Zodiac

June 7, 2007 at 11:28 am (Cinema e TV)

Zodiac poderia ter sido um grande filme, se tivesse sido menos fiel aos factos em redor da série de crimes que ocorreram em S. Francisco, nos anos 60 e 70. Da forma como foi realizado, assistimos a uma obra que se centra em obsessões.

Na obsessão de um assassino que o leva a pôr fim às vidas de pessoas inocentes. Na obsessão de um jornalista consciente de esta ser provavelmente a reportagem mais decisiva da sua vida. Na obsessão de um cartonista que não irá ter paz na sua vida até que descubra a identidade do assassino. Na obsessão de um polícia, determinado a encontrar a solução para os crimes. E, finalmente, na obsessão de um realizador em retratar até à exaustão a busca destes homens pela verdade sobre a identidade do assassino.

Baseado em factos verídicos, a história tem o mérito de ser notavelmente construída em torno dos detalhes da investigação policial e jornalística do serial-killer que passou a ser conhecido pelo nome de Zodiac.

É um filme de homens, e o casting não poderia estar melhor composto, com alguns dos melhores actores da actualidade. Robert Downey Jr. é sempre especial nos papéis que desempenha e a sua interpretação do jornalista Paul Avery é talvez a que mais confere um feeling seventies ao filme. Jake Gyllenhaal cumpre o seu papel como sempre, mas talvez tenha admirado mais a interpretação de Mark Ruffalo, Anthony Edwards e até Brian Cox. Uma nota muito positiva também para Chloe Sevigny que acabou por assentar que nem uma luva.

No entanto, sentimos a falta de algo em Zodiac e provavemente o que terá retirado toda a força cinematográfica ao filme é a sensação de que o realizador tomou a decisão de se comprometer com a verdade dos factos. Independentemente do rigor e verdade que ninguém pode negar estar presente em Zodiac, acabam por ter o efeito de inviabilizar uma obra verdadeiramente fascinante.

Após duas horas em que a minúcia dos pormenores toma de assalto o espectador, vem a consciência de que ainda restam mais 30 minutos de filme, indo estes ainda mais ao fundo da investigação, se possível. Por esta altura, o espectador está já cansado e anseia pela luz ao fundo do túnel, ou neste caso, a luz que se acende na sala e anuncia o final do filme, e sim, já podemos ir para casa.

Não podemos culpar os minimamente familiarizados com a obra de David Fincher, autor de dois grandes clássicos do cinema dos anos 90, 7even e Fight Club, por estarem à espera de um outro filme, quiçá mais cinematográfico, com tudo o que este termo implica, e menos factual.

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