Harold Pinter

January 3, 2008 at 12:15 pm (Livros/BD/revistas)

Publicado pela primeira vez a 14 de Outubro de 2005, por ocasião da atribuição do Prémio Nobel da Literatura 2005 a Harold Pinter.

Para os que estão familiarizados com o mundo do teatro, o nome do britânico Harold Pinter não passa despercebido. A sua notoriedade e prestígio já tinham sido alcançados muito antes da atribuição do Prémio Nobel da Literatura 2005. Na verdade, já tinha sido distinguido com prémio tão variados e reputados como o European Prize for Literature, Pirandello Prize, Shakespeare Prize, Laurence Oliver Award e a lista continua.

Nascido em 1930, em Londres, Harold Pinter foi forçado aos nove de anos de idade à evacuação da cidade de Londres, durante a II Guerra Mundial, cidade a que só regressou três anos mais tarde, uma experiência que nunca mais esqueceria. Começou por publicar poesia na sua juventude, até se dar a sua entrada no mundo do teatro primeiramente como actor. Foi através da sua actividade de dramaturgo que consolidou muita da sua reputação literária, actividade essa que iniciou na sua primeira peça The Room, encenada pela primeira vez em 1957, por um grupo universitário, em Bristol.

Seguiram-se, em finais dos anos 50 e inícios de 60, as suas peças iniciais mais influentes, como The Birthday Party (1958), The Caretaker (1960) e The Homecoming (1964), que definiram um novo estilo dramático marcado pelo Teatro do Absurdo. Daí que surja como consequência o facto de Harold Pinter considerar Samuel Beckett, uma das figuras mais representantivas do Absurdo, como seu mentor.

Mas o teatro de Pinter acaba por descobrir o seu próprio terreno e demarca-se do Absurdo, criando uma nova forma dramática a que muitos apelidaram de comedy of menace (comédia de ameaça). Nas palavras da Academia Sueca, Pinter é um escritor que, nas suas peças, descobre o precípicio sob a conversa fútil do dia-a-dia e força a entrada nas salas fechadas da opressão.

Por baixo da aparente normalidade e da pretensão das personagens em pensarem que controlam as suas vidas, esconde-se uma tensão e amargura, um grito de raiva abafado, que acaba por instaurar nas peças um autêntico ambiente de irracionalidade e repressão, acentuado pelos diálogos e actos imprevisíveis das personagens.

Não foi apenas no teatro que se distinguiu, mas também pela sua dedicação ao cinema como guionista. Adaptou várias obras literárias para guiões memoráveis, destacando-se em especial aqueles em que colaborou com o realizador Joseph Losey, nos filmes The Servant e The Go-Between, tendo ainda realizado a adaptação cinematográfica da obra de John Fowles, The French Lieutenant’s Woman, em 1981.

A sua preocupação em expor temas como tirania, opressão e injustiça levou-o numa fase mais tardia a enveredar por um caminho cada vez mais marcado por uma voz de protesto político. Um acérrimo defensor dos direitos humanos, tem sido notícia de jornais, nos últimos anos, pelos seus violentos ataques à administração Bush e Blair e a condução das suas políticas externas. Em 2005, anunciou que colocara um término à sua carreira de dramaturgo, pretendendo dedicar-se por completo ao activismo político.

As suas obras foram todas traduzidas para português pela editora Relógio D’àgua e, ao longo dos anos, o grupo Artistas Unidos tem-se dedicado à revisitação e encenação das suas peças teatrais.

Harold Pinter inscreve o seu nome nas letras como uma das figuras mais emblemáticas do teatro contemporâneo pós-guerra, detentor de uma carreira consagrada que culmina com a atribuição do Prémio Nobel da Literatura 2005.

Para os interessados em aprofundar a vida e obra do autor:

Biografia e Bibliografia do autor disponibilizada pela Academia Sueca
Biografia na Wikipedia
Literary Encyclopedia

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