Welcome to your world

December 17, 2006 at 2:56 pm (Strange Land)

But look at 2006 through a different lens and you’ll see another story, one that isn’t about conflict or great men. It’s a story about community and collaboration on a scale never seen before. It’s about the cosmic compendium of knowledge Wikipedia and the million-channel people’s network YouTube and the online metropolis MySpace. It’s about the many wresting power from the few and helping one another for nothing and how that will not only change the world, but also change the way the world changes.

The tool that makes this possible is the World Wide Web. Not the Web that Tim Berners-Lee hacked together (15 years ago, according to Wikipedia) as a way for scientists to share research. It’s not even the overhyped dotcom Web of the late 1990s. The new Web is a very different thing. It’s a tool for bringing together the small contributions of millions of people and making them matter.

Este ano, mais do que nunca, provou ser a confirmação de um extraordinário fenómeno que atingiu proporções muito para além do possivelmente imaginado. A revista Time elege como pessoa do ano os milhões de indivíduos que formam a comunidade mundial online e que agora detém uma voz mais forte do que nunca.

A sociedade da informação é alterada à velocidade do nosso próprio poder criativo e inovador. Anónimos fazem a diferença e forçam governos e instituições a prestar atenção. Guerras e atrocidades são registadas e testemunhadas em primeira mão, através de câmaras. Os grandes e os não tão humildes são observados e julgados pelos olhos do público, da mesma forma que o Big Brother gosta de nos observar. Pode ser tudo um produto amador, por vezes perigoso e de natureza totalmente imprevisível, e nem todos têm acesso a ele, ainda sendo uma ferramenta longe do alcance de todos.

Mas pela primeira vez existe um sentimento de verdadeira democracia, de verdadeira expressão, seja pelos idiotas ou pelos intelectuais, pelos pretensiosos ou apenas os verdadeiramente curiosos. Democracia virtual que provavelmente um dia irão tentar censurar e limitar. Mas a revolução já começou e os blogs, videos, sites, mails, unem-se numa enorme massa de informação e entretenimento e cabe a nós, com o movimento dos nossos dedos, escolher o que é ou não digno da nossa atenção.

Irá o excesso de democracia conduzir a anarquia? Ou retirar a força e legitimidade aos meios de informação tradicionais? Não se estes forem capazes de se adaptarem e evoluir de acordo com o ritmo trepidante que a realidade virtual impõe.

Na mesma onda, o texto de Bruce Sterling na Wired, um dos escritores de ficção científica de maior prestígio, confirma e enaltece.

It becomes clear that we’re entering a new era, the post-Internet age, a world in which the Net will be everywhere, like the air we breathe, and we’ll take it for granted. It will be neither the glossy nirvana of technophilic dreams nor the dystopia of traditionalist nightmares. It will look a lot like today – but with higher contrast, sharper focus, and a wide-angle lens.
[…]
The Internet, for instance, crawled out of a dank atomic fallout shelter to become the Mardi Gras parade of my generation. It was not a bolt of destructive lightning; it was the sun breaking through the clouds.

Por isso, um brinde a nós. May we grow and prosper.

1 Comment

  1. Bruno said,

    Sim, olhando para trás 2006 foi mesmo o ano da Web melhorada… Desta vez menos a ver com a histeria capitalista da bolha em 2001 e mais a ver com as pessoas a colaborarem. Já se estava a ver o potencial há algum tempo, mas é giro de reparar que em 2006 as condições ideais se juntaram e estas coisas todas surgiram com força. Google e Yahoo! com bastante dinheiro para gastarem, tecnologia Web bem mais madura, São Francisco cheia de Indianos e Chineses talentosos que querem ser ricos, e pessoas em geral prontas para aceitar e usar… O resultado são os youtubes e os del.icio.us, os skypes e os flickrs que por ai apareceram (ou que já existiam e se tornaram populares).

    Mas para o próximo ano vejo alguns desafios importantes, além dos óbvios que o Bruce Sterling menciona como o mais rápido e melhor… Fazer o que já existe funcionar melhor e meter todas as coisas que temos nos nossos computadores pessoais (e no nosso dia-a-dia) a funcionarem no contexto da Web social são os passos óbvios, para esses não é preciso bola de cristal.

    O primeiro está muito relacionado com o que estavas a dizer em “cabe a nós, com o movimento dos nossos dedos, escolher o que é ou não digno da nossa atenção.” O problema é que rapidamente vamos deixar de ter tempo para escolher o que é digno de nossa atenção ou não, e acho que vamos querer a ajuda das máquinas para isto. Os nossos dedos não chegam, mas também não prevejo problemas graves… Por exemplo o senhor Tim Berners Lee já há muito que anda a pensar neste assunto. E em associação com a semantic Web acho que vamos ver também muitos breaktroughs em IA daqueles espectaculares e com um sabor a sci-fi (e.g. a compreensão de linguagem natural, o reconhecimento de imagens, a tradução automática). Muitos destes avanços vão simplesmente estar relacionados com o facto que a quantidade de informação através da qual as máquinas podem aprender agora é gigantesca.

    O segundo relaciona-se bem os romances hoje já tão datados do Bruce Sterlings e do Gibson… O cyberpunk começa a ser real, mas não é sinistro nem sombrio. Pelo contrário, até é simpático e bastante amigo das pessoas… Acho que claramente acredito mais um futuro tipo star-trek, com uma humanidade perfeita e iluminada pela tecnologia, do que num matrix. Em vez do phaser é o telemóvel lol. Mas o problema é que o Star-Trek também é bastante ingénuo e obviamente que há problemas. Só não são é os normalmente considerados nos romances cyberpunk (não é bem o idolo digital da musica pop ou a estrela porno do mundo virtual, tem mais a ver com as pessoas reais). Mesmo que tenhas uma democracia digital (e ainda estamos muitíssimo longe disso) o que garante que as pessoas vão querer (ou vão ter tempo, ou ainda qualidade ou maturidade) para participar? E como manter o sistema a funcionar de uma forma “democrática” quando apenas uns quantos privilegiados é que tomam parte? A resposta acho que vai assentar em novos avanços de técnologia. A mais longo prazo ainda, se o mundo digital é cada vez melhor (e não estou a falar de um Second Life lol, isso há de passar de moda tal como hoje já ninguem se lembra do MOO — como o instant messaging está hoje para o MOO, resta saber o que é que vai estar para o Second Life em 2007), porque raio é que as pessoas se vão lembrar que têm o dever de contribuir também para um mundo “real” melhor? Pra mim não é nada claro que as duas realidades se intersectem, nas escolas começam já a ver-se alguns dos inconvenientes de ter toda a informação totalmente disponível sem qualquer esforço.

    O terceiro desafio, e este é bem capaz de ser o mais importante de todos, é quem é que vai pagar a conta. Como tu também disseste, os média tradicionais têm de se adaptar… Mas ai está um grande problema, inovar em técnologia é muito mais fácil do que inovar em formas de fazer dinheiro (e histórias como a do flickr e youtube estiveram à beira de correr muito mal). A visão romântica da “Web das pessoas” termina quando chega a conta. Publicidade online estilo Google é muito bonito por agora como forma de suporte a estes serviços, mas também é certo que este modelo de financiamento não vai durar muito mais tempo. Quando todos ignorarmos completamente os banners e a publicidade online, quem é que paga? As pessoas têm sido generosas com o seu tempo, pró mal e pro bem criando os conteudos da nova Web… mas serão igualmente generosas com o seu dinheiro?

    Se não pagamos a música que ouvimos, a televisão que vemos, os jornais que lemos, os cursos que tiramos, ou os serviços de comunicação que utilizamos, então qual a motivação para alguem oferecer estas coisas com qualidade? Este é mesmo a principal desafio pra 2007, encontrar uma boa resposta. Ou a mais longo prazo, redefinir a sociedade em que vivemos por forma a que estas questões já não sejam importantes (por exemplo simplesmente dizer que já não existem coisas como o plágio ou os direitos de autor… tudo é um remix de coisas existentes, e criar passa a ser acima de tudo um bom combinar de informação existente… com a IA a dar uma ajuda, obviamente)

    Isto tudo, obviamente, numa parte do mundo mais lá pros lados do Pacífico. Nestas coisas não dá mesmo para fugir a um discurso mais pessimista, e por cá estamos infelizmente num fuso horário diferente. A web social ainda está a Milhas de Portugal (por cá o discurso é mais pro estilo “portal do governo”, como se o directório do Yahoo! de 1990 ainda fosse o máximo). O nosso desafio para 2007 será antes o apanhar a carruagem, mas acredito que é bem possível… A minha bola de cristal também dá boas previões para 2007 nestes lados.

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