Séries memoráveis de FC&F

May 13, 2006 at 6:39 pm (Cinema e TV)

Mais do que um bom filme de cinema, aprecio uma boa série televisiva. É uma das coisas que me dá mais prazer acompanhar uma boa história todas as semanas com desenvolvimento de personagens, surpresas, e histórias que não prescindem do bom entretenimento e emoções que estão na base de qualquer ficção.

Com este post provavelmente irão perceber que tenho um gosto enorme por arte televisiva, tanto quanto arte cinematográfica. Trata-se de uma compilação minha das séries de ficção científica e fantasia que mais me marcaram dos últimos 20 anos. Com uma ou duas excepções, não incluí nada mais antigo do que eu. Mesmo com a possibilidade actual de rever clássicos através de DVDs, não é o mesmo que acompanhar uma série semanalmente e discuti-la em grupo. A maioria destas séries mencionadas passaram numa altura em que só existiam 2 canais ou 4 canais portugueses e era maior a possibilidade de vivermos as peripécias de uma série comunitariamente. De qualquer forma, não se trata de uma compilação dos melhores, mas é uma selecção guiada exclusivamente pelo meu gosto pessoal, por isso, se não virem a vossa série favorita incluída, bom… então têm os vossos próprios blogues para escreverem sobre isso.

O facto de ser o meu gosto pessoal a ditar as regras excluiu séries como First Wave, Dark Angel, Taken, Millennium, 4400, Stargate, Buffy the Vampire Slayer ou Tru Calling que nunca realmente puxaram por mim, embora cada um tenha a sua legião de admiradores. Outros não serão mencionados porque não os vi ou não me recordo deles, são os casos de Earth Final Conflict ou V. E há ainda aqueles que não sei o que pensar, se bem ou se mal, como Alien Nation.

Mas irão ver outros mencionados (sem qualquer ordem), tais como…

Twin Peaks
Twins Peaks não era apenas uma série. Era A série. E tinha um nome grande da sétima arte por trás da sua concepção, David Lynch, conhecido pelas suas incursões surreais e bizarras no cinema. Foi o responsável pela introdução de novas técnicas artísticas que elevaram substancialmente a qualidade televisiva, estabelecendo doravante uma nova visão e novas formas de fazer drama em televisão. O agente de polícia Dale Cooper é enviado à cidade ficcional de Twin Peaks para resolver o assassínio da jovem Laura Palmer. Mas o mistério em torno do crime era apenas um pretexto para Dale Cooper conhecer melhor a pequena comunidade remota que, por trás de uma aparência pacata, escondia um lado negro sombrio e perturbante (algo já explorado por Lynch em Blue Velvet). Twin Peaks poderia ter sido integrado em quase todos os géneros sem dificuldade – drama, horror, ficção cientifica, fantasia, thriller, policial, uma amostra do génio da primeira temporada. Não poderia deixar de mencionar a assombrosa banda-sonora que se tornou icónica, da autoria de Angelo Badalamenti.

Beauty & the Beast
Linda Hamilton e Ron Pearlman deram origem a um dos pares mais estranhos e cativantes na história da fantasia televisiva. Baseando-se no imortal conto de fadas adaptado para a cidade de Nova Iorque dos anos 80, encontramos a advogada Catherine Chandler que sofre uma violenta agressão às mãos de dois criminosos e é salva por uma misteriosa criatura que a leva para o subterrâneo onde habitam marginais e indivíduos rejeitados pela sociedade. O seu salvador é Vincent, um homem com rosto de leão, mas um coração de ouro. O que era maravilhoso na série não era apenas o amor forte que nem um rochedo entre a bela e o monstro, mas também a vida nos túneis, um mundo mais sábio e povoado de uma estranha beleza melancólica. Infelizmente, a série nunca mais voltou a ser a mesma com a morte da personagem de Catherine que, antes de ser assassinada, deu à luz o filho de Vincent raptado por um homem de nome Gabriel. Mesmo assim, as primeiras duas temporadas foram inesquecíveis.

beauty

The Pretender
The Pretender partia de uma premissa francamente interessante. Jarod é um génio, um rapaz isolado por uma instituição de nome The Centre que o torna alvo de uma experiência através do qual se transforma num pretender, um homem com a capacidade de se tornar em qualquer pessoa ou assumir qualquer profissão. Até ao dia em que Jarod foge do centro e parte em conhecimento de um mundo que não conhece, procurando a verdade sobre a sua família. Embora as story-lines fossem na sua maioria repetitivas e seguindo sempre a mesma lógica, era interessante o suficiente ver Jarod em cada episódio assumir uma persona diferente e constantemente ludibriar os seus perseguidores que o queriam de volta no centro. Em complemento, tínhamos uma Miss Parker determinada em vê-lo preso, inconsciente de estranhos factos em redor da sua família, e o mentor e protector de Jarod, o psicólogo Sydney. Numa fase mais tardia, houve também a introdução do perturbante Mr. Lyle, o representante de tudo o que é opressivo e cruel no mundo do The Centre.

Babylon 5
Ao contrário de muitos, eu nunca consegui nutrir um grande interesse por Star Trek (HEREGE!HEREGE!). Só me recordo de Star Trek Deep Space 9 e Star Trek Voyager, e nem uma nem outra deixaram grandes saudades. Lembro-me dos filmes que até eram interessantes, mas se havia série que realmente explorava o tema das federações galácticas com inteligência e boa dinâmica era Babylon 5. Uma estação espacial que constituía-se como território neutro e local de diplomacia nos conflitos galácticos, em Babylon 5 fervilhavam intrigas políticas e jogos de poder que tentavam a todo o custo minar a paz e prosperidade. Grandes histórias em cada episódio que não tinham medo de explorar temáticas complexas e também polémicas, funcionando também como uma reflexão da nossa própria realidade.

The Highlander
A minha segunda série favorita de todos os tempos. Primeiro vieram os filmes de Christopher Lambert que introduziram todo o conceito dos imortais e do jogo pelo qual disputavam the prize. E embora os filmes tenham o seu interesse, foi a série televisiva que fez jus ao potencial da história. Duncan Macleod, um imortal de 400 anos, mostra-se relutante em se envolver no jogo dos imortais com a suas regras específicas: defrontar-se em combate singular com um imortal até que um morra por decapitação e nunca matar um imortal em território sagrado. E o jogo deve continuar até que exista apenas um. Durante muitas temporadas, a série contou a saga de Duncan e os seus amores e desamores, os amigos e inimigos. Para adicionar um maior interesse, cada episódio continha flashbacks do seu passado. Tanto podia ser Duncan a servir como soldado na 1ª Guerra, ou a servir como actor numa companhia teatral do séc. XVII. Episódios especialmente bons foram os que envolveram a sua companheira Tessa (mais tarde morta por um bandido), mas também numa fase posterior, a presença de Methos, o imortal de 5000 anos, que foi numa das suas vidas passadas um dos quatro cavaleiros da Apocalipse. O declínio da série deu-se com a morte de Richie, um dos discípulos imortais de Duncan. Mas ficou uma série de culto com a fabulosa música dos Queen a abrir o genérico. Príncipes do Universo, sem dúvida.

Space Above and Beyond
Uma das mais inteligentes recriações da temática “guerra dos mundos” em ficção científica teve o tempo de vida equivalente a um piscar de olhos. Sofrendo do mesmo mal que Firefly, a FOX cancelou a série ao fim da primeira temporada. As influências de Joe Haldeman, Norman Mailer ou Robert Heinlein estão presentes na história de um grupo de marines no ano de 2063, uma época em que a Humanidade já dera os primeiros passos de colonização de outros planetas. Um misteriosa raça alienígena, os Chigs, atacam colónias terrestres, desencadeando a guerra total. Seguindo as vidas de cadetes que se transformam em veteranos de guerra, as histórias e sub-histórias tinham uma complexidade a anos-luz do seu tempo. Ao lado dos humanos, lutavam os In-Vitros, uma raça artificialmente criada, não sendo pouco frequentemente vítima de segregação racial. A série tinha a audácia de retratar soldados mostrando o medo, desespero, toxicodependência, instrumentalização política do exército, moral e ética subjacentes às suas vidas. Nada permaneceu sagrado para os criadores desta série, determinados a questionar e expor a actuação das tropas, tanto que a descoberta nos últimos episódios de que o inimigo contra o qual lutavam com tanta ferocidade e desprezo eram antepassados dos terráqueos destrói por completo a força das suas causas. Um dos melhores exercícios de auto-crítica americana que merecia muito mais destaque do que aquele que obteve.

SAAB

X-Files
Ainda me lembro na perfeição dos primeiros minutos do episódio piloto de Ficheiros Secretos. Foi o início de uma longa devoção da minha parte à série que me cativou de forma incondicional. Não era recomendável para uma pequena criança e tinha cenas realmente assustadoras, mas nunca foram as histórias que me prenderam, nem tão pouco a atenção dada em cada caso a freaks capazes de manifestar estranhos poderes que na maioria das vezes os destruía por completo. Era sim a fabulosa cumplicidade de Mulder e Scully, mas deixo que as palavras de um jornalista americano descrevam por mim na perfeição a relação entre o casal – what was unique was the portrayal of profoundly connected souls for whom sex was not so much undesirable as largely irrelevant. Their fierce devotion to each other and their unwavering trust was the heart of the show. A série já muito antes da saída de David Duchovny mostrava sinais de declínio na originalidade e coerência narrativa, mas ainda que tenha havido uma interessante renovação com o actor Robert Patrick, o canto do cisne já tinha soado. Mas Mulder e Scully permanecem ainda hoje como mitos.

Merlin
Por mais estranho que pareça, a história do Rei Artur nunca viu uma boa adaptação a cinema. Existe Excalibur, com os melhores diálogos arturianos, mas um filme já datado e um pouco chocho em certos momentos. Em televisão, o caso muda de figura. A série Merlin tinha um excelente casting de actores vindos do cinema, nomeadamente Sam Neill, Miranda Richardson, Helena Bonham Carter, Martin Short, Rutger Hauer, só para mencionar alguns. Em vez de se limitarem a contar uma versão da história, misturaram os melhores elementos da fantasia arturiana nas suas mais variadas versões, com uma maior inclinação para as pagãs, construindo uma série consistente e realmente apelativa às audiências. A história de Merlin e Nimue, Morgana e Mordred, Uther, Igraine e Artur nunca foi tão bonita, mostrando o declínio e desaparecimento das antigas forças da terra, dando lugar a um novo mundo do qual Merlin nunca fez parte.

3rd Rock From The Sun
São muitas as séries de humor que atingiram aclamação universal, mas 3rd Rock from the Sun era algo a roçar o genial. A série girava em torno de um grupo de quatro extraterrestres que se estabeleceram na terra como uma família, mas eram na verdade observadores dos modos de vida dos terrestres. Cada episódio mostrava como o grupo lidava com a sociedade e tentava compreender os humanos, na maior parte das vezes sem grande sucesso. No fim ficávamos a pensar quem seria mais alienígena, eles ou a Humanidade com os seus estranhos costumes e estranhas formas de relacionamento. Mas era precisamente nessa forma de questionar tudo do ponto de vista de um outsider de uma forma hilariante que assentava muito do dinamismo e frescura da série. A vida nunca foi tão estranha como em Terceiro Calhau a Contar do Sol.

Lost
E porque não me gosto de repetir, sobre Lost escrevi um texto nos Filhos de Athena.

Futurama
Embora reconheça a qualidade de uma série como Os Simpsons, o facto de se tratar de uma animação fez com que a maioria julgasse ser um produto adequado para crianças no tempo em que começou a ser exibida (inícios dos anos 90). Sendo na altura ainda muito criança para compreender a sua forte componente satírica, nunca caiu nas minhas boas graças e o sincero nojo que me inspirava Homer condenou inevitavelmente a série aos meus olhos. Mas Futurama, já numa fase mais tardia, era um produto genuíno de boa disposição e humor inteligente. Combinando histórias de sci-fi muito cool e descontraídas, com personagens maiores que a vida como Fry, o homem das pizzas congelado durante 1000 anos, Leela, uma capitã mutante e Bender, um robot demasiado humano por vezes, todos viajam no universo arriscando as suas vidas para fazerem entregas ou realizarem actos de caridade. Animação com muito absurdo, imaginação e humor ao melhor de Matt Groening.

futurama

The Storyteller
Para a minha geração, Jim Henson está ligado a boas memórias. Não só graças ao show dos Marretas, um exemplo de como a arte dos bonecos nunca morrera a favor de animação digital, mas também graças a filmes como Labyrinth e Dark Crystal. Mas o programa que me deu mais prazer foi a do velho encerrado num castelo lugúbre a contar histórias ao seu cão marreta. Recentemente tive a oportunidade de rever alguns dos episódios e constatei com agrado que envelheceram bem e ainda conservam muito da aura fantástica que permeia todas as criações Henson. Para além dos 9 episódios de The Storyteller, foram realizados alguns dedicados a mitos gregos, como Orfeu, Teseu e Medeia. Com um toque algo tenebroso e realista, The Storyteller era um mestre contador de histórias e com as suas palavras tecia verdadeiros encantamentos.

Firefly
Firefly nunca teve a pretensão de ser uma obra-prima da ficção científica que lida com temáticas perturbantes e exaustivamente filosóficas. Era sim, uma combinação de western transposto para tripulações no espaço com um conjunto de personagens a transbordarem de personalidade e carisma, envolvidos em peripécias onde não podia faltar o humor e a ideia de que tudo se irá resolver, a bem ou a mal. Cancelada pela FOX, gerou um tal grupo de fãs que se tornou possível realizar um bom filme – Serenity – a encerrar a história desta tripulação. O Capitão Malcom Reynolds, um antigo capitão de guerra do lado dos derrotados, lidera uma nave de classe firefly que transporta um grupo bem peculiar que inclui River e Simon, a dama de companhia Inara, Shepherd Book, Zoe e o marido Wash, Kaylee e Jayne. Juntos envolvem-se em negócios dúbios e salvamentos arriscados, com boas doses de piadas e situações absurdas. Em resumo, uma cowboyada no espaço imperdível.

Battlestar Gallactica
BG tem dado que falar nos últimos dois anos como uma das melhores séries de FC dos últimos tempos. Um remake da série dos anos 70, conseguiu ultrapassar o original em todos os sentidos e ainda reinventá-lo ao transformar a personagem de Starbuck numa mulher. Vi a mini-série e esta explica as origens do conflito que desencadeou a viagem da tripulação. Os humanos foram derrotados na guerra contra a inteligência artificial, e após verem a maioria das suas colónias destruídas, o comandante Adama e a presidente Laura Roslin lideram os últimos sobreviventes na busca de uma lenda, a 13ª colónia perdida, o planeta Terra. Mas enfrentam a ameaça sempre presente dos Cylons, robots que conseguem assumir a aparência humana. A série conta as aventuras e desventuras da tripulação em busca do planeta, e embora ainda não a tenha visto (já tenho os DVDs!) promete manter o espectador preso com bastante suspense, bom enredo e profundidade psicológica.

Menções honrosas

Highway to Heaven (Um Anjo na Terra)
Michael Landon foi uma das estrelas mais populares da televisão dos anos 60 a 80, graças a Bonanza, Uma Casa na Pradaria e Um Anjo na Terra. Esta última tinha uma história relativamente simples. Um anjo na terra ajudava pessoas em crise de modo a poder ganhar as suas asas. A acompanhá-lo sempre tínhamos um ex-polícia, Mark Gordon. Não era brilhante, mas para uma jovem rapariga tinha um certo apelo, pois parecia-me na altura ser feito de uma naturalidade que o tornava convicente e genuíno. Tocante por vezes, repetitivo em muitos momentos, conserva todas as qualidades e defeitos das séries do seu tempo.

Quantum Leap
É raro uma série televisiva conseguir viver através de apenas duas personagens que não sejam um casal amoroso. No caso de Quantum Leap tínhamos um cientista, Sam Beckett, que acreditava ser capaz de viajar no tempo, mas ao iniciar prematuramente uma experiência vê-se preso no tempo e a assumir a identidade de pessoas em épocas diferentes. O seu único elo de comunicação é Al, um holograma, e ao esperar que cada salto no tempo o retorne a casa e ao seu mundo, Sam ajuda as pessoas que conhece a reporem as suas vidas. Uma série amistosa, sem outras pretensões senão a de dar um bom entretenimento e Dean Stockwell e Scott Bakula sabiam como manter o espectador fiel a cada episódio.

Sliders
Sliders, embora nunca tenha sido brilhante, tinha alma. Um rapaz-génio, Quinn Mallory, e os seus companheiros viajam em cada episódio para universos paralelos, mas nunca conseguem regressar a casa. Em vez disso, vêem-se envolvidos na socidade e intrigas de cada universo, dando origem a episódios interessantes onde a História era subvertida. Bom elenco, boas histórias, e dramático quanto baste.

Captain Power and the Soldiers of the Future
Esta série merece uma menção honrosa não necessariamente pela qualidade, mas por ser a primeira série de televisão que me lembro de ver. Só me recordo de algumas imagens, não o suficiente para poder dizer do que se tratava. Uma pesquisa na net indica-me que esta série realmente existiu e não foi produto da minha imaginação. Basicamente, consistia na luta de um grupo de guerrilheiros contra poderosas máquinas maléficas que dominavam a terra no futuro. Lembro-me do entusiasmo que provocava. Um bom sinal, não?

Earth 2
Muitas séries e livros de ficção científica mencionam a colonização de outros planetas, mas Earth 2 mostrava realmente todo esse processo de habitar uma nova terra, nem sempre fácil e muitas vezes hostil. Tendo sido a raça humana forçada a viver em ambientes artificiais após a extinção da Terra, um grupo de rebeldes liderado pela capitã Devon Adair, capaz de tudo para salvar a vida do filho vítima de uma estranha doença fatal, arrisca começar uma nova vida num planeta com condições semelhantes à terra. Terão que enfrentar a animosidade da raça local e todos os perigos e obstáculos inerentes à colonização. Tinha coisas boas como más, sendo uma série equilibrada e com personagens cativantes, embora lhe faltasse um certo aprofundamento em certas matérias, nomeadamente, sobre o planeta em si. Mas confesso que não vi todas as temporadas e não sei do destino final dos colonos.

Dragon Ball Z
Agora estão todos a pensar que enlouqueci ao mencionar este programa. Tinha obviamente as suas falhas, mas é o último programa que me lembro de reunir um tal culto de espectadores em seu torno a ponto de tudo suspender a respiração só para ver o próximo episódio. Claro que cada inimigo demorava meses e meses a ser derrotado, e tinha antes que passar por uma série de transformações incríveis que só o tornavam mais e mais invencível. E perdeu-se a conta às vezes que Songuku morreu e ressuscitou. Mesmo assim, as personagens eram tão vívidas e engraçadas, assim como a interacção entre amigos e inimigos que era difícil não continuar a seguir a acção. O melhor de Dragonball terá sido desde a chegada de Vegeta e companhia ao planeta Terra, oriundos do mesmo planeta que Songuku,até à derrota de Bubu. Os episódios sobre Sel foi talvez quando a dragonball mania atingiu o pico. Pessoalmente, gostava muito também da relação afectuosa (ou não) entre Vegeta, Bulma, Trunks, Sogohan, Kika e Songuku, assim como outros. Que atire a primeira pedra aquele que nunca viu Dragon Ball.

DBZ


Gostaria de ter visto, mas ainda não tive a oportunidade:

Dr. Who
The Prisoner
Carnivále
Conan, o Rapaz do Futuro
Farscape


De evitar

Batman
Embora esta versão venha dos longínquos anos 60, houve tempos em que foi reexibida no canal 2. É um facto da vida que Batman perdeu qualquer credibilidade como cavaleiro das trevas graças a essa adaptação dolorosamente má e francamente ridícula. Nos anos 80, houve um revivalismo do fenómeno Batman graças ao artista Frank Miller, Alan Moore e os filmes de Tim Burton que fizeram esquecer essa imagem kitsch e redutora, voltando a conferir ao super-herói um estatuto e uma ambivalência à altura da sua figura de homem morcego.

The Flash
Quando o mundo ainda não tinha sido invadido pelas hordas de super-heróis adaptados para o cinema, existiu The Flash. Baseado na banda desenhada do mesmo nome, contava as aventuras de um homem com o poder de se mover a uma velocidade que desafia as leis da física. Mesmo sendo pequena na altura em que foi exibida, conseguia perceber como era incrivelmente repetitiva e aborrecida.

Lois & Clarke
Eu devia ser muito nova quando via isto, e já então na minha tenra idade considerava a série detestável. Sou só eu a achar a história do Lois & Clarke o maior aborrecimento e parvoíce à face da terra?

Smallville
Eu nunca entenderei o fascínio americano por um dos super-heróis simplesmente mais lineares e ínsipidos da história da BD. Como se já não fosse mau o suficiente recriar ad nauseam as aventuras de Clark Kent e Lois Lane na vida adulta, temos direito a assistir aos anos da adolescência. Fraco como tudo em produção e em histórias, embora tenha um elenco credível.

Brumas de Avalon
Embora não sejam das minhas obras favoritas a fantasia, o quarteto de Marion Zimmer Bradley terá os seus pontos fortes, assim como os pontos fracos. O primeiro – Lady of the Lake – tem um ambiente mágico bastante forte e verosímil, emoções fortes e todos os ingredientes de sucesso, mas tentar condensar em 4 ou 5 horas uma saga de 4 livros é desperdício de tempo e dinheiro. Acabou por ser uma adaptação insípida a incidir nas cenas mais banalizadas da saga arturiana, sem acrescentar nada de novo ao novelo de adaptações infernalmente românticas e chochas sobre o Rei Artur.

mists

Hercules
Percebemos sempre que alguma coisa cheira mal em séries históricas ou mesmo de fantasia quando os actores e o mundo retratado conservam os tiques, maneirismos, linguagem do seu próprio tempo. Tal coisa arrasa qualquer verosimilhança de cenário, e impossibilita uma suspensão de descrença necessária para acreditar em qualquer história que se preze, e ainda mais uma história da mitologia clássica como Hércules. Hoje considero Hercules: The Legendary Journeys como o pai de uma tradição de séries impressionantemente más e americanizadas, mas incrivelmente populares. E é a Hércules que temos que agradecer o imortal spin-off … Xena, the Warrior Princess.

Andromeda
Começo a detectar um padrão aqui: tudo o que envolve Kevin Sorbo, o actor de Hércules, é mau. A história não tinha nada de novo em relação ao habitual tema de uma tripulação a viajar no espaço liderada por um capitão carismático quanto baste. Fraquita.

Xena, the Warrior Princess
Xena é daqueles fenómenos da nossa cultura tão estranhos e incompreensíveis que deveriam dar origem a teses e mais teses de mestrado. Uma figura icónica da cultura pop dos anos 90, mil vezes parodiada ou homenageada, a série era na verdade bastante má, embora admita que era mais interessante a personagem de Xena do que a de Hércules. Uma antiga vilã que se decidiu redimir de um passado de guerra e crime, Xena revolucionou o tratamento das personagens femininas, não só a nível de acção heróica, como também sexualidade. Uma pena que estivesse ao nível da série Hércules, mas mesmo a debilidade das histórias e concepção não impediu a fama universal de Xena que, queira-se ou não, é fortíssima.

Dune
Dune é uma das minhas obras de eleição, o que só me torna especialmente exigente em relação às adaptações tanto cinematográficas, como televisivas. Os primeiros três livros (são seis) decorrem em torno da figura messiânica de Muad’Dib ou Paul Atreides e são reminiscentes da história do profeta Maomé e da ascensão das tribos do deserto que, com o tempo, tornaram-se implacáveis guerreiros, paladinos da islamização. A cultura Fremen criada por Frank Herbert bebe muito da cultura árabe e das tribos berberes nómadas do deserto, mas essa é apenas uma porção de um universo ficcional infinitamente rico onde a ecologia, filosofia, misticismo, ficção científica são elementos que desencadeiam um jogo político e social denso, mas também profundamente absorvente. Por consequência, não existe até à data nenhuma adaptação satisfatória de Dune. Nem sequer a versão de David Lynch. Tentar explorar o universo Dune em algumas horas é o mesmo que tentar conter a água de um lago nas mãos.

Earthsea
Não. Pensando duas vezes, não vou falar desta série. EVITEM A QUALQUER CUSTO! Se já sou exigente com Dune, sou EXTREMAMENTE exigente com Earthsea. Mau e mau, é só o que tenho a dizer.

And that’s all, folks!

9 Comments

  1. Alkimyst said,

    Bom resumo, mas fiquei sem saber qual é a tua série favorita…😉

    Quanto às séries que ainda não viste, recomendo vivamente, e tenho quase a certeza que vais adorar, o Carnivale. Se quiseres ver eu tenho a S1 em DVD…

    O Farscape também é muito bom mas mais levezinho. A Jim Henson Co. estava ligada à série.

  2. Safaa Dib said,

    A minha série favorita era os Ficheiros Secretos. Não cheguei a dizê-lo, mas pensei estar implícito.

    Hmmm, sou bem capaz de te cravar o Carnivale, mas daqui a uns tempitos.😉

    O Farscape já me têm elogiado bastante, fiquei curiosa.

  3. Artur said,

    Este post foi fabuloso!

  4. Safaa Dib said,

    Obrigado!

  5. Artur said,

    Não mencionar a série V não é grande falha – era bastante fraquita, com uns laivos de seres alagartados que chegavam à terra com grandes promessas de revolução tecnológica mas que na realidade andavam era atrás de gado para os seus palatos. No fundo, uma versão do conto clássico de Damon Knight, To Serve Man.

  6. Loupenko said,

    então e a série do Guilherme Tell? alguém se lembra?

  7. Troll said,

    Muito legal!

  8. jose said,

    olhem sabem aonde posso arranjar a serie space above and beyonde

  9. wagner luiz said,

    l olá tenho 56 anos e sempre fui fã de seriados americanos de ficção científica deste os anos 70. têm um seriado em especial que procuro informações que passava na globo de sábados á tarde junto com os waltons. tratava-se da história de uma gigantesca nave plataforma ond viviam remanescentes do planeta terra numa espécie de colônia. ela passava na globo por volta dos anos 70 a 73 +/- e infelizmente o nome apagou de minha memória mas gostaria de rever

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