Twilight Samurai

September 9, 2007 at 1:57 am (Cinema e TV)

No fim-de-semana passado, chamou-me a atenção que o filme Tasogare Seibei (Twilight Samurai) de Yoji Yamada iria ser exibido pela Cinemateca.

Se a memória não me trai, vi este filme em 2005, atraída pelo título curioso. Tem um poster belíssimo, um perfeito complemento à sobriedade e grandeza do filme. Grandeza não no sentido de sumptuoso, mas na linha de uma verdadeira obra-prima.

Longe de se tratar de um mero filme de acção que envolve espadas e samurais, Twilight Samurai centra-se na história de um samurai de origens humildes do século XIX que, após a morte da esposa por tuberculose, se vê a braços com a educação de 2 filhas pequenas que adora e uma mãe senil.

Um samurai pobre, servo de um grande clã, todos os dias sai do trabalho à hora do crepúsculo, recusando os convites dos colegas para o convívio, o que lhe granjeia a alcunha de “Twilight Samurai”. Sem uma esposa, o trabalho doméstico recai nos seus ombros e, gradualmente, Seibei afasta-se da sua antiga vida dedicada a artes marciais, das quais é um excelente praticante.

O regresso de Tomoe à vila, uma amiga de infância que se divorciou do seu marido agressivo e alcoólico, faz com que a amizade seja renovada, e assim, a presença de Tomoe ilumina as suas vidas, conseguindo cativar com a sua beleza e encanto as filhas e o pai.

Mas um dia, uma prova é exigida ao pai de família que lhe poderá custar a vida. Seibei tem que cumprir as ordens do seu clã e derrotar um guerreiro samurai que se recusara a cumprir hara-kiri, o ritual samurai de suicídio…

Twilight Samurai retrata o fim da era feudal dos Shoguns e o desmoronar dos códigos e vida samurai que atingem o seu crepúsculo, para dar lugar a uma nova vida, centrada nos valores do amor e família. São esses valores que prevalecem, acima de tudo, perante as tragédias não anunciadas e perante a vulnerabilidade da vida.

Nunca mais me esqueci deste filme. Muitas vezes penso nele e ainda hoje a sua subtileza, beleza, sensibilidade outonal e emoção contida impressionam-me.

Só mais tarde descobri que Yoji Yamada criou uma trilogia de samurais em que Tasogare Seibei é apenas o primeiro. Seguiram-se, em 2004, Kakushi Ken Oni no Tsume (The Hidden Blade) e em 2006, Bushi no Ichibun (Love and Honor), que irei tentar descobrir e ver.

Este último será interessante, tão só pela presença do actor japonês Takuya Kimura (2046) no papel de um samurai cego que se irá confrontar com o seu próprio orgulho.

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