The rest of the brave
Correu muito bem o Fórum, embora o início tenha sido um pouco tremido com o atraso do vôo de C. B. Cebulski que forçou o adiamento da apresentação Chesterquest para sexta-feira.
Mas de resto, foram umas conferências impecáveis e muito interessantes. Os escritores convidados eram imensamente divertidos e tenho pena de não ter sido possível conviver mais com eles. A menina está contente por ter visto tanta receptividade por parte do público e agora espero darmos um salto significativo na edição de 2008.
Agora que tudo terminou, e uma vez que não tenho nada nos próximos tempos em termos de trabalho extra-laboral, nem traduções, nem tão cedo fóruns, embora outras actividades precisem de acompanhamento, posso muito bem, neste momento, levar as coisas com mais calma.
Vou pôr a leitura em dia, vou pôr o cinema em dia, vou aproveitar um quotidiano menos tenso e sem (tantas) preocupações. Descansar um pouco com a chegada do Natal, começar a dedicar mais tempo a projectos de escrita, pois quero saber se vale a pena continuar por esse caminho ou não.
Nem tudo vai ser recatado e pacífico nos próximos tempos, já soube que terei que fazer uma viagem nos próximos tempos mais cedo do que o previsto.
Já coloquei as minhas fotos do Fórum online. Uma pena que não tenha sido possível tirar mais fotos pessoais e divertidas, com os autores, mas o meu objectivo era ter um registo fotográfico das conferências e estava demasiado ocupada (ou cansada) para conseguir tirar outro tipo de fotos.
Youth Without Youth
Estar-se ocupado pode revelar-se como um inferno sem fim à vista. A tentação de acumular mais e mais responsabilidades e mais e mais trabalhos está sempre presente no horizonte. No início, aceitamos uma nova tarefa no calor do entusiasmo, mas o horror só nos atinge com toda a força quando nos apercebemos de que cumprir essa tarefa será bem mais excruciante do que o previsto. O problema que isto representa é que, nessa altura, já não há forma de escapar de cabeça erguida da responsabilidade, tem que se ir bem até ao fundo do poço que se comprometeu a descer.
Estar-se ocupado, dirão os mais letrados, é bom para a saúde. A mente não suporta a inércia e o mofo a acumularem-se em recantos escuros, dirão eles. O que eles não mencionam é como toda essa actividade frenética abre as portas para o território negro das inseguranças e o medo.
A dúvida instala-se quando certos sinais começam a ser encarados como mau presságio, abrindo passagem à superstição.
Mas depois vem o medo. O medo é o assassino da mente.
Durante o dia sentimo-nos fortes o suficiente para aguentar qualquer obstáculo, mas quando tudo o que vemos do outro lado do vidro da janela são as trevas nocturnas, toda a nossa bravura se afunda como uma embaracação frágil no meio das ondas revoltas. Porque é que todas as coisas que nos perturbam perseguem-nos tanto à noite? O desespero cresce nas horas mortas e sentimo-nos tentados a tomar decisões desesperadas, anormais mal raiar o dia. Todos os conflitos mal resolvidos, todos os pormenores que nos angustiam, todas as pequenas catástrofes do dia, todas as humilhações pessoais voltam como fantasmas para nos assombrar na noite.
Depois o dia irrompe e a angústia torna-se ligeira, quase insignificante. Surpreendemo-nos com as proporções que tomou e só restam uns olhos cavados e um ar pálido de fantasma a denunciar que a noite não foi pacífica. E logo começa mais um dia.
Era jovem e o mundo pertencia-me
Mas agora a minha juventude foi-se e não lhe fiz um funeral apropriado.





