo para o evento da Lua), ou outras pessoas por não se deslocarem mais vezes a Lisboa, havendo uma significativa distância geográfica.

    A verdade é que há muito mais pessoas para além das velhas caras que manifestam grande interesse pelo fantástico e são desta área e, mesmo assim, não os vejo nos eventos. Se eliminarmos o Fórum Fantástico, todos os lançamentos ou sessões de tertúlias tiveram pouca gente. Todos poderão alegar impossibilidades de vida pessoal, e muitas outras razões perante as quais eu me calo, mas a realidade é que, enquanto não houver uma verdadeira mobilização de gente interessada e estiverem poucas pessoas presentes nestes eventos na própria capital, dificilmente surgem condições para arriscar a fazer mais eventos fora.

    Falaste da ida do Martin ao Porto, mas essa sessão teve sala cheia como a sala em Lisboa no Corte Ingles? Não teve. E o David na apresentação de “Lisboa Triunfante” em Janeiro deste ano no Porto teve uma presença invejável na sala? Infelizmente não.

    Eu não me importo de organizar eventos para as pessoas do costume mas depois de anos começa a ser um tanto ou quanto frustrante, e só mesmo a presença de bons autores estrangeiros no Fórum Fantástico, impede essa tendência. A verdade é que se fosse possível trazer autores de fora de 3 em 3 meses seria uma alegria, mas isso não é possível. E aqui entra outra questão. Há desinteresse porque é um produto nacional?

    Uma das hipóteses que surgiu para a existência de um FF deste ano foi organizar um evento exclusivamente nacional, mas apercebemo-nos logo de que não resultaria. A jóia de coroa do FF sempre foi os autores estrangeiros, e só assim conseguimos chamar a atenção para a prata da casa. É pena, mas preferimos cancelar a iniciativa deste ano por falta de presenças estrangeiras (entre outras razões) do que arriscarmo-nos a ver uma edição seriamente enfraquecida a ponto de não compensar fazer mais.

    De qualquer modo, sempre foi desejo do Rogério organizar uma iniciativa na área do Porto e pode ser que os desejos dele se realizem em breve. Se sim, farei todos os esforços para apoiar a iniciativa e deslocar-me ao Porto. Mas não me recrimines se mostrar algum cepticismo quanto ao sucesso da iniciativa. A experiência já me mostrou algumas coisas nestas andanças.

    • Francisco Norega said,

      Bem, por esse ponto de vista, fazer os eventos em Lisboa também é inútil, já que essas velhas caras não vão ouvir nada de novo.

      O que eu acho é que se tem de apostar na diversidade, ir a sítios que não a capital, mesmo que haja apenas uma ou duas pessoas na audiência. Ao fim de algum tempo, aposto que começarão a vir caras novas. Grão a grão enche a galinha o papo. Temos de ser persistentes, irreverentes, comunicativos. Cativar as pessoas.
      Não podemos ser muitos se não há tradição de eventos sobre o Fantástico que não em Lisboa e, muito timidamente, no Porto.

      Afinal, falar sempre para as mesmas pessoas deve cansar. Tentemos atingir outros, ainda que não sejamos muito bem sucedidos no início.
      😉

      • Luís Rodrigues said,

        “O que eu acho é que se tem de apostar na diversidade, ir a sítios que não a capital, mesmo que haja apenas uma ou duas pessoas na audiência. Ao fim de algum tempo, aposto que começarão a vir caras novas.”

        Infelizmente, há anos que se promovem eventos na capital, e caras novas (quase) nem vê-las. Em última análise, constatamos com tristeza que afinal só podemos contar com os suspeitos do costume, como aconteceu no lançamento da antologia Com a Cabeça na Lua. Que garantias temos que o mesmo não ia acontecer noutros pontos do país, mas com menos (ou mesmo sem) suspeitos?

        Mas que isso não seja impeditivo de coisa nenhuma! Porque é que, em vez de esperares que outros movam montanhas pelo género, não organizas tu um evento? Uma sessão de leituras públicas, por exemplo, como as que o Luís Filipe Silva organizou há uns anos na Ler Devagar. Não custa muito a pôr de pé e é uma tarde ou noite bem passada.

    • Joel Puga said,

      O problema (se é que se trata realmente de um problema), para mim, é um possível conflito de gerações. Aquilo que as novas caras procuram num livro, o que tiram dele e os sentimentos que são despertados são totalmente diferentes. Atrevo-me a dizer que, se mostrarem às “caras novas”, um dos livros que os mais veteranos costumam ler, a maioria nem sequer o ia incluir no género que costumam ler.

      Aliás, como foi dito noutro local, certos autores levam muitas caras novas ao FF, que se vão embora logo a seguir, e dúvido que isto se deve apenas ao messianismo do seu ídolo.

      Atenção, isto é apenas uma constatação, não estou a culpar nem a críticar ninguém.

      • Álvaro Holstein said,

        O gap geracional tem a sua influência quanto aos gostos, já quando às classificações não me parece mesmo.

        Já quanto ao “messianismo” acho que ele existe mesmo e que os autores e sobretudo as editoras o cultivam.

  15. Francisco Norega said,

    Penso que é um risco a correr, o de não ter público. Mas pelo menos fazer as coisas.

    «Mas que isso não seja impeditivo de coisa nenhuma! Porque é que, em vez de esperares que outros movam montanhas pelo género, não organizas tu um evento? Uma sessão de leituras públicas, por exemplo, como as que o Luís Filipe Silva organizou há uns anos na Ler Devagar. Não custa muito a pôr de pé e é uma tarde ou noite bem passada.»
    Totalmente de acordo. Estou apenas à espera de arranjar alguém com quem trabalhar (a Safaa, o Roberto Mendes, o próprio Luís… :D). Teria todo o gosto em organizar, por exemplo, um Ciclo dedicado ao Fantástico na Fnac Coimbra. Palestras, lançamentos, projecções.
    Terei todo o gosto em participar, mas não avançarei sozinho, pois sei que não tenho estaleca.

  16. Safaa Dib said,

    “Bem, por esse ponto de vista, fazer os eventos em Lisboa também é inútil, já que essas velhas caras não vão ouvir nada de novo.”

    Mas aquilo ao qual eu estou a tentar alertar é precisamente o facto de os eventos em Lisboa estarem a tornar-se cada vez mais inúteis, e a não ser que haja uma mobilização mais forte de pessoas interessadas, há o perigo aqui de pensarmos se vale a pena sequer o esforço de organizar mais eventos.

    E desculpa, mas os esforços e recursos necessários para se organizar fora da capital requerem mais do que 2 ou 3 gatos pingados. Aliás, nem faz sentido que sejam as pessoas de Lisboa a ter que ir ao Porto ou a Viana ou a Faro ou outra cidade qualquer organizar eventos. Se houver já um núcleo local interessado em convidar à organização, aí já se consideraria a coisa com outros olhos…

    Isto de organizar coisas é um bocadinho mais complexo do que se pensa!

    • Francisco Norega said,

      Bem, não é assim tão difícil.

      Eu não estou a pedir que venham pessoas de Lisboa e de Viana de Castelo e de Faro organizar um evento em Coimbra, estou a dizer que estaria disponível para ajudar a organizar (nunca fazê-lo sozinho). E para divulgar.
      Organizar um ciclo numa Fnac não era muito difícil. Escolher três ou quatro filmes para projectar, escolher uma noite para fazer uma tertúlia, ver que livros saem na altura e que lançamentos se pode fazer. Convidar autores, editores e pessoas ligadas ao género para fazer esses lançamentos e guiar as tertúlias. Tudo se faz, com vontade.

      • Rafa said,

        “Tudo se faz, com vontade.” Vontade, dinheiro e tempo.
        Vontade pelo que se vê existe, dinheiro arranja-se, problema é que para se ter dinheiro temos que trabalhar e isso leva tempo, logo a disponiblidade vai pelo cano especialmente se tivermos uma familia.

        A Fnac só ajuda a sua própria carteira, eventos como o outubro negro são para meter dinheiro ao bolso,a Fnac não vai gastar recursos e dinheiro para lá estarem meia duzia de fans. A Fnac lembra-me aquelas lojas que deixa usar o seu espaço mas que no final se não comprarmos nada os donos ficam furiosos e nunca mais cedem o dito espaço.

        Quanto aos eventos porque não começas com um simples encontro de fans aka meet (Isto vindo de mim é como comer brasas seguidas de pregos), arranjas algumas pessoas de foruns conhecidos dentro do género que tragam amigos para o evento, depois com o passar do tempo e com bases estabelecidas tentas então fazer algo maior como convidar autores e editoras, esperar por um messias é inutil em Portugal, o melhor é mesmo tentares fazer as coisas se tens assim tanta vontade.🙂

  17. Safaa Dib said,

    “Organizar um ciclo numa Fnac não era muito difícil. Escolher três ou quatro filmes para projectar, escolher uma noite para fazer uma tertúlia, ver que livros saem na altura e que lançamentos se pode fazer. Convidar autores, editores e pessoas ligadas ao género para fazer esses lançamentos e guiar as tertúlias.”

    O teu idealismo e optimismo são refrescantes e não sou eu que irei destruir essa força de vontade, nem temperá-la com o que eu já sei… Mas nunca te esqueças de que aquilo que pretendes fazer já outros fizeram e se fosse realmente fácil, teria havido muito mais programações do que na verdade houve.

    E a Fnac já não anda tão amiga do público e editores infelizmente…

  18. igdrasil said,

    NOVO FÓRUM DA LITERATURA FANTÁSTICA

    O Novo Fórum Correio do Fantástico já está disponível em :

    http://forumcorreio.forumeiros.com/

    Este espaço será um ponto de encontro entre todos os apreciadores do fantástico nas artes e terá como principal objectivo a promoção da discussão sobre os géneros da ficção científica, fantasia e terror. Também terá o objectivo de divulgar contos originais e de promover críticas construtivas aos mesmos tal como tem acontecido no Anagrama Anárquico.

    Participem, inscrevam-se já para podermos iniciar juntos mais esta viagem pelo fantástico!

    Roberto Mendes

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