Poe, a cantora assombrada

January 28, 2007 at 11:41 am (Livros/BD/revistas, Strange Land)

 

Não é um post sobre Edgar Alan Poe, embora a sua influência esteja presente na obra da cantora de nome Annie Danielewski que, num Halloween da sua infância decidiu mascarar-se de Mask of the Red Death, desde então sendo sempre alcunhada de Poe.

Regra geral, outras pessoas descobrem música por mim e partilham-na comigo. A maioria das vezes é música alternativa e independente, maioritariamente anglo-saxónica ou americana, com o qual sinto uma maior afinidade. Também existem muitas vezes que partilham música surreal mas sofisticada e ecléctica, e Poe insere-se nesta categoria.

O álbum Haunted, lançado em 2000, foi inteiramente produzido por Poe no seu computador pessoal. Tem outra característica particular. Não é um produto isolado, antes vai beber inspiração ao livro da autoria do seu irmão, Mark Z. Danielewski, que recentemente atingiu um definitivo estatuto de culto com a obra experimental Only Revolutions, e de quem decerto iremos ouvir falar mais vezes no futuro. Ambos os irmãos, através de formas artísticas diferentes, tentam lidar com a morte traumática do pai, o realizador polaco Tad Danielewski, falecido de cancro em 1993.

Poe através de Haunted, e o irmão através do seu romance de estreia House of Leaves, complementam-se e prolongam-se de certa forma. Mas é o álbum de música que me foi dado a descobrir, e não o livro. Poe expõe-se ao máximo na sua relação com o pai com o qual entra em constante diálogo através da música. Exploration B anuncia a notícia da morte do pai à mãe através do atendedor de chamadas.

Depois a energia transpira nas músicas, por vezes líricas e intimistas a lembrar Aimee Mann ou Tori Amos, como 5 and 1/2 minute hallway, Spanish Doll ou If you Were Here, ou um rock mais cru e enérgico como em Beat of my Own Drum. Mas em todas impera uma voz sensual e madura que não receia se aventurar num campo mais experimental mas sempre controlado pelo talento de Poe.

Uma cantora assombrada por memórias doce e amargas, a atingir uma maturidade tocante através de músicas versáteis, ora sexys, ora emocionais, ora a pulsarem de uma energia vibrante que nos contamina, e de facto, assombra.

Deixo aqui a música Haunted.

3 Comments

  1. Hélder Beja said,

    não é um comentário sobre o post. serve apenas para dizer que hoje, pela primeira vez, tive nas mãos a revista Bang!. fiquei curioso. prometo que em breve chegará também a vez primeira de a comprar.😉
    cumprimentos.

  2. Safaa Dib said,

    Qual delas é que tiveste na mão?

    Espero que gostes!🙂

  3. Viny said,

    I love Haunted

    quando assitir a bruxa de blair 2 e adorei por por causa da Poe

    ;P

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: