Robin Hood

January 21, 2007 at 4:40 pm (Cinema e TV)

Geralmente acompanho as tendências televisivas da TV britânica, especialmente as novas séries de período histórico que ocasionalmente são produzidas sob a égide da BBC.

Jane Eyre, a mini-série de 4 episódios, com Toby Stephens no papel de Rochester e Ruth Wilson como Jane Eyre foi a adaptação mais recente e conseguiu cativar os corações dos apaixonados por period drama (incluíndo o meu). Baseado no romance de Charlotte Brönte, conta a história de uma mulher independente e de princípios que se apaixona por Rochester, um homem que herdou todas as possessões e propriedades da sua família e em torno do qual se ocultam factos tenebrosos acerca do seu passado.

Geralmente, as apostas da BBC nesse campo são bem sucedidas. Mas nem sempre mostram muito bom senso ou prudência nas suas escolhas. Mostrar ousadia no momento certo perante o produto certo deve ser uma das coisas mais difíceis em televisão ou cinema.

Doctor Who foi ressuscitado, primeiro com Christopher Eccleston, e agora com David Tennant, para gáudio de um público nostálgico pelas aventuras do Timelord. Mas para substituir Doctor Who na grelha de programação, enquanto novos episódios eram produzidos, surgiu a dúbia ideia de ressuscitar outro grande clássico entre o público britânico, o herói Robin Hood, que rouba aos ricos para dar aos pobres, ligeiramente adaptado aos tempos modernos.

Actualmente, está a ser exibida pela RTP1 nas tardes de sábado e é tão mau que só dá vontade de esconder a cara e soltar pequenos gemidos de vergonha. Já deverá ir actualmente no 6º episódio, no total de treze. Nem sei por onde começar.

Após cinco anos lutando ao lado do seu rei na Terra Santa, um muito jovem Robin of Locksley regressa à sua terra natal, acompanhado pelo fiel servo, Much (qualquer relação com Sam/Frodo é pura coincidência). Regressa para encontrar o povo e a terra oprimidos pela mão repressiva e cruel do Sheriff de Nottingham e o seu aliado, Sir Guy of Gisborne. Incapaz de se conter perante a violência do Xerife, Robin é declarado um fora-de-lei.

A BBC gastou um total de 8 milhões de libras na produção desta série, mas uma pessoa só se pergunta para onde foi o dinheiro todo perante cenários tão pobre e mal construídos, um guarda-roupa que aparenta ser um cruzamento entre o medieval e o moderno, diálogos maus, alguns bons actores mal aproveitados, uma edição de imagem caótica, lutas e acção risíveis, e nem vou comentar no ridículo que foi o episódio piloto.

Para Robin Hood, escolheram um actor irlandês jovem, Jonas Armstrong, para gáudio das meninas adolescentes. Como xerife de Nottingham temos o stand up comedian Keith Allen, que se parece divertir imenso com o papel de vilão que dorme com pijamas de seda (no séc. XII medieval, note-se). Temos Marian com boas doses de rímel, eyeliner e glose, mas com olhos e expressões bonitas e uma certa determinação masculina independente que a tornam bem vista aos olhos do espectador. O bando de maltrapilhos e companheiros de Robin ficaram a cargo de uns actores competentes, embora todos jovens, presumivelmente para agradar ao público adolescente. Algumas personagens têm caracterização quase inexistente como Little John, imensamente mal aproveitado.

A única coisa que salva a série é a escolha de Richard Armitage como o vilão Guy of Gisborne, um vilão muito mais complexo do que o habitualmente retratado nos inúmeros filmes e séries de Robin Hood. Embora dispense o eyeliner e o cabelo oleoso, Guy of Gisborne é o carrasco ao serviço do Xerife de Nottingham com quem partilha uma relação de servitude e ódio. Ele é forçado a cumprir as ordens, mesmo sabendo que a sua vida é constantemente ameaçada pelos caprichos do Xerife. A sua humanidade é manifesta no amor que sente por Marian, anteriormente prometida a Robin of Locksley, antes de este tomar a decisão de partir para as cruzadas ao serviço de Ricardo Coração de Leão.

Com o regresso de Robin, uma tensão é estabelecida entre estas três personagens que se torna, a uma certa altura, a única coisa que vale a pena ser seguida. O amor ainda presente entre Robin e Marian é ameaçado pela paixão e os ciúmes de Gisborne. Estranhamente, é por Gisborne que sentimos a maior empatia e não por Robin. Ele é o vilão preso entre a sua lealdade para com o mestre e o amor que cresce contra a sua vontade.

Existem muitas referências óbvias também à guerra no Iraque e ao confronto crescente entre o Islão e o Cristianismo, ainda mais exacerbadas pelas menções às Cruzadas e à introdução de Djack, uma mulher muçulmana com conhecimentos de ciência.

Tudo muito meritório mas que falha em produzir qualquer sensação de que estamos perante uma série que irá ser lembrada, ao contrário dos seus predecessores como o filme Robin Hood com Errol Flynn e Olivia de Havilland ou mesmo a série televisiva produzida nos anos 80, Robin Hood and the Sorcerer. Até a versão do Kevin Costner conseguia ser melhor.

Para cada geração, cria-se uma nova encarnação de personagens favoritas intemporais. Mas nem sempre o tempo traz melhorias ou evolução. É isto que a nova geração irá recordar de Robin Hood? Uma pena.

9 Comments

  1. artur said,

    Aquilo realmente é um pouquinho estranho, infantil, até…

  2. Joana said,

    Se eu fosse homem e tivesse testículos eles caiam-me ao ler este absurdo. Esta série é uma das melhores que eu já vi e nenhum de vocês seja lá quem forem têm o direito de dizer alguma coisa.

  3. Sara said,

    Na minha opiniao, como apreciadora desta serie, é que a RTP deveria sim continuar a passá-la… Se quem escreveu isto não gosta dela para que incomodar-se a escrever sobre o assunto?? Acho que se deveria respeitar as opinioes das pessoas… Para ser a história que é, os actores (as) estão muito bem escolhidos, têm boa aparência, são bons no que fazem e não há aquela monotonia de historinha de fantasia… Que a série continue!!

  4. catarina said,

    Nao concordo com o que diz.
    Axo que a serie e espetacular, muito fixe, e o jonas e lindo a serio nao sei que gostos sao os teus mas enfim…
    Na minha e que adoro a serie e espero bem que a RTP continue a passar a serie pois e muito interecante.se nao gostas azar nao vejas ne!!!

  5. Safaa Dib said,

    Meninas, se se deve respeitar as opiniões das pessoas que gostam, o mesmo se aplica em relação às opiniões das pessoas que NÃO gostam. Eu fundamentei a minha crítica, e paciência se não vos agradou. Mas pensem duas vezes antes de virem aqui portar-se como crianças.

    Outra coisa. Quanto aos meus gostos por estética masculina, não está em causa se o Jonas é feio ou bonito, mas nem é por esse tipo de qualidades que eu avalio uma série. Se fosse por isso, dava 5 estrelas ao “Robin Hood” só pela participação do Richard Armitage (Guy of Gisborne), pelo qual tenho uma grande admiração desde que o vi na série “North and South” da BBC.

  6. catarina said,

    eu adoro esta série e gostava que a rtp transmiti-se a 2º temporada . por favor.

  7. Fernanda said,

    Nao conocrdo com isso….
    Essa serie é perfeita…
    E eu tbm adoro o Guy of Gisborne😄

  8. Sandra said,

    Concordo com vocês!
    A serie está ótima, Jonas é excelente, os actores estão muito bem.
    Adoro e tenho intenção de comprar o 2º dvd.
    Adoro ver series e esta foi a primeira que comprei porque vi que valia a pena…

    Cada um tem a sua opinião, mas podes admitir que criticaste demasiado sem ver o lado interessante desta serie. É nova; mostra a lenda por outra perspectiva: uma mais engraçada; tem actores excelentes; o Jonas é lindo; …
    Os cenários não estão assim tão mal para dizeres que: “cenários tão pobre e mal construídos”
    Mas temos que aceitar a opinião dos outros🙂

    Bjus

  9. sarah said,

    A SÉRIE É LEGAL.E CONCORDO COM VOCÊ O MELHOR DA SÉRIE É O LINDÍSSIMO ATOR RICHARD ARMITAGE.ELE É MUITO GOSTOSO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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