All things have a name

July 8, 2007 at 12:47 pm (Strange Land)

The witch took from the boy his name Duny, the name his mother had given him as a baby. Nameless and naked he walked into the cold springs of the Ar where it rises among rocks under the high cliffs. […] As he came to the bank Ogion, waiting, reached out his hand and clasping the boy’s arm whispered to him his true name: Ged.

Thus was he given his name by one very wise in the uses of power.

A Wizard of Earthsea, Ursula K. Le Guin

All things have a name. Todas as coisas têm um nome. E escolher o nome para este blogue não foi fácil. Mas depois descobri-o num instante-relâmpago e nunca mais quis pensar em outro.

Stranger in a Stranger Land combinava todas as possíveis facetas dos meus gostos pessoais, e ainda definia um traço essencial da minha identidade, se possível falarmos de identidade em singular na vida de um imigrante. Amin Maalouf compreendeu-o na obra A Identidade Assassina.

Stranger in a Strange Land é, antes de mais, conhecido como a extraordinária obra de ficção científica da autoria de Robert Heinlein.

A 7 de Julho, celebrou-se o centenário do nascimento de Heinlein, talvez o mais popular autor da ficção científica moderna e considerado um escritor de culto entre a geração da contracultura pelas suas ideias revolucionárias no campo da religião e sexualidade.

Stranger in a Strange Land será talvez a sua obra-prima. É a história de Valentine Michael Smith, um humano criado por marcianos que regressa à Terra, assumindo-se gradualmente como uma figura messiânica que muda a Humanidade.

Para o título, Heinlein inspirou-se no Livro do Êxodo. Após a fuga do Egipto, Moisés casa-se com Zipporah e ela concebe um filho que recebe o nome de Gershom (significa hóspede), pois Moisés diz: tenho sido um estranho numa terra estranha.

Com dois coelhos de uma cajada só, através de um nome, consegui exprimir o que gosto e o que eu sou. O que gosto é essencialmente literatura, e este nome combina o fantástico com o religioso. Não sei de onde advém a minha estranha fascinação pela leitura de textos religiosos que sempre conseguiu atingir alguma corda profunda em mim, mas daí deriva provavelmente o meu entusiasmo pela literatura do fantástico, sendo aquela a que detém uma maior capacidade para expressar (e até substituir) todas as formas do divino.

God Judging Adam, William Blake, 1795

E por fim, Estranho numa Terra Estranha define, como Moisés sentiu em relação a ele próprio, a verdade sobre a sua identidade, pois como Michael Valentine Smith, nem Marte, nem a Terra constituem lugares de pertença, sendo para sempre, e em qualquer local, uma pessoa do outro mundo.

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