Vandermeer em Lisboa
Graças ao Michel Jacinto, já posso colocar também um registo fotográfico da passagem de Vandermeer por Lisboa. No blogue da Livros de Areia e no blogue do David Soares podem encontrar mais fotos.
Destaco também a entrevista por José Mário Silva ao Jeff Vandermeer que foi publicada na edição de ontem do Diário de Notícias.

Num restaurante no Bairro Alto. Eu, o Luís Filipe Silva e Jeff e Ann Vandermeer.

Jeff e Ann Vandermeer.

No Pavilhão Chinês, o casal deslumbrado com a decoração exótica.


No dia do lançamento, João Ventura, eu, Luís Rodrigues e JV.
Os seres mais infelizes do mundo
Samir Kassir foi um jornalista libanês do An-Nahar e o fundador da revista Orient Express. Foi também um historiador e professor de ciência política. Em 2003, publicou uma obra de referência, Histoire de Beyrouth. Uma voz política activa contra a ocupação síria no Líbano e um opositor das ditaduras dos regimes árabes e do extremismo israelita, ele pagou o mesmo preço que muitos grandes homens, jornalistas e políticos libaneses, pagaram por erguerem a sua voz de oposição. Em Junho de 2005, foi assassinado em Beirute.
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Mas antes de morrer, também escreveu um ensaio de nome Considérations sur le Malheur Arabe. Foi recentemente publicado pelas Edições Cotovia, com o título Considerações sobre a Desgraça Árabe. De certa forma, talvez tenha sido uma benção para Samir Kassir ter morrido antes do seu tempo. Não teve que assistir mais uma vez à destruição impune do Líbano.
Nesse ensaio, o primeiro capítulo de todos diz tudo de forma transparente e clara – Onde se vê que os árabes são os seres mais infelizes do mundo, mesmo que não o reconheçam.
A impotência é, incontestavelmente, o emblema da actual desgraça árabe. Impotência de sermos o que pensamos dever ser. Impotência de agir para afirmar a nossa vontade de ser, mais que não seja com uma possibilidade, perante o Outro que nos nega, nos despreza e, agora, de novo nos domina. Impotência para fazer calar o sentimento de já não sermos mais do que uma quantidade desprezível no tabuleiro planetário, quando a partida se trava na nossa casa.
Desde essa altura [1973, ano do Yom Kippur], Israel reina solitariamente no Médio Oriente. Desembaraçado da dissuasão egípcia pela paz de Sadate, certo de poder contar com o apoio indefectível da potência americana, confiante na impunidade moral que lhe é garantida pela má consciência europeia e dispondo de um arsenal nuclear adquirido graças a uma potência ocidental – a França – e que não cessa de crescer perante o silêncio das nações, Israel pode fazer literalmente o que quiser e o que lhe ditarem os fantasma de dominação dos seus dirigentes.
Desta supremacia que estrutura a visão do mundo e de si próprios que é hoje a dos árabes, o paradigma foi dado pelo cerco de Beirute durante o Verão de 1982. Para esta estreia, um assalto a uma capital árabe, a aviação israelita estava como em plena exibição , multiplicando tapetes de bombas – as quais não escapou a sinagoga de Beirute , protegida pelos combatentes palestinianos – exercícios de acrobacia com munições reais e mesmo tentativas de assassínio contra a pessoa de Yasser Arafat – utilizando a dada altura uma bomba de implosão que varreu um edifício inteiro de uma só vez. Ao que se acrescentaram técnicas de outros tempos, como o bloqueio alimentar e o corte da água sem que ninguém, em parte nenhuma e em momento algum, nem “massas árabes” nem diplomacias petrolíferas, pudesse fazer cessar esta indignidade.
A Transformação de Martin Lake
Só uma nota breve para relembrar que o lançamento do livro de Jeff Vandermeer vai ser realizado esta noite às 21.30 na FNAC Colombo.

A transformação de Martin Lake & outras histórias compõe-se de três histórias, tendo a noveleta que dá o título ao volume obtido em 2000 o cobiçado
World Fantasy Award (que VanderMeer obteve ainda uma segunda vez):
numa cidade de contornos míticos, Ambergris, um obstinado pintor recebe aquilo que julga não passar de uma brincadeira de gosto duvidoso: o convite para uma decapitação… As outras duas histórias (Vida secreta e Três dias
numa cidade fronteiriça) são a prova da mestria de VanderMeer no jogo
entre os dados de uma realidade banal e os inquietantes sinais de uma
outra realidade que teremos de decifrar, não sem uma dose de bem medida ironia. É esse o estilo deste autor, que Allen B. Ruch, na introdução, define como uma união de “excentricidade e humor a um real sentido de beleza, mistério e terror”, e que faz dele um dos valores emergentes na vanguarda do fantástico nos Estados Unidos.
Conheci o Jeff Vandermeer e a mulher, Anne, na sexta-feira. Vocês não vão querer perder a oportunidade de conhecê-lo. É uma pessoa super bem disposta e com grande sentido de humor. Mais tarde, conto colocar uma série de fotos a retratarem a passagem de Vandermeer por Lisboa.
Já li a noveleta The Transformation of Martin Lake. Surreal, com laivos de gótico, e povoado de inúmeras referências literárias, conta a história de um pintor obscuro que habita na cidade de Ambergris (fruto da imaginação do autor). Um certo dia, recebe um convite para uma decapitação. Julga ser uma brincadeira de mau gosto, mas é na verdade o início de uma série de acontecimentos que transformariam a sua arte para sempre e torná-lo-iam um pintor de reputação mítica no universo criado por Vandermeer. Intercalados com o relato destes acontecimentos, estão excertos da autoria de uma crítica de arte que analisam a arte de Lake e a simbologia subjacente a alguns dos seus quadros mais famosos. As primeiras páginas não facilitam o acesso ao mundo Ambergris, mas no momento em que atravessamos as portas para esse universo, torna-se absorvente e uma experiência de leitura imensamente gratificante.
No lançamento, irá também ser exibida a curta-metragem Shriek com banda-sonora do grupo australiano The Church, em torno do seu último romance Shriek: An Afterword.
Relembro também que esta é uma edição limitada de 200 exemplares assinada pelo autor.
A vossa amiga no telejornal
Pois é, hoje tive os meus cinco minutos de fama. Mais precisamente no telejornal da RTP1 em que eu e os meus pais fomos entrevistados acerca da situação no Líbano. Não sabia que ia passar hoje e, infelizmente, não estava em casa quando passou na TV, mas já recebi algum feedback positivo.
Graças ao sheikh Mounir, o líder da Comunidade Islâmica de Lisboa, e que foi meu professor de árabe há muitos anos, ainda eu era criança, a jornalista conseguiu o contacto da minha família e decidiram mostrar o ponto de vista de libaneses residentes em Portugal.
Foi na quarta-feira que foi realizada a entrevista e tivemos a sorte de ser entrevistados por uma jornalista fantástica, a Rita Marrafa de Carvalho, que para além de nos pôr logo à vontade, fez perguntas bastante perspicazes. Só temos coisas boas a dizer sobre a Rita e o colega cameraman, o Fernando, que foram impecáveis.
Escusado será dizer que falámos muito mais do que aquilo que apareceu na TV, mas obviamente eles editam o material. Estranhamente, já tive algumas reacções vindas do hi5 (of all places! Já nem me lembrava que ainda tinha lá um perfil).
Folgo em ainda não ter recebido nenhuma crítica negativa. Sobre o conteúdo do que foi falado, está basicamente expresso em posts anteriores neste blogue. Aos que me mandaram mensagens ou comentaram comigo que gostaram de me ouvir na televisão, um obrigado!
Um olhar cinematográfico do conflito
Tinha prometido a mim própria elaborar uma lista de filmes que retratassem o conflito do Médio Oriente. Mas não se iludam. Isto implica décadas de história, e não só história, mas envolve etnias religiosas com crenças específicas que afectam as políticas de Estado.
Muitas das coisas a passarem-se ou que se passaram naquela região chocam profundamente a sensibilidade mais liberal e democrata do Ocidente, e no entanto são consideradas normais e parte do quotidiano.
Infelizmente, não existe separação da religão e o Estado entre os países árabes, o que poderá ser apontado como uma das causas de todos os males. Acho que foi o João Ventura que me disse uma vez que os árabes não tinham tido a sua Revolução Francesa como a Europa. É uma grande verdade.
Nesta pequena lista que compilei incluí temas mais abrangentes como a religião islâmica da qual é preciso ter alguns conhecimentos básicos para perceber muitos dos conflitos. Começo pela início, pela guerra que ainda hoje o Médio Oriente está a pagar as consequências, a II Guerra Mundial.
A Lista de Schindler de Steven Spielberg
O filme representante, por excelência, do percurso trágico dos judeus às mãos das autoridades nazis. Spielberg atingiu um nível cinematográfico ímpar, e embora acuse o seu relato de uma certa manipulação emocional do espectador de modo a favorecer a sua ideologia, devia ser de exibição obrigatória. Juntamente com O Pianista de Roman Polanski, ambos os filmes são testemunhos demolidores das atrocidades dos campos de concentração e do sofrimento de muitos indivíduos naquele tempo, mantendo mais viva do que nunca a memória do drama de sobrevivência durante a II Guerra Mundial.
A Mensagem de Moustapha Akkad
Um relato de grande precisão histórica sobre a vida e feitos do profeta Maomé e a ascensão do Islamismo com Anthony Quinn no papel de Hamza, tio do profeta. Maomé nunca é visualmente retratado no filme por ser considerado blasfémia pelos princípios religiosos islâmicos quaisquer representações pictóricas do profeta. Curiosamente, os militares norte-americanos compraram 100.000 cópias deste filme para distribuir pelo exército antes da invasão do Afeganistão ou Iraque.
Documentário Lady of the Palace de Youssef Chahine, um importante realizador árabe contemporâneo, sobre a vida de Nazira Joumblatt, uma figura pioneira na história política libanesa que com a morte do marido assumiu as rédeas da liderança drusa, preparando-a para o seu filho, Kamal Joumblatt, um das figuras mais influentes do mundo árabe do séc. XX.
Tive a sorte de ver este documentário em 2004, no Líbano, quando foi transmitido em todas as cidades libanesas. Tem uma brilhante análise histórica sobre uma das facções vitais que se envolveram na guerra, os drusos, e conta o percurso desta minoria até à data do assassinato do seu líder, Kamal Joumblatt. O seu filho que lhe sucedeu, Walid Joumblatt, é actualmente um dos mais ferozes opositores à política síria e foi uma figura chave na resistência libanesa durante a guerra civil.
Munich de Steven Spielberg
Baseado no livro de George Jonas, Vengeance, Munich conta a história da resposta de Israel ao massacre de onze atletas israelitas nos jogos Olímpicos de Munique de 72. The true story of an Israeli Counter-Terrorist Team é o subtítulo do livro e, efectivamente, durante três horas o filme irá mostrar o percurso de quatro homens, agentes secretos, a quem foi atribuída a missão de eliminar os supostos responsáveis palestinianos do grupo Setembro Negro. É um magnífico filme que questiona, através da personagem de Avner, a política de assassinatos selectivos encetada por Israel e a política de olho por olho, dente por dente. Eric Bana é soberbo na interpretação de um agente leal ao seu país, mas a dúvida começa lentamente a infiltrar-se na sua mente, levando-o a distanciar-se cada vez mais de uma doutrina inescapável, representada pela frase emblemática, dita no filme pela primeira-ministra israelita, Every civilization finds it necessary to negotiate compromises with its own values.
Deadline de Nathaniel Gutman
Vi este filme quando deu tarde uma noite na RTP1. Um jornalista americano, interpretado por Christopher Walken, fora providenciado com falsas informações que causaram bastante impacto. De forma a salvar a sua reputação, ele procura por fontes que lhe possam providenciar boas notícias. Temporariamente sediado em Beirute no ano de 1983, ele descobre factos que apontam para a iminência dos massacres nos campos de refugiados palestinianos cometidos pelos libaneses falangistas. Os israelitas, da perspectiva do filme, não são os maus da fita e chegaram a tentar impedir os crimes. Politicamente, o filme retrata de forma duvidosa as várias facções então envolvidas, e é confuso, mas o que me chamou a atenção foi quase o toque de documentário realista nas cenas finais em que o jornalista observa em choque e fotografa as centenas de corpos no chão após o massacre.
Na década de 80, o Líbano fez muitas manchetes de jornais com o rapto de reféns europeus que foram mantidos presos durante vários anos até serem libertados. Esta série televisiva, embora não sendo excepcional, reúne um excelente elenco que inclui Colin Firth, Ciáran Hinds e Harry Dean Stanton, e providencia a perspectiva dos reféns e as suas família, mostrando o que realmente aconteceu naquele tempo.
Zozo de Josef Fares
No Líbano, chamamos os homens de nome Youssef ou Joseph de Zozo (Zuzu). Este filme retrata a vida de um pequeno adolescente que cresceu durante os anos da guerra civil libanesa. A tragédia persegue-o mas no meio de uma época turbulenta é capaz de encontrar a sua própria voz e identidade, mesmo que isso implique abandonar o país e a recorrer a uma vida de imigrante. Há muitas cenas inesquecíveis no filme, mas quando Zozo fala com um pintainho e convida-o a vir com ele para a Suécia, onde os seus avós viviam há muitos anos, o pintainho responde (muito à libanesa) que não tinha forma de poder acompanhá-lo porque não tinha passaporte. O retrato que fazia falta sobre a vida e emigração em tempo de guerra.
Paradise Now de Hany Abu-Assad
Confesso que ainda não vi este filme, mas acompanhei um documentário na televisão libanesa sobre o filme e entrevistas aos realizadores aquando a sua nomeação para os Óscares. A história centra-se em dois amigos de infância que foram recrutados para um atentado suicida em Telavive. É uma questão incómoda para muitos, mas o filme parece ter sido capaz de entrar nas mentes destes sucidas e revelar as suas motivações e a intensa luta pessoal. Se o filme tenta ser moralista ou não, não sei dizer, mas parece-me que é capaz de reflectir sobre uma questão que precisa de ser reflectida.
Yadon Ilaheyya de Elia Suleiman, mais conhecido como Intervenção Divina
Embora ainda não tenha visto este filme, incluí-o pelas diversas críticas positivas. Humorístico e um tanto ou quanto absurdo, a complementar todas estas visões dramáticas ou trágicas que perseguem as vidas dos palestinianos e os seus vizinhos.
Para além destes filmes que já adquiriram bastante mediatismo, temos um circuito independente de obras sobre muçulmanos e a sua relação com Israel e o resto do mundo, e que atravessam regiões como Afeganistão, Iraque, Palestina e Israel, abordando questões complexas como o uso do hijab (o véu) ou as regras de sobrevivência no meio de uma guerra. Acedam a este site para saberem quais os filmes em foco.
Haverá muitos outros e convido-vos a falarem sobre eles no espaço dos comentários.
Desgraça
Li esta notícia via o blogue do artista e designer John Coulthart.
Estou tomada por uma fúria e raiva tão descontrolada que quase não consigo escolher as palavras que quero escrever.
LEBANON CIVILIAN DEATHS MORALLY NOT SAME AS TERROR VICTIMS – diz o embaixador dos EUA nas Nações Unidas.
US Ambassador John Bolton said there was no moral equivalence between the civilian casualties from the Israeli raids in Lebanon and those killed in Israel from “malicious terrorist acts”.
Asked to comment on the deaths in an Israeli air strike of eight Canadian citizens in southern Lebanon Sunday, he said: “it is a matter of great concern to us …that these civilian deaths are occurring. It’s a tragedy.”
“I think it would be a mistake to ascribe moral equivalence to civilians who die as the direct result of malicious terrorist acts,” he added, while defending as “self-defense” Israel’s military action, which has had “the tragic and unfortunate consequence of civilian deaths”.
(A notícia completa está neste link).
A vida fora do Ocidente nunca foi tão insignificante como agora. Matem os chinocas, os árabes terroristas, os negros, os aborígenes, os nativos de ilhas, como os timorenses. Deixem-nos morrer às mãos de potências que se julgam moralmente superiores e que se acham no direito de condenar civis. A vida de um europeu vale mais do que a vida de um árabe. O que são cem vidas de africanos perante a vida de um único americano? Não prestamos. Não somos civilizados o suficiente, não somos poderosos o suficiente. Vítimas desafortunadas o suficiente para se terem metido no caminho dos moralmente superiores.
Tudo isso já estava mentalmente interiorizado há muitos séculos, mas agora é dito frontalmente. Mesmo que aceite a ideia de que esse embaixador está induzido em erro e vive de acordo com uma mentalidade ignorante, ele teve a honestidade de dizer, finalmente, de alto e bom som para todos ouvirem, o que vai na cabeça de todos os abutres líderes políticos deste mundo; que as vidas dos libaneses são vidas baratas e sem o mesmo peso moral que as vidas de um país civilizado que cometem massacres e genocídios disfarçados de actos legítimos de auto-defesa.
A destruição do Líbano é desconfortável para a consciência política, mas está tudo dito: não vale o incómodo e a indignação. É muito mais indigno morrer um americano ou um israelita ou um europeu, porque são sempre vítimas. Tudo o resto é carne para canhão ou vilões.
A “Polónia”
O computador está ligado mas a vontade é pouca em aceder aos sites noticiosos e ler o piorar da crise hora após hora.
Para os milhares de imigrantes libaneses em todo o mundo, a situação é angustiante. Muitos tinham ido passar as habituais férias de verão no país e ficaram impedidos de regressar às suas vidas, enclausurados num conflito que se acendeu da noite para o dia.
Um amigo em Londres está a tentar desesperadamente retornar a mãe e o irmão mais novo que tinham ido passar umas semanas no país. Falou com o irmão que disse que nas montanhas tudo tem-se mantido calmo, e tirando o constante sobrevoar da aviação israelita, quase não se diria que a capital está a ser submetida diariamente a bombardeamentos, a não ser pelo grande número de indivíduos que se refugiaram na protecção das montanhas. Somos de aldeias vizinhas, por isso, soube bem ouvir isso.
A única forma de a mãe o irmão regressarem é por via Síria, mas pode ser perigoso pois as estradas para a Síria estão sob a vigilância do sempre alerta olho falcão israelita. Uma outra amiga da minha mãe, de dupla nacionalidade, libanesa e francesa, ficou retida no Líbano. Pediu auxílio à embaixada francesa, mas com a evacuação de milhares de cidadãos europeus, disseram-lhe que as crianças e feridos tinham agora prioridade.
É frustrante viver num mundo onde assistimos ao nosso próprio país a ser destruído perante a passividade de todos. Sem que ninguém se insurja de forma ultrajante e diga “Parem, o que estão a fazer quebra todas as leis e todas as convenções dos direitos humanos”.
Em conversa com o Rogério ontem, ele disse uma coisa que me fez pensar. O Líbano, o outrora chamado Suíça do Médio Oriente, é afinal a Polónia do Médio Oriente. E para quem estudou bem a lição de História, sabe bem o que aconteceu a seguir à invasão da Polónia.
Mas se a Polónia tinha pactos secretos com outros países que a auxiliariam em caso de agressão, Líbano está todo sozinho. Os estados árabes que venderam as suas almas aos Estados Unidos receiam comprometer-se. Os estados árabes psicóticos não se importam com a destruição sistemática do Líbano (atenção que o Irão não é árabe). Europa é apenas uma sombra assustada daquilo que era antigamente. Rússia está mais interessada em convencer os seus aliados de que podem contar com ela para providenciar fontes de energia. Estados Unidos apoiam Israel, embora com alguma relutância, pois no ano passado também apoiaram a Revolução dos Cedros. Não existe ninguém, e espero que o estado libanês perceba isso. A perda de Hariri nunca foi tão duramente sentida como agora. Ele era uma força de natureza, um titã poderoso suficiente para deter uma vaga.
Entretanto aceita-se a invasão da “Polónia”. Alguns diriam que é um dano colateral, um mal necessário para um bem maior, a suposta luta contra o terrorismo. Começou no Afeganistão, afundou o Iraque e agora tem como alvos o “eixo do mal” constituído pela Síria e Irão. E não terminará aqui.
Hoje as notícias falam em envio de uma força internacional de paz para a região. Blair afirma que assim a força evitaria ataques do Hezbollah ao Norte de Israel, e em retorno, Israel já não retaliaria. Blair deve ter uma memória prodigiosamente curta para não se lembrar do que aconteceu à última força de paz internacional no Líbano na década de 80. Mais de trezentos soldados americanos e franceses foram mortos num único atentado bombista de proporções devastadoras. Foi o suficiente para pô-los a correr dali para fora e fazê-los desejar nunca terem conhecido Beirute.
Mas a esperança está longe de terminar. Em 1996, houve um conflito semelhante entre Hezbollah e Israel e durou cerca de 16 dias, com igual troca de mísseis e destruição de infra-estruturas. Todavia, as coisas mudaram no último ano. As principais forças envolvidas mudaram de governação nos últimos meses: Líbano, Israel e Palestina. A questão que agora paira na mente de todos é o quão longe está Israel disposta a ir na suposta defesa do seu território. Eu gostaria de pensar que isto foi apenas uma prova de força do novo governo israelita disposto a mostrar aos vizinhos quem é a mais forte potência da região. Mas já nada é garantido.
O que me assusta mais, no entanto, é que quando todos os jornais se cansarem de noticiar os ataques, quando tudo cair no hábito e o desinteresse apoderar-se de um mundo que se cansa facilmente estes dias, quem ainda se irá importar?
Li este excelente artigo sobre Beirute no site da MSNBC e as diversas perspectivas dos seus habitantes sobre este conflito. Mostra o país dividido sobre o papel de Hezbollah e a filosofia de resistência que sempre pautou as relações do Líbano com os seus vizinhos. É uma boa leitura para perceber como o país é fragmentado por muitas confissões religiosas que, de uma forma ou outra, têm sido capazes de conviver na última década.
Um facto da vida
Guerra regional, é o que muitos apelidam a recente crise no Médio Oriente. O que é uma piada hilariante.
Supondo que Síria, Irão e Israel desistem da ideia de usar o Líbano como campo de batalha para os seus ódios infernais e interesses duvidosos, e decidam passar a uma confrontação directa, digamos, isto jamais se limitará a um conflito regional. Isto já não é sequer um conflito meramente regional, entre vizinhos que se odeiam. Há aqui coisas em jogo que ultrapassam meras questões de território ou soldados. E os Estados Unidos have many dirty fingers in many pies. Basicamente é um conflito que irá brevemente tomar proporções de mini-guerra mundial em solo libanês e rapidamente alastrar-se.
De qualquer forma, que Israel tenha cometido um ataque ilegítimo a um estado de direito perante a complacência e passividade de uma comunidade internacional nunca foi motivo de verdadeira surpresa, por mais raiva e impotência que isso provoque. Líbano apelou à comunidade internacional, mas perfeitamente cientes de que não era mais do que um gesto inútil e a tresandar a farsa. ONU é um belo símbolo de traição dos valores que era suposto representar aquando a sua criação e agora não é mais do que um representante de corrupção passiva e activa. Nada de novo então.
Ver o Líbano como uma presa nas mãos destes abutres, isso sim é que dói e entristece. Às vezes penso que era melhor que todos se decidissem por uma guerra pura e dura de uma vez por todas, em vez de se ocultarem por trás de manobras cínicas e hipócritas. Mas nunca terminaria aí.
Alguns deles desejam tanto a destruição do Estado de Israel seja quais forem os meios utilizados, e para quê? Para impôrem novas fronteiras e novos mapas geo-políticos? Hezbollah está a lutar pela preservação de interesses que estão longe de pôr o Líbano como prioridade. Querem destruir o estado de Israel? Se em quase 60 anos ninguém conseguiu, não é agora que o vão conseguir. Mas não quero que haja dúvidas. Não apoio o estado de Israel e as suas políticas. Não suporto a máquina de dinheiro e a imagem ideológica que construíram em redor do Holocausto e que desonra a memória de todos os judeus vítimas dessa guerra (sobre este assunto, recomendo a leitura de A Indústria do Holocausto de Norman Finkelstein) e certamente não apoio a guerra contra o terrorismo liderada pelos americanos. Mas encostada à parede por dois diabos, uma pessoa interroga-se onde raio foram parar os anjos.
O problema é que Hezbollah nunca poderá ser destruído sem destruirem a nação primeiro. Para qualquer outro país, seria quase impossível essa dura tarefa de reconstrução. Mas os libaneses por mais de 2000 anos conviveram de perto com violência e morte; desde o rasto destruidor de Alexandre, o Grande, pelo Levante incendiando tudo à sua passagem, até ao domínio otomano por mais de 400 anos, passando pela ocupação francesa no séc. XX, não contando os vários terramotos que destruíram a cidade e a fome a que a região foi submetida durante as duas Guerras Mundiais, culminando numa sangrenta guerra civil, penso ser relativamente seguro dizer que sobreviveremos mais uma vez.
Erguemo-nos sempre das cinzas e ruínas. Sempre. É um facto da vida.
Mas por agora, o futuro que se avizinha é mais negro do que muitos pensam.
Se fosse no Líbano, não sei se teria problemas por exprimir esta opinião de forma pública. Do que tenho visto e lido, todos sentem o mesmo, cansados desta violência incessante e indesejada. E muitos começam a compreender que isto não é mais uma questão de deslealdade para com o Hezbollah, pois existe uma diferença entre dissidência e deslealdade. Algo que os americanos ainda não chegaram a compreender em relação à política de Bush.
(Para os que se assustam com os posts de crescente teor político, descansem que o blogue ir-se-á manter acima de tudo como um blogue pessoal dedicado ao género fantástico.)
Sob cerco
Eu estava de volta à acção… Entusiasmada em discutir imensos assuntos, em voltar à escrita. Mas a semana que passou deu lugar a uma sucessão de más notícias que nunca vêm sós.
Perante isto, todos os assuntos de repente parecem fúteis e estou preocupada demais para poder agora dedicar-me à escrita de coisa alguma, embora agradeça a distracção.
Por isso, não se surpreendam se durante uns tempos não der sinais de vida. Estou aqui, atenta, a ler tudo, mas como eu gosto de escrever posts sobre literatura, cinema, blah blah blah, estes pode ser que vejam a sua dose ser substancialmente diminuída. Pelo menos, até saber que não há mais motivos de preocupação.
Algumas pessoas têm-me mandado mails ou perguntado pela minha família no Líbano, devido à recente escalada de crise e queria agradecer pelo apoio e lembrança. A minha família vive numa aldeia a meia hora de Beirute, no monte Líbano, e têm saído incólumes desta crise, embora alguns familiares vivam em Beirute. A altura não foi a melhor pois estamos todos de luto pela morte prematura de um familiar muito querido.
Geralmente sou muito reservada e não gosto de me expor pessoalmente, mas achei que era tempo de tentar dar uma perspectiva de uma situação incompreensível para muitos e para me poupar também a comentários inconscientemente pautados por ignorância e, assim, não arriscarem a ferir as minhas susceptibilidades. Chamem-me de egoísta.
Vou tentar transmitir o menos possível a minha opinião, mas nunca obviamente seria imparcial e nunca, nunca, nunca proferiria uma palavra benigna que seja a favor de Israel, por mais politicamente incorrecto que isso seja. Não tenho razões para falar bem de Israel ou ser politicamente correcta. Se alguém quiser dar a perspectiva israelita do confronto, iria ler e aceitar, embora provavelmente discorde de muitas coisas ditas. Como pode um estado que foi construído sobre sangue, o sangue do Holocausto e o sangue de todos os árabes e israelitas conseguir alguma vez sobreviver em paz ou ter alguma credibilidade perante o mundo? Peço desculpa se ofendo alguém, mas já é tempo de encarar a realidade de frente e não disfarçá-la com o politicamente correcto. Há um tabu que impera na sociedade ocidental que dita ser de mau tom criticar judeus, mas é importante frisar a distinção entre israelitas e judeus, e por isso quando critico, não critico a religião, mas critico a nação e o seu governo.
Acho importante lançar umas luzes sobre um conflito que faz parte de um outro conflito ainda maior – o israelo-árabe – que em 2008 irá ver 60 anos decorridos desde o seu início. Lançar umas luzes não é o mesmo que dar agora uma lição rigorosa de história. Talvez elabore uma lista de livros e filmes sobre a temática, embora também não seja nenhuma especialista na matéria. Muitos jornalistas devem saber mais do que eu.
Palestina (não existe Palestina neste momento, apenas para o mundo árabe essa palavra ainda é usada e teima em sobreviver contra todas as expectativas) é o coração do conflito. Desde a criação do estado de Israel em 1948, reclamam os territórios que lhes foram sucessivamente capturados, mas muitas vezes recorrendo a métodos e tácticas condenáveis. A partir dos anos 50, milhares de palestinianos refugiaram-se no Líbano, até se tornarem motivo de desconforto para a sociedade libanesa, dividida sobre a forma como se deveria lidar com os refugiados. Os palestinianos nunca foram inocentes e têm muita culpa a assumir, mas não se deve julgar a maioria como sendo terroristas selvagens. É preciso compreender que, perante a complacência da comunidade internacional perante alguns actos de Israel, muitos jovens canalizaram a sua frustração e impotência para grupos organizados que prometiam o que os seus governos nunca conseguiram oferecer – o direito a uma nação, recuperação da honra e, para muitos deles, vingança.
O problema é que escolheram sediar em Beirute as operações terroristas da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), então liderada por Yasser Arafat. Israel, obcecada pela protecção do seu território a todo o custo, lançou uma ofensiva em 82 (não completamente aprovada pelo governo israelita, mas decretada pelo então infame ministro da defesa, Ariel Sharon) que visava a invasão do Líbano e a destruição da OLP.
Aparte este conflito israelo-palestiniano que se desenrolou no Líbano, ocorreu a guerra civil (1975-1990) motivada em parte por causa desse conflito, mas também por muitas outras razões. A complexidade desta guerra é difícil de resumir em algumas palavras.
Mas agora existem medos de que Israel volte a invadir o Líbano como o fez em 1982 para destruir a OLP. Ainda que a ocupação israelista tenha durado apenas 1 ano, o ano mais negro da guerra civil libanesa (82-83), mantiveram posições militares no Sul do Líbano até ao ano 2000 de modo a evitar ataques no Norte de Israel.
Desta vez, Israel pretende a eliminação do Hezbollah, uma milícia guerrilheira libanesa a soldo da Síria e Irão, mas que com o tempo subiu em poder e influência até deter uma representação no parlamento libanês. Os sentimentos libaneses em relação ao Hezbollah são sempre contraditórios; se por um lado defenderam o Sul e expulsaram as tropas israelitas em 2000, estão a arrastar uma nação para um conflito desnecessário que ninguém deseja, sem o consentimento de ninguém. É considerado desleal e de mau tom criticar as acções do Hezbollah contra Israel, mas muitos apontam agora o dedo para o mau caminho tomado pela organização.
O governo libanês está praticamente de mãos atadas e o presidente da república (em completo desacordo com a coligação Hariri actualmente no poder) é uma marioneta às mãos do governo sírio, que tomou a decisão de intervir militarmente nos anos 80 no Líbano, para pôr um travo à guerra civil. O preço a pagar por esta intervenção (que de certa forma salvou o Líbano da destruição total) foi a abdicação velada da soberania libanesa, cujas principais decisões passaram então a ser tomadas nunca sem o consentimento dos leões de Damasco (o apelido da família Assad significa leão em árabe). A situação mudou recentemente, mas a um preço muito caro. Na realidade, a história do Líbano é essa. Paga sempre um preço demasiado pesado. Muitos líderes no passado foram eliminados por se revoltarem contra a situação, por exigirem independência e a retirada do exército sírio com o fim da guerra.
Mas os sírios cometeram um erro quando a 14 de Fevereiro de 2005, o ex-primeiro-ministro Rafik Hariri foi assassinado através de uma detonação de uma bomba no seu veículo, com potência suficiente para abrir uma cratera no chão e arruinar um bairro inteiro. Hariri, um homem que construiu a sua fortuna bilionária graças a negócios com os sauditas, foi o principal arquitecto dos acordos de Taifa que puseram um fim à guerra civil e declararam cessar-fogo entre as mais variadas confissões religiosas que tinham arruinado o país com as suas hostilidades. Mas mais do que isso, foi o homem responsável pela reconstrução de Beirute, toda reduzida a ruínas e quarteirões inteiros de prédios fantasma esburacados por balas de metralhadoras ou destruídos por tanques.
Com Hariri, Beirute tinha-se lentamente reerguido das cinzas e ele permaneceu ao longo dos anos 90 como uma das raras figuras a reunir o consenso de todas as facções libanesas. Usou a sua fortuna para construir a cidade, fundar inúmeras instituições de caridade e graças a ele muito libaneses adquiriram bolsas que lhes permitiam continuar os estudos no estrangeiro. Nos últimos dois anos antes da sua morte, preparava-se para declarar abertamente a sua oposição à Síria e reunia os apoios para formar uma coligação.
A injustiça da sua morte era demasiado sufocante e venenosa para poder ser engolida sem protesto. Pela primeira vez em décadas, a sociedade libanesa, profundamente dividida pela guerra, uniu-se numa série de manifestações que visavam expulsar as autoridades sírias e restaurar a independência. Foi a chamada Revolução dos Cedros e, efectivamente, a Síria submetida a intensa pressão internacional e crescente isolacionismo, não teve outro remédio senão retirar-se.
Isso passou-se em 2005. Não quer dizer que a situação libanesa se tenha tornado um mar de rosas. Apesar das eleições antecipadas terem garantido o poder ao filho de Hariri, Saad Hariri, seu sucessor, ainda existiam muitos espinhos no pé político libanês, mas estava aberto o caminho para uma possível reconciliação, ou pelo menos, uma convivência pacífica. A Síria não deixou de interferir, e é a provável responsável por uma série de execuções sumárias de políticos e jornalistas proeminentes anti-sírios. Embora da perspectiva libanesa isto seja um facto, e não uma probabilidade.
Esta semana o Líbano foi cercado por Israel num acto de guerra desproporcionado pelo rapto de 3 soldados israelitas na fronteira, capturados pelo Hezbollah.
A crise escalou e o Líbano está, na prática, detido como refém. O país foi sempre usado como campo de batalha para um ódio e uma hostilidade sem precendentes que sempre esteve presente nas relações israelo-árabes. Hezbollah enfrenta a sua hora mais crítica; continuará a ignorar as crescentes críticas e a teimar num conflito indesejado pela própria nação ou ir-se-á submeter à autoridade do governo libanês que procura agora reafirmar o seu controlo em todo o território?
Não me admiriria que a Síria tivesse ordenado a luta armada aos guerrilheiros de hezbollah de modo a terem de novo um pretexto para intervirem no Líbano, embora ache que a reacção extremamente agressiva israelita tenha apanhado todos de surpresa. Os israelitas sempre foram paranóicos e agora mais do que nunca com um governo palestiniano liderado pelo Hamas.
Ninguém deseja uma nova guerra na região, mas como um libanês de nome Edmond Khoury comentou com a BBC:
This country is carrying the pains of the entire Arab world.
De volta à acção…
Só para dizer que ainda estou semi-viva, após duas semanas de corrida contra o tempo, à mistura com espectáculos de futebol. Espero hoje voltar a aterrar a 100%.
Ainda um pouco triste com a derrota de Portugal, embora não pense muito nisso. Sim, é bom estarem entre os quatro últimos, mas outra vez penalti????? Já dei a minha opinião sobre o Mundial noutros sítios, mas a arbitragem este ano roçou o absurdo. Desde 3 cartões amarelos atribuídos a um mesmo jogador, à foul-fest de Portugal-Holanda, passando por uma data de penalties mal atribuídos desde o início do campeonato, tivemos de tudo este ano. Quando é que a FIFA permite que os árbitros possam recorrer a câmaras para confirmarem a validade das suas decisões? Começa a ser hilariante o mundo inteiro, menos o árbitro, ver na televisão que um jogador deu uma cotovelada noutro ou que o fulano tal simulou.
A atitude dos ingleses é outra de bradar aos céus. A BBC desde que viu a Inglaterra eliminada tem uma atitude decisivamente de ill-feeling em relação a Scolari e Portugal. Para além de ter achado que o relato desportivo deles do jogo contra a França foi parcial, ainda temos que aturar os comentadores da BBC, como Alan Shearer, a incitarem a violência no caso Rooney/Ronaldo que deve ser a palhaçada mais palhaçada que alguma vez saiu daquela ilha. Ronaldo é o novo vilão do ano por ter traído aquele ogre (que por acaso é colega dele no Manchester United) e por ter tomado uma posição contra ele junto ao árbitro. E ainda temos a famosa piscadela de olho do Ronaldo depois do incidente que os ingleses tomaram como um sinal de cabala contra o Rooninho. Será que eles têm alguma ideia do quão patéticos são?
Enfim, a derrota portuguesa não me doeu tanto, desta vez, como em 2000 ou em 2004, mas, mas…
(surpreendidos por eu gostar de futebol? Culpem o meu irmão mais velho que me fez acompanhar todos os jogos da selecção desde que me lembro de nascer).
De volta ao fantástico, este mês, contrariamente aos anos passados, vai ser rico em eventos. Dois lançamentos de livros, A Voz do Fogo de Alan Moore e A Transformação de Martin Lake e Outras Histórias de Jeff Vandermeer com a presença do autor (brevemente anunciados na Épica com mais pormenores). Muitos filmes interessantes para ver na Cinemateca e no King, dos quais destaco o Blade Runner na esplanada da Cinemateca no dia 14 às 22.30.
O fórum Sci-Freaks faz 3 anos a 19 de Julho e deverá haver mais um encontro entre a malta do Norte e de Lisboa, como todos os anos por esta altura.
E quanto ao Fórum Fantástico 2006, ao longo deste mês esperamos divulgar novidades.
Há uma data de coisas que espero partilhar aqui no blog nos próximos dias. Stay tuned.





