Preacher de Garth Ennis

October 21, 2007 at 5:04 pm (Livros/BD/revistas)

Tenho estado a ler Preacher de Garth Ennis (arte de Steve Dillon) e tem sido uma experiência intensa. Das nove colectâneas li as primeiras três de rajada. Demasiada violência e sexo? sim. Demasiado gore e horror? Sim. Herético e profano? Sempre. Mas a narrativa é brilhante e a forma como lida com religião é nada menos do que honesta e crua.

Jesse Custer é possuído por uma entidade de nome Genesis, fruto da relação proibida entre um anjo e um demónio. E porque em Genesis a luz alia-se às trevas, a simbiose com a alma de Custer tornou-o o ser mais poderoso da existência, capaz de desafiar o poder de Deus.

Perseguido por figuras insanas e aterrorizadoras, e tendo como companhia apenas a namorada de muitos anos, Tulip, e um vampiro irlandês de nome Cassidy, Jesse procura por Deus numa terra de pecado, mas tudo o que encontra são demónios e homens que tentam manipulá-lo ou destruí-lo.

O que gosto em Jesse Custer? É um preacher por força de circunstâncias, não por devoção ou qualquer acto de fé. O seu colarinho não representa qualquer tipo de moralismo hipócrita e é apenas um ser humano que acidentalmente se torna numa divindade.

O que essencialmente vemos ao longo da história é um homem torturado pela noção de que tem que fazer as escolhas certas entre o bem e o mal. Algumas temáticas retratadas são demasiado fortes, mas estão expostas perante todos, pondo em questão a sociedade americana.

Nem tudo são trevas. Adoro o sentido de humor entre Custer e Cassidy. E gosto ainda mais da sua interacção com Tulip. É no fundo uma história de amor, e Jesse não tem vergonha de mostrar os seus sentimentos.

O slang americano de Texas dá a volta à cabeça ao leitor, mas no momento em que entramos na narrativa, é uma viagem brutal e a redenção não parece estar ao alcance da mão.

Mal posso esperar para ler o resto.

1 Comment

  1. Escalla said,

    Eu bem disse!!
    Preacher é mesmo isso, é algo á parte, não há nada igual.
    Quem lê qualquer coisa do Garth Ennis rapidamente se apercebe que ele não é meramente um grande pervertido, as relações entre as personagens mais improváveis são sempre puramente humanas, é por isso que conseguimos sempre ter qualquer tipo de conexão com elas.

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