The Last Man

April 23, 2006 at 7:24 pm (Livros/BD/revistas)

Ando a ler a comic Y – The Last Man de Brian K. Vaughan e Pia Guerra publicada pela Vertigo. Ainda nao terminou a publicação, mas dos 40 fascículos que já tive oportunidade de ler até agora revelou-se como uma inteira e agradável surpresa.

Yorick

A história descreve um mundo em que os todas as criaturas com cromossoma Y foram dizimadas por uma praga. Todos os homens de um minuto para o outro sucumbiram aos efeitos dessa doença misteriosa, excepto um, Yorick Brown e o seu macaco, de nome Ampersand.

Existe uma tremenda fascinação pelo mito do último homem vivo na face da terra. Traz consigo uma simbologia poderosa e, muitas vezes, associada a cenários pós-apocalípticos onde morre toda a esperança. Mary Shelley, a mãe do monstro de Frankenstein, publicara o romance de Ficção Científica em 1816, The Last Man, a quem se fazem as devidas referências e homenagens na banda desenhada. Nietzsche abordara o conceito na sua obra Assim Falava Zaratustra e já O’Brien dissera a Winston no final desolador de Ninety Eighty-Four de George Orwell.

If you are a man, Winston, you are the last man. Your Kind is extinct. We are the inheritors.

No caso de Y – The Last Man, os herdeiros são as mulheres sobreviventes que terão que lidar com a morte de todos os homens e enfrentar uma sociedade inteira que colapsara de um momento para o outro. O mundo transformara-se num palco onde mulheres com sentimento de culpa e complexos de inferioridade têm a consciência aguda de que são a última geração na terra. Mas se Yorick sobreviveu, cedo se apercebe de que tudo o que o rodeia se tranformou num autêntico pesadelo que coloca a sua vida constantemente em risco.

Se por um lado, temos uma temática trágica e bastante negra, o humor contagia as páginas com a atitude de Yorick, um mágico de palco especialista em fugas. Ao seu lado, encontra-se a Dra. Allison Mann, de ascendência asiática, e geneticista que irá tentar encontrar o mistério por detrás da sobrevivência de Yorick e Ampersand e uma solução para pôr um fim à praga. A agente secreta 355 é outra das suas companheiras de aventuras, disposta a tudo para preservar a vida de Yorick, o último homem, embora pertença a uma fraternidade secreta que se desconhece os propósitos e origens.

O que é inteligente e notável na BD de Vaughan e Guerra é a maneira como expõe as várias formas que cada mulher encontrou para lidar com a extinção dos homens. Se por um lado temos as Amazonas que queimam o peito e louvam a morte da aberração do cromossoma Y, temos também as mulheres do exército israelita com as suas noções distorcidas de pátria e dever, mas também aquelas que decidiram assumir o papel masculino na sociedade, não só no plano psicológico, mas também físico. Tudo é meticulosamente pensado e delineado. Pessoalmente, adorei a parte em que os russos revelam que existem ainda dois homens astronautas vivos no espaço e procuram fazê-los aterrar em segurança. Ou quando Yorick e os seus companheiros chegam a uma pequena comunidade de mulheres que conseguiram lidar notavelmente bem com as suas circunstâncias, até se descobrir que na verdade são um grupo de presidiárias.

A série é intensamente dinâmica e com uma atenção ao pormenor e uma sensibilidade às relações e sentimentos humanos que já a tornou como uma das BDs mais aclamadas dos últimos anos. Recomendo fortemente, pois não só tem um humor delicioso, como destruiu por completo o mito do homem como super-herói, sendo uma BD na realidade sobre a (in)capacidade e força das mulheres para lidar com a adversidade. E não quero dizer com isto que seja uma BD feminista! Muito longe disso, muito longe disso. Leiam e vejam por vocês próprios.

E para que não duvidem da qualidade da BD, o autor recebeu uma nomeação para os prémios Eisner (os vencedores são anunciados na Comic Con de San Diego em Julho, e o George R. R. Martin também vai lá estar!) e a New Line Cinema comprou os direitos para uma adaptação cinematográfica, com guião escrito pelo próprio Vaughan.

Ditos&Feitos

RTP1 já fez porcaria hoje. Arruinou todo o horário dos fãs portugueses da série LOST que esperavam ver repetido hoje, ao Domingo, o episódio de Terça. Afinal qual não é o espanto quando se descobre, por acaso, que é um novo episódio! Apanhei por sorte os últimos vinte minutos e passei-os o tempo todo a insultar a RTP silenciosamente. Esperemos que repitam na próxima terça.

Trekkies vão ter um novo filme realizado por JJ Abrams, o mentor de séries como Lost, Alias e Felicity (adorava esta série, nem fazia ideia que tinha sido criada por ele). Também andou metido no MI3 com o Tom que teve agora uma tomkitten.
Os trekkies obviamente deliraram, repara-se, não é? -> Too excited. Can’t think. Having geekgasm. Must locate towels. Isto não é mentira. Ain’t it Cool News obteve a informação da Variety.

Project, to be penned by Abrams and “MI3” scribes Alex Kurtzman and Roberto OrciRoberto Orci, will center on the early days of seminal “Trek” characters James T. Kirk and Mr. Spock, including their first meeting at Starfleet Academy and first outer space mission.

Oh Lord, Um Spock e Kirk adolescentes…

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