Fórum ‘As Crónicas de Gelo e Fogo’

September 22, 2007 at 1:01 pm (Livros/BD/revistas)

Após alguns anos a moderar fóruns dedicados a literatura, e quando já me tinha afastado do mundo dos topics, posts e flame wars, tudo volta.

Aceitei o convite da Saída de Emergência para moderar o fórum dedicado à obra do George R. R. Martin, inaugurado por ocasião da publicação portuguesa A Guerra dos Tronos, o 1º volume.

Há já alguns anos que tenho professado o meu entusiasmo e admiração por esta saga, e considerando a minha experiência anterior em fóruns, achei natural que aceitasse este convite.

Podem aceder directamente ao Fórum aqui. Fóruns dedicados a autores a funcionarem através das editoras não são um objecto muito frequente e não tenho conhecimento de nenhum a operar em Portugal. É uma experiência que não faço ideia se irá resultar. Mas considerando que existem bastantes fãs de Martin em Portugal, e considerando a forte campanha publicitária que está a ser realizada pela editora, poderá ter resultados positivos.

E por agora, deixo-vos a sinopse da contra-capa, pois quero abrir-vos o apetite.

Quando Eddard Stark, lorde do Castelo Winterfell, recebe a visita do velho amigo, o rei Robert Baratheon, está longe de adivinhar que a sua vida, e a da sua família, está prestes a entrar numa espiral de tragédia, conspiração e morte. Durante a estadia, o rei convida Eddard a mudar-se para a corte e a assumir a prestigida posição de Mão do Rei. Este aceita, mas apenas porque desconfia que o anterior detentor desse título foi envenenado pela própria rainha: uma cruel manipuladora do clã Lannister. Assim, perto do rei, Eddard tem esperança de o proteger da soberana. Mas ter os Lannister como inimigos é fatal: a ambição dessa família não tem limites e o rei corre um perigo muito maior do que Eddard temia. Sozinho na corte, Eddard apercebe-se que também a sua vida nada vale. E até a sua família, longe no norte, pode estar em perigo.

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De volta aos Period Dramas

September 11, 2007 at 8:34 pm (Cinema e TV)

Os period dramas voltam a entrar na sua máxima força este ano. Recriações históricas em cinema têm conhecido altos e baixos, nunca desaparecendo efectivamente das salas de cinema. Este ano, coincidência ou não, parece ser um ano excepcional, muito acima do mediano.

Lust, Caution de Ang Lee. Galardoado com o prémio máximo do Festival de Veneza, recria a Shangai do tempo da II Guerra Mundial, onde encontramos uma menina que cresce para se tornar uma mulher treinada para matar o inimigo. Envolvida num perigoso jogo de espionagem, deixa-se arrastar pela figura poderosa e enigmática de Mr. Yee.

De terras britânicas, chega Atonement onde brilha, para além de Keira Knightley, a revelação que se tornou o actor James McAvoy.

Curiosamente, tem algum background em fantástico. Deu os primeiros passos em ficção científica na mini-série Children of Dune, na qual assumiu o papel de Leto II. E mais tarde, vimo-lo como o fauno Mr. Tumnus em As Crónicas de Narnia. Foi, no entanto, a sua interpretação como Nicholas Garrigan em The Last King of Scotland que o colocou no caminho para o estrelato.

Este actor escocês muito ocupado tem somado pontos e conquistado a crítica com o seu talento excepcional. Em breve, iremos vê-lo em Atonement, baseado na obra premiada de Ian McEwan. Tenho lido o livro e fui absolutamente conquistada pela prosa talentosa de McEwan. Tinha evitado este autor durante tanto tempo, julgando ser produto de um mero hype, mas estou a tempo de me remediar da situação.

Até lá, aguardo por Atonement, o filme escolhido para a abertura do Festival de Veneza. Parece que o corpo de Keira Knightley assenta que nem uma luva na figura alta e frágil das mulheres do séc. XIX. Nasceu na época errada.

Dentro ainda dos period dramas, o western volta a centrar atenções, mostrando ser um género que ainda dá luta. Se por um lado, temos o remake de 3:10 to Yuma com Christian Bale e Russell Crowe, por outro lado, será decerto o mediático The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford com Brad Pitt e Casey Affleck que irá catapultar de novo o western para a linha da frente.

O filme parece determinado a capturar aquela grande aura mística que rodeia a vida dos cowboys, onde a arma é a única lei que prevalece, e é o fora-da-lei Jesse James que melhor personifica esse tempo singular da história da América.

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Twilight Samurai

September 9, 2007 at 1:57 am (Cinema e TV)

No fim-de-semana passado, chamou-me a atenção que o filme Tasogare Seibei (Twilight Samurai) de Yoji Yamada iria ser exibido pela Cinemateca.

Se a memória não me trai, vi este filme em 2005, atraída pelo título curioso. Tem um poster belíssimo, um perfeito complemento à sobriedade e grandeza do filme. Grandeza não no sentido de sumptuoso, mas na linha de uma verdadeira obra-prima.

Longe de se tratar de um mero filme de acção que envolve espadas e samurais, Twilight Samurai centra-se na história de um samurai de origens humildes do século XIX que, após a morte da esposa por tuberculose, se vê a braços com a educação de 2 filhas pequenas que adora e uma mãe senil.

Um samurai pobre, servo de um grande clã, todos os dias sai do trabalho à hora do crepúsculo, recusando os convites dos colegas para o convívio, o que lhe granjeia a alcunha de “Twilight Samurai”. Sem uma esposa, o trabalho doméstico recai nos seus ombros e, gradualmente, Seibei afasta-se da sua antiga vida dedicada a artes marciais, das quais é um excelente praticante.

O regresso de Tomoe à vila, uma amiga de infância que se divorciou do seu marido agressivo e alcoólico, faz com que a amizade seja renovada, e assim, a presença de Tomoe ilumina as suas vidas, conseguindo cativar com a sua beleza e encanto as filhas e o pai.

Mas um dia, uma prova é exigida ao pai de família que lhe poderá custar a vida. Seibei tem que cumprir as ordens do seu clã e derrotar um guerreiro samurai que se recusara a cumprir hara-kiri, o ritual samurai de suicídio…

Twilight Samurai retrata o fim da era feudal dos Shoguns e o desmoronar dos códigos e vida samurai que atingem o seu crepúsculo, para dar lugar a uma nova vida, centrada nos valores do amor e família. São esses valores que prevalecem, acima de tudo, perante as tragédias não anunciadas e perante a vulnerabilidade da vida.

Nunca mais me esqueci deste filme. Muitas vezes penso nele e ainda hoje a sua subtileza, beleza, sensibilidade outonal e emoção contida impressionam-me.

Só mais tarde descobri que Yoji Yamada criou uma trilogia de samurais em que Tasogare Seibei é apenas o primeiro. Seguiram-se, em 2004, Kakushi Ken Oni no Tsume (The Hidden Blade) e em 2006, Bushi no Ichibun (Love and Honor), que irei tentar descobrir e ver.

Este último será interessante, tão só pela presença do actor japonês Takuya Kimura (2046) no papel de um samurai cego que se irá confrontar com o seu próprio orgulho.

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Terror no S. Jorge

September 8, 2007 at 6:33 pm (Cinema e TV)

Semana marcada por noites de horror na companhia do fandom português de ficção científica, fantasia e horror que já não via há uns bons meses. Os Luíses todos, o António de Macedo, o David Soares e a Gisela, o João Barreiros e a Modesta e, claro, o João Seixas, a quem agradeço o convite que me fez para o acompanhar ao festival. O MotelX acabou por ser uma óptima ocasião para o convívio, ainda para mais quando há boas razões para festejar – o lançamento da nova antologia da Chimpanzé Intelectual Contos de Terror do Homem-Peixe com a participação de velhos e novos ilustres da praça.

Mas antes de chegarmos ao dia do lançamento, devo dizer que sobrevivi incólume à noite de estreia.

Juntamente com João Seixas e António de Macedo, participámos no cocktail que antecedeu a abertura do festival onde foi possível apreciar a bela vista sobre Lisboa do topo do Palácio Belmonte. E lá permanecemos em amena cavaqueira, saboreando acepipes (caviar, hah!).

Mais tarde, rumámos para o jantar. Infelizmente, ficámo-nos pelas boas intenções tão só porque os convites tinham que ser trocados por bilhetes na bilheteira e à nossa hora de chegada já uma enorme fila cobria os passeios em frente do cinema S. Jorge.

De qualquer das formas, a organização está de parabéns, pois a exibição de The American Nightmare teve direito a uma sala cheia ( se bem que não recomendo a alminhas sensíveis a experiência de 848 pessoas na mesma sala, sem ar condicionado). Com uma semana marcada por dias de verão, não foi fácil suportar o forno que é o S. Jorge.

Pormenores destes à parte, a primeira noite foi marcada pela exibição da curta-metragem Sangue Sobre Vermelho de Pedro Baptista. Um início auspicioso que rapidamente derrapa, convertendo-se em alvo de chacota por parte do público quer pela incapacidade de interpretação dos actores, quer por um argumento fraco e previsível. As minhas gargalhadas foram inteiramente genuínas e ruidosas.

Sobre The American Nightmare, o melhor será que leiam as palavras de João Seixas, no seu blogue Blade Runner. Aliás, a passagem pelo blogue é mesmo obrigatória, uma vez que o João ofereceu uma excelente visão do que foram os primeiros dias do festival e os filmes que por lá passaram.

O segundo dia foi marcado pela apresentação da antologia, com a presença de quase todos os escritores e o ilustrador. Mais uma oportunidade para rever amigos e trocar ideias sobre projectos, o Fórum Fantástico, novos livros que vão ser publicados no horizonte, apoio a divulgação, etc.

Jantar com a malta e rumo a casa depois de dois dias de rastos.

Amanhã conto ver Cronos de Guillermo Del Toro às 15.30 na sala 3 do S. Jorge, naquele que será o último dia do festival internacional de cinema de terror, Motelx. E que continue por muitos anos.

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