Youth Without Youth

November 3, 2007 at 10:43 am (Strange Land)

Estar-se ocupado pode revelar-se como um inferno sem fim à vista. A tentação de acumular mais e mais responsabilidades e mais e mais trabalhos está sempre presente no horizonte. No início, aceitamos uma nova tarefa no calor do entusiasmo, mas o horror só nos atinge com toda a força quando nos apercebemos de que cumprir essa tarefa será bem mais excruciante do que o previsto. O problema que isto representa é que, nessa altura, já não há forma de escapar de cabeça erguida da responsabilidade, tem que se ir bem até ao fundo do poço que se comprometeu a descer.

Estar-se ocupado, dirão os mais letrados, é bom para a saúde. A mente não suporta a inércia e o mofo a acumularem-se em recantos escuros, dirão eles. O que eles não mencionam é como toda essa actividade frenética abre as portas para o território negro das inseguranças e o medo.

A dúvida instala-se quando certos sinais começam a ser encarados como mau presságio, abrindo passagem à superstição.

Mas depois vem o medo. O medo é o assassino da mente.

Durante o dia sentimo-nos fortes o suficiente para aguentar qualquer obstáculo, mas quando tudo o que vemos do outro lado do vidro da janela são as trevas nocturnas, toda a nossa bravura se afunda como uma embaracação frágil no meio das ondas revoltas. Porque é que todas as coisas que nos perturbam perseguem-nos tanto à noite? O desespero cresce nas horas mortas e sentimo-nos tentados a tomar decisões desesperadas, anormais mal raiar o dia. Todos os conflitos mal resolvidos, todos os pormenores que nos angustiam, todas as pequenas catástrofes do dia, todas as humilhações pessoais voltam como fantasmas para nos assombrar na noite.

Depois o dia irrompe e a angústia torna-se ligeira, quase insignificante. Surpreendemo-nos com as proporções que tomou e só restam uns olhos cavados e um ar pálido de fantasma a denunciar que a noite não foi pacífica. E logo começa mais um dia.

Era jovem e o mundo pertencia-me

Mas agora a minha juventude foi-se e não lhe fiz um funeral apropriado.


2 Comments

  1. Rafael aka Shy said,

    RIP Juventude.
    Vá lá podia ser pior -» ainda «- não te chamam “cota”…
    Além do mais não ficaste sem cabelo…lol

  2. Safaa Dib said,

    LOL, o cabelo está todo branco, homem. Tenho que o pintar constantemente.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: