A Estrada de Cormac McCarthy

May 6, 2007 at 7:37 pm (Livros/BD/revistas)

Histórias de miséria e tragédia podem não ser recomendáveis para qualquer leitor, mas até a beleza da narrativa de Cormac McCarthy em A Estrada (The Road) pode ser apreciada pelas naturezas mais sensíveis.

Já disponível em português, vencedor do Pullitzer Prize for Fiction de 2007, e um dos livros mais notáveis de 2006, a Relógio de Água manteve a capa original e o negro profundo é o negro reflectido no percurso do pai e filho, protagonistas deste extraordinário livro.

O Inferno é a única coisa que pai e filho vislumbram ao fundo da estrada, numa terra devastada por uma Apocalipse. Os fortes laços que os unem são a sua única protecção perante a bárbarie e crueldade que são forçados a enfrentar a cada passo. O pai vive apenas para proteger o filho, o espelho de inocência. E a única forma de o filho poder salvar o pai é através da sua ternura e amor.

O estilo é despojado e conciso, seco e, no entanto, poético. Ler este livro é como voltarmos a enfrentar o horror presente em O Pássaro Pintado de Jerzy Kosinski, em combinação com o desespero de uma terra e um povo abandonados por Deus, sentimento tão presente na obra de Thomas Hardy.

É uma história que parte o coração, mas é esta visão distópica aterradora de Cormac McCarthy, a par de tantas outras, que serve como advertência contra as trevas que assombram o Homem. Deixo-vos aqui um excerto na língua original.


With the first gray light he rose and left the boy sleeping and walked out to the road and squatted and studied the country to the south. Barren, silent, godless. He thought the month was October but he wasnt sure. He hadnt kept a calendar for years. They were moving south. There’d be no surviving another winter here.

When it was light enough to use the binoculars he glassed the valley below. Everything paling away into the murk. The soft ash blowing in loose swirls over the blacktop. He studied what he could see. The segments of road down there among the dead trees. Looking for anything of color. Any movement. Any trace of standing smoke. He lowered the glasses and pulled down the cotton mask from his face and wiped his nose on the back of his wrist and then glassed the country again. Then he just sat there holding the binoculars and watching the ashen daylight congeal over the land. He knew only that the child was his warrant. He said: If he is not the word of God God never spoke.

1 Comment

  1. acrisalves said,

    Engraçado. Já estive com o livro várias vezes na mão… Tinha visto uma referência algures e já me tinha chamado à atenção…🙂

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