Tristes tristezas

October 15, 2010 at 10:33 am (Livros/BD/revistas, Strange Land)

É bom saber que o lançamento do Homem do Castelo Alto de Philip K. Dick esteve quase deserto. É sinal de que o nosso fantástico está cheio de boas obras e de grandes autores, de tal forma que o lançamento de uma das melhores obras do género numa nova tradução e acompanhada por um excelente ensaio, por um orador reputado no mainstream, não suscita sequer uma palpitação. Se antes estes acontecimentos eram raros, proporcionando ao fandom uma oportunidade para se encontrar, hoje é tão frequente que nem sequer justifica a deslocação a uma livraria…

A FC de qualidade já está tão divulgada entre o mainstream e a academia, que até a presença – que há anos seria pouco habitual – de uma personalidade televisiva para os apresentar é encarada com perfeita indiferença. E foi bom ver que NENHUM dos divulgadores de FC e autores esteve presente, estes últimos provavelmente por estarem a escrever mais um livro, para se juntar à mão-cheia que publicaram nestes últimos cinco anos…

Adenda: Comentário no fórum Bang! do editor Luís Corte Real ao lançamento do livro. Como penso que é relevante, transcrevo em baixo.

Triste, triste foi o facto de ninguém ter aparecido. É verdade que a apresentação do Nuno Rogeiro foi curta, mas teve mais conteúdo do que algumas apresentações que já assisti de uma hora. O Rogeiro foi directo e conciso. O livro de Philip K. Dick dava assunto para muitas horas, mas ele tinha de sair às 19h. E como a sala estava vazia e ninguém quis fazer perguntas, ele ainda foi embora mais cedo.

Apesar da excelência do autor e do livro e do mediatismo do apresentador, a sala estava às moscas. Foi uma boa amostra do interesse do fandom pela fc. Fala-se, critica-se, lamenta-se… mas poucos se mexem. Se não fosse a paixão que temos pelo género, deixávamos-nos destas aventuras e publicávamos apenas a PC Cast. Mas pronto…

Um abraço e votos de boas leituras,
Luis CR

Nova adenda: A caixa de comentários deste post foi fechada em virtude da discussão que tomou lugar nela ter cedido a trocas de galhardetes que não irei mais tolerar. Os comentários não foram apagados mas só surgem acedendo ao link do post.

56 Comments

  1. tchetcha said,

    É uma pena. Ontem, já tinha planos e não dava mesmo para desmarcar mas sempre seria mais uma pessoa interessada, mesmo que não fosse um dos divulgadores de FC. Não pensei que tivesse sido (corrido) assim tão mal.

  2. David Soares said,

    O lançamento de “O Homem do Castelo Alto” provou, terminantemente, que a ficção científica não está morta.
    Os leitores de ficção científica é que estão.
    Abraço.
    David Soares

    • Álvaro de Sousa Holstein said,

      Já é costume dares tiros no pé. Este é mais um.
      Que sabes sobre os leitores de fc, para te pronunciares assim?
      E afirmar que a fc não está morta tendo como referência um livro publicado originalmente em 1962, só demonstra que não suspeitas sequer sobre o que falas.
      Não que fique admirado. Basta ler no teu blog o post Dez dicas sobre escrita, publicado a 8 de Agosto.

      • João Seixas said,

        Caro Álvaro,

        Peço desculpa por me meter na conversa, mas sinto-me obrigado a observar o seguinte:

        Quando diz “E afirmar que a fc não está morta tendo como referência um livro publicado originalmente em 1962, só demonstra que não suspeitas sequer sobre o que falas.” é que me parece um pouco atirar a lado.

        Passando ao lado do facto de que a afirmação do David era meramente retórica e irónica, um dos sintomas do problema grave que a FC atravessa em Portugal é, precisamente, o facto de um livro com a importância deste – seja de 1962, seja de 1958 (o A CASE OF CONSCIENCE do Blish, por exemplo), seja de 1931, de 1911, ou de 1902, não estar constantemente disponível nas livrarias.

        Aposto consigo que se procurar um livro como o BRAVE NEW WORLD ou o 1984 (ambos co-optados) pelo mainstream), encontrá-lo-á disponível, numa ou outra edição, em grande parte das livrarias nacionais. Já se for perguntar por um livro como o THE MOON IS A HARSH MISTRESS, ou o TOWER OF GLASS do Silverberg, ambos publicados em Português, e ambos importantes no cânone da FC, não os encontra.

        Essa inexistência de uma presença constante dos textos essenciais do género é tão significtiva quanto a ausência de obras mais recentes e nossas imediatas contemporâneas.

        Pelo que sim, é relevante falar da morte da FC (ou dos seus leitores) com base num texto publicado em 1962.

        Seixas

      • David Soares said,

        Álvaro de Sousa Holstein:

        Tratar por “tu” quem não se conhece é uma clara tentativa de diminuir a pessoa com quem se está a dialogar, de maneira a que aquilo que se diga, por mais pateta que seja, passe com carimbo de aprovação. Na verdade, esta sua abordagem lembrou-me uma que um senhor, cujo nome não reza a história, dirigiu ao intendente Pina Manique, aproximando-se dele por carta e num tom não só informal, como deselegante, tratando-o, precisamente, por “tu”; carta à qual o Pina Manique respondeu com a pergunta «Já que não me conhecendo me trata por tu, pergunto-lhe se eu também posso borrifar-me para Vossa Excelência?» Na verdade, a palavra usada por Manique não foi “borrifar”, mas esta foi a maneira educada que eu encontrei para fazer uso delas para lhe responder.

        Em seguida, para desfazer o paradoxo por si apontado, de que estou errado ao dizer que a FC está viva, porque o livro que nos traz aqui à colação foi publicado originalmente em 1962, basta dizer que o lançamento que teve lugar ontem (em 2010) foi o de uma nova edição: por conseguinte, o livro, que é de ficção científica, está vivo. E acho que a FC também está, embora compreendo que, para quem viva das memórias da FC, como o senhor, seja bem mais apelativo preferir que ela esteja morta. Faz-me lembrar um professor que eu tive, que comprava o “Correio da Manhã” exclusivamente para ler as páginas da necrologia. Até este momento, sempre achei que esse meu professor era um caso isolado.

        No que diz respeito às minhas “Dez Dicas Sobre Escrita” (que, sinceramente, nem percebo qual é a relação que possam ter com o assunto do qual falam o artigo publicado nesta página e estes comentários, mas cada um tem as suas obsessões…), não tenho nada a acrescentar sobre elas: ou estava à espera que eu lhe desse por aqui uma Dica nº11, ou até mesmo uma Dica nº12 ou nº13, para que um dia destes viesse a escrever alguma coisa? Tenho pena de desapontá-lo, mas, para já, não tenho mais dicas.

        Cumprimentos,
        David Soares

      • Álvaro de Sousa Holstein said,

        Caro João,
        A afirmação do Sr. David era sim um apoio á crítica da promotora do lançamento, lançando assim o ónus para os ingratos que não compareceram e tinham obrigação de o fazer, ou o fandom e os leitores. Se fosse retórica e irónica viria “embrulhada” de outra forma.
        É indesmentível que o livro apresentado é um dos momentos altos da FC, mas isso não legitima que quem não consegue audiência para o que faz, se insurja contra aqueles que acha que lá deveriam ter estado. No mínimo é absurdo e comercialmente um tiro nos pés.
        Claro que muitos dos livros que gostaria de encontrar nas prateleiras das livrarias lá se não encontram, quer porque foram publicados e estão esgotados, quer porque nunca foram publicados cá. E aí temos City [1952 – Argonauta (1967), EA-FC (1955)] e The Goblin Reservation [1968 – Argonauta (1969)] de Clifford D. Simak ou Hyperion de Dan Simmons (1989), The Forever War de Joe Haldeman (1974) ou The Well of Stars de Robert Reed (2004). Mais assustador é as séries que ficaram a meio ou que nunca tendo sido publicadas na totalidade, viram volumes serem publicados sem respeitar sequer a ordem, como aconteceu com a série World of Tiers de Farmer.
        Se reler o texto do Sr. David verificará que ele afirma que a FC não morreu, apenas os seus leitores e não é ironia, é apenas um disparate. A ver se na Mesa-Redonda: “A Ficção Científica está a morrer?” em que participa com Luís Filipe Silva, João Barreiros, Telmo Marçal e Nuno Neves, conseguem não matar FC.

        Álvaro

    • Álvaro de Sousa Holstein said,

      David Soares,

      Verifico que a proximidade fez com que Vossa Graça viesse a terreiro, dirimir a sua indignação. Isso, é já uma novidade.

      Longe de mim pretender tratar Vossa Graça de forma menos respeitosa e muito me apoquenta que se tenha sentido diminuído ou sequer considerado que tal era o objectivo da minha interpelação. Aliás, a grande proximidade de Vossa Graça com o Digníssimo Intendente em cuja honra foi baptizada uma zona da capital, entretanto denunciada pela maneira informal como se lhe refere mencionando “o Pina Manique” sem qualquer outra fórmula ou adjectivação, deveria ter sido mais do que suficiente para esclarecer que Vossa Graça partilha a delicadeza de modos daquele dignitário, embora isso por vezes não transpareça nas páginas que Vossa Graça submete ao prelo. Reitero mais uma vez que não tive qualquer intenção de ferir Vossa Graça e muito lhe agradeço ter utilizado a palavra borrifar, evitando assim perder a elegância que sempre irradia.

      Conclui Vossa Graça que a reedição de uma obra mais de quarenta anos depois, permite afirma que um género continua vivo, o que não só é abusivo como irreal. Vejamos, se se reeditar Soares dos Passos isso nos permitirá afirmar que o ultra-romantismo está vivo? Este tipo de conclusões só mesmo para guardar carinhosamente sob estrágulos de veludo, com as armas plenas dos Teive bordadas. Nem o brilho do nácar conseguira resgatar para a luz as lúbricas gangas que Vossa Graça transporta.

      Posto isto, convém esclarecer Vossa Graça que nunca me dediquei à leitura das páginas de necrologia de jornal algum, pelo que a analogia é falaciosa e peca por extemporânea. A verdade seja dita, não esperava mais de Vossa Graça, pelo que não fiquei admirado com mais este exemplo da forma como tenta manipular a realidade e que se reflecte, por exemplo, quando decide vestir Pessoa com as roupas da mãe e cumulativamente descrever uma erecção, ou transformar um dos amigos imaginários do poeta em personagem de livro, interagindo com o próprio criador e daí saltar para Aleister. Não que estranhe, pois, Vossa Graça exibe reiteradamente nos seus escritos uma pulsão pela putrefacção e wicca .

      Permiti-me salientar que, ao contrário de V. Graça que vê remuneradas as suas acima referidas manipulações, o meu humilde acervo documental reunido em forma de memórias não me proporciona qualquer aumento pecuniário de património, mas tão somente a gratificação de proporcionar aos actuais leitores de uma FC que pretendo bem viva a noção de que, ainda que não haja “nada de novo debaixo do sol”, muito se fez outrora pelo género e sem grandes alardes.

      Compreendo a incompreensão de Vossa Graça, no que concerne às dicas; afinal são um produto seu, mas que isso não o impeça de se controlar e não desfiar mais nenhuma. Garanto que se porventura entender não produzir mais nenhum exemplar das ditas continuarei a dormir tão bem como até agora. E continuarei igualmente, com o Vosso perdão, a não as ter minimamente em consideração dado que nunca poderia almejar à exuberante forma como Vossa Graça escreve sobre as pulsões básicas em pleno uso de um vernáculo que não envergonharia as comerciantes de espécies piscícolas do Mercado do Bolhão.

      Não quero de forma alguma terminar sem garantir a Vossa graça que logo que encontre um espelho como o da madrasta da Branca de Neve lho enviarei, de modo a minimizar a enorme angústia que o aflige. Talvez não seja pior, Vossa Graça, dedicar algum do seu preciosíssimo tempo a equacionar uma pergunta alternativa a pôr ao espelho; quiçá relacionada com o Nobel, embora menos explosiva do que a invenção do criador do prestigiado prémio.

      De Vossa Graça, atentamente,

      ASH

      • David Soares said,

        Álvaro de Sousa Holstein

        Este nome é um arcano.
        Chamadouro enigmático,
        ou significante enfático,
        de invogais ao engano?…

        «O que se ofende de todos» –
        mas que etimologia irónica! –
        é “Álvaro” em fala saxónica.
        (E a divisa de seus modos.)

        Em “Sousa”, o verbo “ousa”
        tem ascendência melindrosa?
        Desconfio que isso é credível.
        Há nobre mais susceptível?

        Mas de fidalgo nem a bucela,
        pois sua apelidação sincrética
        está bem longe de ser genética.
        (Sem ADN ducal dos Palmela.)

        A Holsácia é a região
        de onde vieram os Holstein Beck;
        sobrenome com que este queque
        quer palitar reputação.

        Explicado o miscramento,
        do honorífico fraudulento:
        é candonga onomástica –
        plebeia como a mástica.

        Vã bazófia trepadeira.
        Só aqui “entre nous”,
        é apenas um “parvenu”,
        o Álvaro José Ferreira.

      • João Seixas said,

        Caro Álvaro,

        Desculpe responder-lhe neste comentário, em vez de no local próprio (um comentário mais acima), mas por algum motivo, a funcionalidade “reply” não aparece activada no seu comentário.

        Não pense que não compreendo o seu ponto de vista. De facto compreendo. Aliás, o primeiro artigo que escrevi para uma publicação do campo da FC, o boletim PARADOXO da Simetria, chamava-se, precisamente, “A FC MORREU? NÃO FAZ MAL, TEMOS SEMPRE OS OSSOS”. No entanto, isso não me impede de subscrever quer o post da Safaa, quer o comentário do David que, de forma curta e elegante, sintetiza tudo aquilo que venho escrevendo no meu blogue, com especial destaque para o debate com o Nuno Fonseca a este propósito, em Abril deste ano.

        E subscrevo ambos os textos porquê? Porque, como disse noutro comentário, e o Álvaro bem sabe, o fandom da FC é completamente distinto de qualquer outro fandom. O fandom da FC não é como o fandom do futebol, ou dos grupos musicais. É um fenómeno histórico e cultural, circunscrito, e muito particular, caracterizado por uma forte componente de actividade (ao invés de passividade). Um fã de futebol, por muito que seja activo, que vá ao estádio, que organize jantares, que faça apostas, que gaste dinheiro em camisolas e bandeirinhas, que vá apoiar a equipa à Conchinchina, está sempre privado daquela particular actividade do fã de FC: a possibilidade de influir directa e activamente no núcleo do objecto dos seus afectos. Por muito que um fã de futebol chie, proteste, gaste dinheiro, nunca vai poder definir a composição da equipa, a formação em campo, a estratégia de jogo.

        Já um fã de FC é diferente, porque o fandom é formado por uma particular cumplicidade de editores, críticos, autores, tradutores, meros leitores, que por vezes trocam de papéis e que sempre trocam ideias e vão, assim conformando o género. O Damon Knight e o Sam Moskowitz escreveram dois excelentes livros sobre o fenómeno – livros que deveriam ser de leitura obrigatória para os nossos ditos “entusiastas” do fantástico.

        Por isso também me choca que o lançamento de um livro como o do Dick, feito a pensar nos fãs, fique às moscas. Choca-me que os nossos leitores não tenham nada a dizer sobre aquele livro, não tenham qualquer curiosidade sobre aquele livro. Sobretudo por se tratar de um clássico incontornável. Compreendia mais depressa isso caso se tratasse de um autor desconhecido, onde por vezes a preguiça, o trabalho e a falta de tempo se sobrepõe à curiosidade. Mas não num caso destes.

        A FC só pode morrer quando morrerem os seus leitores. E estes, de facto, não dão grandes sinais de vitalidade.

        No debate em Letras – espero que apareça por lá – vamos tentar não matar a FC. Mas mais do que isso, vamos tentar fazer ressuscitação cárdio-respiratória aos leitores.

        Abraço,

        Seixas

    • Álvaro de Sousa Holstein said,

      David Soares,

      Não sabia Vossa Graça versada em genética, genealogia ou heráldica, contudo tenta demonstrar que o é. Pena que tenhais esquecido a Vossa quinta dica e assim cometido uma forma de “seppuku”, pois que sem a dignidade deste. Deveria saber Vossa Graça que demonstrar ignorância, é o caminho mais rápido para cair em descrédito.

      Quando falharem a Vossa Graça a inspiração, remeter-se ao silêncio, será sempre a melhor solução para evitar a vulgaridade.

      Estou certo que Vossa Graça já se questionou como se permitiu enveredar por tais veredas. Como mostra uma particular afeição pelo francês, não poderia deixar de lhe enviar algo nessa língua.

      Permita pois Vossa Graça e para que não me venha a acusar de não lhe mandar poesia alguma, aqui lhe enviar o “Argumento” do Canto Terceiro dos Lusíadas, na versão francesa de meu tetravô, publicado no ano do Tricentenário.

      «Gama dépeint au roi l’Europe belliqueuse,
      Les peoples et les moeurs, les pays et les lois;
      Il dit du Portugal l’origine fameuse
      Et du premier Alphonse il vante les exploits.
      Il décrit les combats, l´histoire glorieuse
      De nos plus grand herós, de nos plus nobles rois;
      Et le trépas d’Inez suivi de la vengeance;
      Et du faible Fernand la coupable indolence.»

      De Vossa Graça, atentamente,
      ASH
      P.S. Aproveito para aqui mandar os links que falharam na mensagem anterior:

      http://ttonline.dgarq.gov.pt/dserve.exe?dsqServer=calm6&dsqIni=Dserve.ini&dsqApp=Archive&dsqDb=Images&dsqSearch=FileName==%27TES03\TT-ACR-C-A-1-20_25v_c0048.jpg%27&dsqCmd=Show.tcl

      http://www.youtube.com/watch?v=F4NzvYsJXWY

  3. Gisela_Monteiro said,

    Eu acho que é como a Safaa diz, isto hoje em dia são tantos os eventos e tantos os lançamentos que devia estar a ocorrer outro lançamento de um grande clássico da FC noutro sítio e por isso… estava toda a gente lá.
    É a única coisa que faz sentido.

  4. curadoracorrentado said,

    Bem eu gosto do livro e do género da FC mas ninguém tem disponibilidade sempre e a toda a hora. Verdade seja dita que também não estou a par dos eventos…

  5. pco69 said,

    Já pensaram que o fandom também tem que trabalhar? E que nem todos conseguem estar em Telheiras às 18.30? E que ontem hove um acidente enorme na 25 de ABril que engatou quase todo o trânsito à volta? E que o fandom já conhece o “Homem do Castelo Alto de Philip K. Dick” à dezenas de anos? E não deveriam os remoques ser dirigidos para fora do fandom em vez de ser dirigida para dentro? Fizeram uma apresentação do Duna similar a essa do Castelo Alto? E também esteve às moscas?

    Nota) não estou a reclamar. Estou apenas a pôr por escrito algumas das questões que me vieram à cabeça ao ler esta entrada no blog.

  6. Jorge Matos said,

    “E que o fandom já conhece o “Homem do Castelo Alto de Philip K. Dick” à dezenas de anos?”

    Sim, sim, estou mesmo convencido disso…

    Jorge

  7. Safaa Dib said,

    Olha, pco69, ainda bem que não foste a Telheiras às 18.30 porque aí tinhas mesmo ficado a ver navios. Ao menos argumentavas comigo no meu blogue sabendo onde era a apresentação em causa. Se as pessoas não podem comparecer a eventos por motivos de força maior, é óbvio que não são as pessoas visadas neste post. Eu própria só consegui chegar no fim porque fiquei retida no trânsito.

    E desculpa mas não considero “o fandom conhece essa obra há décadas” uma desculpa válida para não se ir a este evento. Alguém por acaso deu-se ao trabalho de destacar as mais valias desta edição? O porquê de ser diferente e mais interessante do que a Argonauta publicada há coisa de 20 anos? O porquê de se justificar uma apresentação nesta obra em particular mais do que no Duna? Alguém se deu ao trabalho de se livrar do seu preconceito contra a figura mainstream do Nuno Rogeiro para saber se ele fez um bom trabalho ou não?

    Na verdade, os problemas são maiores e mais profundos e têm a ver com o próprio fandom que temos.

    Mas já agora vou recomendar ao Colóquio da Faculdade de Letras que eliminem todas as comunicações sobre obras com mais de 1 década de idade porque toda a gente que se interessa por FC já conhece essas obras. Vou antes propor um questionário nos eventos de Novembro “alguém sabe qual data de validade de uma obra de FC?”

  8. pco69 said,

    nova nota) reafirmo que não estou a reclamar mas apenas a por por escrito alguns dos pensamentos que me vieram à cabeça.

    Falando por mim. Nunca fui a nenhum forum fantástico. Não irei também a este nem à ‘jornada das estrelas’ (não me lembro agora do nome). Não é por nada contra, pelo contrário. Simplesmente sou extremamente preguiçoso. Nunca fui a nenhuma apresentação de livro. Nem FC&Fantasia, nem banda desenhada, nem de qualquer outra temática. Não me interesso por livros autografados nem por apresentações de obras.

    Voltando a falar por mim. Leio FC e Fantasia e lamento imenso não haver mais edições em português. Mas se vocês (vocês editores e não vocês Safaa Dib do Blog, porque há que fazer essa diferenciação) dirigem obras ao fandom, estão com um problema entre mãos. Eles/nós, somos poucos e não chegamos para dar lucro a uma edição de um livro FC. Como sabem, têm que dirigir as edições a outros que não fandom. E foi sobretudo isso que eu tentei constatar no meu primeiro comentário.

    Qual a validade temporal de uma obra de FC? A mesma de qualquer outra obra. Se é bom, perdura. Se não é, cai no limbo.

    Já agora, falando por mim, não consigo gostar de Dick. Não sei se pelas temáticas, se pelas traduções que li, mas nunca foi autor que me desse gosto.

  9. Safaa Dib said,

    Não dá para dirigir as edições ao fandom. Nós temos conseguido publicar para uma nova geração de leitores. Simplesmente, sentimos que desta vez o nosso esforço não recebeu uma retribuição muito justa e daí a decepção. Mas livros interessantes não faltam nos próximos tempos e, obviamente, não desistimos, mesmo nos casos de famigeradas “reedições”.

  10. Marcelina said,

    Acho que não houve a divulgação necessária! Recebo mensalmente (?) email de novidades da SdE e não me lembro de lá falar do evento/lançamento.
    Tenho a SdE no facebook e não vi nenhuma entrada sobre o assunto (o que não quer dizer que não exista, quer simplesmente dizer que não foi publicitado o nº de vezes necessário). E no blog da Sde só no dia 13 é que publicitaram! Foi muito em cima!
    E tenho pena de não ter sabido do evento, porque estive em Lisboa durante a semana e lamentei-me de não haver nada para fazer.

  11. curadoracorrentado said,

    Estou autorizado a comentar? É que o meu último comentário não aparece…

  12. Ricardo said,

    Eh pá, parece-me que estamos a exagerar aqui nos dedos apontados. Não sou, e até me encontro bem longe, de ser um consumidor de FC. Li algumas coisas… Agora, se alguém me viesse, nos meios em que leio, apontar dedos por não comparecer em eventos de lançamento de obras, particularmente os que decorrem ali na zona cinzenta do horário laboral/pós-laboral, posso assegurar que dificilmente eu voltaria a contribuir para caixinha de esmolas dessa pessoa, mesmo que os livros viessem debruados a ouro (e por preços não muito diferentes dos praticados).

    Não sinto que a ausência de pessoas nesse evento em particular traduza falta de interesse, apesar de poder assumir (e estar até solidário) que quem perde tempo de labor a organizar tais eventos se sinta frustado com isso.

  13. Safaa Dib said,

    Marcelina, também já me passou pela cabeça que possa ter sido a divulgação, mas neste caso começámos a anunciar no facebook e twitter a semana passada e esta semana insistimos mais na divulgação. Se noticiamos com demasiada antecedência, corremos o risco de as pessoas se esquecerem e parecermos um disco rachado nas nossas redes sociais, se noticiamos mais em cima do acontecimento consideram que é muito em cima da hora. De facto, não sei qual a melhor abordagem.

    Mandámos convites no facebook para os nossos amigos. A SdE tem cerca de 2500 amigos mas como o facebook tem um sistema que só permite convidar clicando em um amigo de cada vez, tornou-se muito moroso enviar a toda a gente, mesmo assim, enviámos cerca de 750 convites.

    Anunciámos no nosso blogue. O meu colega enviou a noticia para todos os jornalistas e bloggers da praça, tendo a notícia surgido em vários blogues populares como Bela Lugosi, tecnofantasia, correio do fantástico, etc. Também houve passatempos do livro a decorrer em blogues.

    Para além disto, ainda investimos em marketing nas livrarias propriamente ditas, tendo o livro recebido algum destaque.

    A nossa newsletter só se limita a anunciar as novidades e muito raramente fala de lançamentos a não ser quando se trata de autores muito fortes como Charlaine Harris ou George R. R. Martin.

    Também anunciámos no fórum Bang.Se podia ter sido feito muito mais em divulgação? Talvez. Mas não é a nossa primeira apresentação e nunca foi assim antes. A informação circulou entre vários leitores do género mas acho que simplesmente não havia muito interesse. Talvez por ser um autor morto e de ficção científica que os novos leitores não conhecem e os velhos leitores já conhecem bem demais…

  14. Safaa Dib said,

    Caro Ricardo,

    Tem toda a razão em exprimir a sua indignação com o meu post, mas convém que eu esclareça uma coisa: Não estou a apontar o dedo para pessoas que não podem comparecer por motivos laborais ou de força maior. Estou a apontar o dedo para um determinado grupo de pessoas que já se envolve na área do fantástico há muiiiiiiiitooooooooooo tempo (designados por “fandom”) e que costumam divulgar o género e até já tomaram várias iniciativas interessantes no passado. São aquelas pessoas que são sempre contactadas por jornalistas quando se quer alguma opinião sobre ficção científica.

    Essas são as que actualmente não fazem nada, que dizem que a FC está morta, que lamentam a ausência de pessoas defensoras do fantástico em eventos e quando vão a eventos é para dizer como está tudo mal no nosso país.

    Queria só frisar isso.

  15. curadoracorrentado said,

    Pelos vistos não estou. Ok. Deve ser a hostilizar os poucos fãs do género que lá vão. Passar bem.

  16. Luís R. said,

    @curadoracorrentado:

    “Bem eu gosto do livro e do género da FC mas ninguém tem disponibilidade sempre e a toda a hora. Verdade seja dita que também não estou a par dos eventos…”

    “Estou autorizado a comentar? É que o meu último comentário não aparece…”

    “Pelos vistos não estou. Ok. Deve ser a hostilizar os poucos fãs do género que lá vão. Passar bem.”

    Acho que não preciso de dizer nada para responder a todas as dúvidas . . .

  17. curadoracorrentado said,

    Luis R.

    O meu segundo post nunca chegou a aparecer, horas depois de o ter colocado. Tentei por diversas vezes voltar a colocar o texto e não aceita. Dado que era uma critica concluí o óbvio (daí os os outros comentários que aparecem). Mas vou por tudo aqui de novo e vamos ver se este comentário passa ou não…

    Desculpem comentar de novo sobre o mesmo tema mas há aqui algo que me está a fazer confusão… os fãs precisam de desculpa para não comparecer? Os eventos são livres e parece-me algo narcisista culpar um fiasco destes nos fãs que são quem mantém as, poucas, vendas do género.

    Podemos todos concordar com falta de disponibilidade das pessoas para ir a eventos e até com uma literacia cada vez menor mas medir o sucesso ou valor de uma obra pelo número de pessoas que vai à sessão de lançamento é enfim… original enquanto critério. Se calhar é mais importante perceber porque é que os leitores não associam qualquer tipo de valor acrescentado a este tipo de sessões do que optar pela solução fácil que é do que rotulá-los de filisteus.

  18. Cristina Alves said,

    Muito simples. Pensei ir. Pensei levar amigos. O meu horário de trabalho é até às 19h. O da maioria dos meus amigos também.

  19. Ricardo said,

    Mas Safaa,
    “um determinado grupo de pessoas que já se envolve na área do fantástico há muiiiiiiiitooooooooooo tempo (designados por “fandom”) e que costumam divulgar o género e até já tomaram várias iniciativas interessantes no passado. São aquelas pessoas que são sempre contactadas por jornalistas quando se quer alguma opinião sobre ficção científica.”

    Este comentário não exclui que se esteja a falar de pessoas com vidas ligadas a algo que não o mercado livreiro! Se te queixasses de distribuidores, vendedores, críticos profissionais ainda conseguia compreender. Agora o fandom abrange antes de mais quem gosta (os fans não?) e algo me leva a crer que neste Universo há muito mais gente fora do negócio do livro, do que dentro.

    No teu comentário falas apenas do fandom. Se tens pessoas que sabes que se podiam deslocar e não o fizeram, fala dessas pessoas, não metas tudo no mesmo saco, porque com esse generalizar habilitas-te mais a perder futuros clientes que propriamente a segurar os que já tens…

  20. retratos said,

    Ricardo,

    Não estou a meter tudo no mesmo saco. Estou a falar de pessoas específicas e aludo especificamente a elas no meu post. Se mais pessoas levaram a mal, lamento, mas não era essa a minha intenção.

    Mas na verdade temos uma relação próxima com os nossos leitores, que penso que é no sentido de dar e receber. Ouvimos os nossos leitores, e é apenas natural que os leitores estejam dispostos a ouvir também os nossos desabafos, frustrações e decepções. Se não podemos fazer isso sem perder ou ganhar clientes, bom, então talvez o melhor seja remetermo-nos ao silêncio e passarmos a adoptar a atitude de muitas editoras que comunicam muito pouco com os seus leitores.

    De qualquer modo, tenciono escrever outro post a esclarecer a minha posição sobre esta temática, para que as pessoas entendam quem é que eu visava no meu post.

    Curadoracorrentado,

    Os seus comentários passaram e não tenho nada a ver com o facto de terem tardado. Não tenho por hábito praticar censura de opiniões contrárias à minha. Eu não estou a queixar-me de fãs não terem ido a eventos, acredite que não é disso que se trata aqui. Se eu deixasse que poucas pessoas presentes num evento me desanimassem se calhar não me dava ao trabalho de organizar eventos como o Fórum Fantástico.

  21. João Seixas said,

    Bom, parece-me que toda a gente tem desculpa para não comparecer a estes eventos. E, obviamente, as desculpas, sendo de âmbito pessoal, não se discutem.

    Mas isso não tira um átomo de razão ao que a Safaa escreveu e que eu compreendo perfeitamente. Pela simples razão de que o comentário da Safaa traduz um desânimo para com todos aqueles que da cátedra dos seus blogues, no remanso dos fóruns, nas mesas de café, criticam tudo e todos, alvoram-se defensores do Fantástico, promovem as porcarias escritas por qualquer gajo com duas patas e 37º graus de temperatura corporal que seja “simpático, humile e acessível”, mas quando toca a demonstrar o entusiasmo, a suar a camisola, fazem-se tão escassos como a capacidade governativa no presente executivo.

    A verdade é que a Safaa, provavelmente como eu, quando se refere ao fandim, refere-se aos ditos “serconfans”, cujo interesse pelo Fantástico não é de conveniência, mas de amor à camisola.

    Eu compreendo que seja difícil a quem trabalha comparecer nestes eventos em horário semi-laboral. Sendo profissional liberal, não padeço desses problemas.

    Mas não consigo compreender argumentos como aquele que diz que “o livro já não é o novo”, ou “o fandom já conhece o livro há muito tempo”. Sempre pensei que esse fosse um dos melhores argumentos para a presença de leitores neste tipo de eventos.

    Porque se a presença de uma personalidade como o Nuno Rogeiro não deixa de ter um objectivo de divulgação e de atracção de leitores que não são habituais no género, o evento em si não deixa de ser uma excelente oportunidade para os fans discutirem um livro que supostamente conhecem bem, trocar opiniões sobre ele e, porventura até, confrontar a sua leitura do livro com a que dele faz quem apresenta.

    Ou seja, tratando-se, como se trata, de um livro fundamental do cânone dickiano, um dos livros galardoados com o prémio HUGO, uma obra de culto da contra-cultura dos anos 60 e 70, quer nos Estados Unidos, quer em França, de fundamental relevo na análise da própria vida e carreira de Dick, e acima de tudo, um dos principais livros da FC do pós-guerra e da pós-Golden Age, parece-me que o facto de o livro ser bem conhecido devia suscitar nos fans, da FC, de Dick, do Fantástico, de David Soares e da Saída de Emergência um interesse acima do normal. Um entusiasmo por uma oportunidade de celebrar e divulgar um livro fundamental.

    Mas, claro, acho que essa situação, e sobretudo as justificações apresentadas – algumas com um tom de defesa pessoal que cheira a consciência chamuscada – deixa-me a impressão de que o diagnóstico do David é que está correcto: A FC não morreu… os leitores é que sim. Paz à sua alma.

    Seixas

  22. Álvaro de Sousa Holstein said,

    É espantoso como as lamúrias continuam a fazer parte do discurso de quem não obteve o que queria. Seria bom em vez de atirarem para cima dos outros a culpa dos próprios falhanços, tentar entender o porquê do falhanço. Mas a primeira solução é mais simples.

    Na verdade o livro não constitui novidade para os fans, mas também não o é para muitos outros; para além de que o dia e hora não eram certamente o ideal e a premissa de que a presença do Rogeiro seria um incentivo a uma maior afluência, foi também a demonstração de que não se sabe como chegar ao público alvo. Assim afirmações deste tipo «Se não fosse a paixão que temos pelo género, deixávamos-nos destas aventuras e publicávamos apenas a PC Cast.», são de todo descabidas, pois se fosse apenas o “amor à camisola”, não se usariam truques como o Rogeiro para atrair espectadores/possíveis compradores.

    Que a SdE tem publicado um conjunto de boas obras, também publicou algumas medonhas, o que a impede depois de tentar aparecer como paladino da qualidade.

    Uma coisa é de reconhecer, é que aqueles que “vivem” debaixo do seu guarda-chuva, vem sempre, sobretudo quando as coisas correm pior, demonstrar a sua lealdade. É bonito de ver.

    Intriga-me também os costumeiros ataques ao fandom, como neste caso e como se só existisse fandom na grande Lisboa. Mas como os eventos deste tipo se passam quase exclusivamente na capital, se calhar é mesmo isso em que acreditam e por isso tem este tipo de reacções.

    Intriga-me ainda que certas vozes que sempre se manifestaram contra este tipo de reedições e contra a edição de livros com mais de vinte anos, não tenham aparecido a terreiro a dar a sua opinião.

    Mais estranho ainda é este tipo de reacção:

    «A FC de qualidade já está tão divulgada entre o mainstream e a academia, que até a presença – que há anos seria pouco habitual – de uma personalidade televisiva para os apresentar é encarada com perfeita indiferença. E foi bom ver que NENHUM dos divulgadores de FC e autores esteve presente, estes últimos provavelmente por estarem a escrever mais um livro, para se juntar à mão-cheia que publicaram nestes últimos cinco anos…»

    Será que por o Rogeiro lá ir a fc fica legitima? Que a sua presença devia garantir casa cheia? Que quem lá não foi é um inimigo da editora? Será obrigatório os autores e divulgadores estarem presentes nestes eventos? Escrever em maiúsculas promove um melhor entendimento?

    Planearem melhor estas coisas é a melhor forma de evitar que isto se volte a repetir.

    Ao contrário do que afirmam certas vozes, curiosamente ligadas à editora, os leitores de FC não morreram, apesar de gostarem que fosse verdade.

    O axioma de que se não se vende, prova que não existem leitores, demonstra só por si a elegância de quem o formula.

    • Rui Carriço said,

      Iiiiiiipááaaa.

      Conquentão é espantoso como as lamúrias continuam a fazer parte do discurso de quem não obteve o que queria.

      Isso parece conversa de bacano que queria publicar na Saída mas não consegue mais do que a Edita-me, a Chiado ou a Antagonista.

      Na volta o bacano ainda é mas é monárquico e tá à espera de obter o que não conseguiu vai para 100 anos.

      Durma bem, que a revolução é já amanhã.

      R.

      • ;) said,

        Desculpe que lhe diga, mas acho que é de muito mal gosto e um desrespeito para os autores e editores da Antagonista que a esteja a misturar com vanity presses como a Edita-me ou a Chiado.

        E, já agora, a sua conversa parece tirada do recreio da escola primária. Soa-me aquela discussões de “a minha é maior que a tua” sendo a sua a sde. Cresça.

      • Álvaro de Sousa Holstein said,

        Caríssimo Rui,

        Afinal de que lado pousa o penico?

        Tudo o incomoda.

        Uma nota final: nem todos temos as mesmas fantasias e sonhos e nem todos confundem a velocidade com o toucinho.

  23. Jorge Matos said,

    Ó Álvaro, você não tem mesmo o mínimo sentido da ironia, pois não? Se não consegue ler um artigo com 5 ou 6 linhas, como se amanha com um romance?

    Jorge

    • Álvaro de Sousa Holstein said,

      Realmente com dificuldade se ele for a Marcada da Kristin Cast P.C. Cast.

      Sobre o sentido não tenho dúvidas, da ironia também não. Se era para ser irónico deveria ter equacionado de outra forma.

      Adoro branqueamentos.

      • Rui Carriço said,

        «Caríssimo Rui,

        Afinal de que lado pousa o penico?

        Tudo o incomoda.

        Uma nota final: nem todos temos as mesmas fantasias e sonhos e nem todos confundem a velocidade com o toucinho.»

        Ó bacano,

        toucinho, penico… a cota da tua avó é que tinha razão. Estrebaria é contigo e ainda não sacaste de lá os butes.

        Que tens outros sonhos já eu vi. Em ti nem a Antagonista quis pegar. Pra publicar tiveste que meter as verdes do teu bolso na Edita-me e na Fósnix.

        Como dizia o outro que falava xoginho aí pra cima: passar bem.

        R.

      • Álvaro de Sousa Holstein said,

        Rui Carriço,

        É admirável como continua a baralhar tudo. Em Trás-os-Montes esse estado é normalmente nomeado de “balhelhas”.

        Use que nome usar, não deixa de ser significativo que neste caso seja uma ave. Um dia destes vou ver a quem pertence a anilha.

        Aproveite entretanto para comprar as publicações de que fala e descubra lá o que publiquei. Já tem com que se entreter até ao Natal.

        A.

      • Rui Carriço said,

        Olhameste, a qrer chamarme pardal quando tem nome de vaca holandesa! Qanto às leituras do Natal só encontro «Autor, V.N. Gaia» «Autores» e «Black Sun Editores». Cola-lhe a «Publica-me» (publicame, por favor publicame queu sou brasonado, e se não me publicares eu pago) e a Fósnix, e pimba qué bacano das vanities e da auto-promoção.

        E atão, o balhelhas voou com distinção ou quê?

        R.

      • Álvaro de Sousa Holstein said,

        É apenas mais uma carriçada de quem tem a pata presa.

        É que nem um voa baixinho, é mais um rastejar e mais nada.

        A ver se aparece quem mexe os cordelinhos.

        Quando quiser referir-se a alguma coisa que tal dar uma vista de olhos no google? É simples até mesmo para quem se assume como balhelhas.

        Diz a sabedoria popular: “canta rola”.

    • Álvaro de Sousa Holstein said,

      Caro Jorge,

      Já me esquecia, mas a minha avó sempre me disse que “Você é estrebaria”!

      Álvaro

      • Jorge Matos said,

        Caro Álvaro,

        A sua avó conhecia-o, certamente, melhor do que eu. Quem sou eu, portanto, para contrariar a senhora…

        Jorge

      • Álvaro de Sousa Holstein said,

        Não deixa de ser curioso, como certas vozes se aproximam e como optam por desligar as respostas. Não que estranhe e por mais Lucas que se faça, não deixou de lhe doer.

        Álvaro

  24. Ricardo said,

    Caro Álvaro,

    Numa entrevista recente a uma rádio, Nicolau Breyner diz que se não houver novelas e noveletas, torna-se complicado poder fazer audiovisual de autor. Muito pessoalmente, não me importo que a SdE tira umas Cast do baú (que não conheço), se de vez em quando puder ir lá buscar coisas como “O Último Anel” (este conheço e só posso agradecer).

    Penso que a questão da FC é que de tanto tempo dentro de um meio pequeno criou alguns burgos e tricas. Como observador externo, desagradou-me o dedo apontado ao fandom, mas só isso. Percebo perfeitamente a posição de alguém que perde (investe?) tempo a organizar um evento, que de resto por se tratar de algo novo, se quer que prime pela qualidade, e no final tem cadeiras vazias.

    @Safaa
    Penso que há formas e formas de nos dirigirmos às pessoas, nomeadamente quando queremos que as pessoas sejam clientes. Não temos de ser exactamente subservientes, mas convenhamos que, metaforicamente falando, abrir um leque e dizer “vocês são uns ingratos” pode não ser a mais indicada. Quando falei não foi no sentido de viverem (na SdE) obcecados com a relação com os leitores, mas antes de não permitir que os leitores sejam misturados com quem não interessa. Apenas isso!

    • Álvaro de Sousa Holstein said,

      Caro Ricardo,

      A minha nota foi exactamente no sentido de que a opção de “vocês são uns ingratos” não ser a mais adequada.

      «Quando falei não foi no sentido de viverem (na SdE) obcecados com a relação com os leitores, mas antes de não permitir que os leitores sejam misturados com quem não interessa. Apenas isso!»

      Espero que seja um pouco diferente do que diz. Prefiro não os imaginar capazes de pensar assim.

  25. retratos said,

    Cristina,

    Sempre foste impecável em todos os eventos que organizei e sempre trouxeste os teus amigos. E não quero que penses que estou aqui a fazer alguma acusação de falta de gratidão, embora possa parecer isso numa primeira leitura. A recepção ao livro e à apresentação foi decepcionante pelas mais variadas razões, e quis expressar isso. E eu percebi finalmente que há dois tipos divulgadores da FC: os que fazem as coisas por amor à camisola e pela literatura e os que fazem as coisa por amor ao seu ego.

    Seixas,

    O teu comentário sintetiza muitos dos pontos que estão subjacentes ao meu post e toda a minha actividade neste meio desde há anos leva-me a concluir que o meio português da FC (e aqui não falo dos leitores ocasionais ou fãs, falo mesmo de intervenientes activos, embora cada vez menos) não é saudável e é totalmente de evitar, coberto de enfermidades. Já nem sequer existe um colectivo, como existiu em tempos, tornando-se um meio terrivelmente individualista e possuído por obsessões pouco saudáveis.

    Agora é lutar por novos leitores e esquecer todo esse meio e todas as guerras e ódios que se arrastam infernalmente nele. Eu juro que não volto a cometer o erro e a ingenuidade de contar, a título pessoal, com o meio da FC e ter que os aturar constantemente a não dar valor a coisas boas que são feitas em Portugal (a não ser que o nome deles esteja envolvido…). Se o meu trabalho me obrigar a colaborar com eles, paciência, mas podem contar com uma atitude diferente da minha parte a partir de agora em relação a esse meio.

    Ricardo,

    São anos de frustração acumulada, entenda-se. Não é só de agora com o PKD. Essa talvez foi a gota que transbordou o copo. Mas tem razão quando diz que não se deve misturar os leitores sãos com os leitores que não interessam. Não volto a cair nessa.

    • Álvaro de Sousa Holstein said,

      Eu tinha acabado de dizer que era impensável o que o Ricardo apresentava como hipótese, afinal errei. É mesmo:

      «Mas tem razão quando diz que não se deve misturar os leitores sãos com os leitores que não interessam.»

      Enfim!

  26. Hugo Rocha said,

    Pela minha parte, sou fã de FC, não de lançamentos de livros; nunca fui a nenhum. De resto, desejo sorte com as vendas desta tradução (tenho uma edição inglesa, pelo que não serei cliente).
    Além disso, julgo haver aqui uma confusão: o objectivo de lançamentos como este é, acima de tudo, a promoção do livro. Trata-se de uma ferramenta de marketing (legítima, normal), não de um teste de literacia. Por outras palavras, o grosso do interesse nestes eventos é da editora/autor/tradutor/etc., não dos leitores. Dito isto, compreendo alguma frustração pela indiferença daqueles que, como os que organizaram o evento, se dedicam à divulgação do género por cá. Mas isso é um problema de comadres, nada diz sobre os fãs.

    • João Seixas said,

      Caro Hugo,

      Nada tenho a ver com os seus hábitos de leitura ou de consumo de livros ou frequência de lançamentos. Cada um sabe melhor do que ninguém da sua própria vida, e longe de mim querer impor hábitos alheios a quem quer que seja. Mas não queira reduzir absurdamente a questão dizendo que esta situação “nada diz sobre fãs”.

      A não ser que não compreenda qual o conceito de fã e de fandom no âmbito da FC. Mas isso já não é problema meu.

      Seixas

      • Hugo Rocha said,

        Pelos vistos não, não compreendo “conceito de fã e de fandom no âmbito da FC.” Julgava que era o mesmo de qualquer outro género literário — e não só –, my mistake.

  27. Bruno Jacinto said,

    Bem, antes de mais, devo dar os parabéns à SdE por uma excelente edição de um dos melhores, senão o melhor, livros de História alternativa. E pela belíssima capa apresentada. A tradução não sei, pois ainda não tive tempo de ler, mas a julgar pelos critérios de qualidade da Safaa, acredito que esteja impecável.

    Sinceramente não pude estar presente, tal como não tenho estado presente em qualquer evento de FC desde a vinda a Portugal do Martin. Porque? Por motivos profissionais e pessoais, não tenho tido tempo para me dedicar a isso. Pior, nem tenho tido quase tempo para ler, baixando de uma média de vários livros por mês, e por vezes por semana, para um livro passar mais de um trimestre a ser lido. Mas também sei, e sinto, que não sou um dos afectados pelo post.

    Leiam bem, e percebem o que consta no post, como pessoas inteligentes que espero que sejam. Notem que existe muita gente do dito “fandom” que quando querem aparecem em qualquer evento na região de Lisboa, seja numa terça feira as três da tarde, como depois no sábado de manhã seguinte, ou numa noite aleatória. Malta que desde de que lhes afaguem o ego e os façam sentir importante, de repetente aparecem em tudo quanto é lado, a dar a cara e a dizer que foram uma força motriz por trás do evento. Desta vez, e como em vez de meterem um orador do fandom, que iria buscar os amigos das palmadinhas nas costas, e fazer com que estes aparecessem, foram buscar Nuno Rogeiro. Cresci com este senhor a explicar as implicações internacionais do ataque ao Kuweit por parte das forças de Saddam. Percebi o que se estava a passar no Kosovo já com idade para perceber as coisas. E desde aí, especialmente agora nos canais de notícias, tem sempre algo a dizer sobre geo politica, e sobre as implicações de vitórias e derrotas em guerras. Que melhor pessoa em Portugal, concordemos ou não com as suas opiniões, para apresentar um livro como este?

    As marias ofendidas do fandom, e os seus seguidores, agora ficam ofendidos, por levarem um desabafo de quem fez algo para tentar trazer boa FC ao país, em edições de qualidade. Desabafos são legítimos e leais, aprendam com isso.

    Mas tão ou mais giro é ver ataques de pessoas que não gostam de quem desabafou (por exemplo Ricardo Loureiro no facebook, só para citar um), e aproveitam para tentar dizer mal só por dizer.

    Safaa, continua o bom trabalho, e caga em quem não merece. E quando quiseres desabafar no teu blog, da maneira que quiseres, força, é a tua liberdade!

  28. Flávio Gonçalves said,

    Caro “Rui Carriço”, a Antagonista, ao contrário das editoras mencionadas, NÃO É uma vanity press.

    • Rui Carriço said,

      Caro “Flávio Gonçalves”,se não é, my mistake. Mas parece. Fiquei com a impressão disso, porque os escritores que a Antagonista publica são os mesmos da Edita-me e da HM e da Corpos e da Chiado e outros que vivem das edições de auto-promoção como o Jorge Candeias a Carla Ribeiro a Marcelina Gama que é malta que eu só vejo na Edita-me e na auto-promoção. E as estórias tão cheias de erros e de gralhas e tem grafismo amador. Se calha. era melhor a Antagonista escolher melhor os escritores e as estórias que publica.

  29. Rui Carriço said,

    Ó Piscóolho lá de cima. Não posso crescer, se não fica mesmo muito maior ca tua.

    Mas pla maneira que escreves, com essa do mal gosto (diz-se mau gosto, bacano) vê-se logo qués autor de vanity.

    R.

  30. Safaa Dib said,

    Bruno,

    Obrigado pelo teu comentário e força! Se há alguém que poderia realmente compreender este desabafo só poderias ser tu que aguentaste tanto quanto eu durante muitos anos nos tempos da faculdade. Quanto aos que falam mal, deixá-los falar.

    Flávio, Rui Carriço e anónimo, não me parece que este seja o local indicado para diferenciarmos vanitys de não-vanitys. E Carriço, veja lá se se acalma que não tenho problemas em apagar os seus comentários por provocação deliberada a pessoas que não têm nada a ver com este assunto. Se tem problemas com os autores da Antagonista, agradeço que os leve para outro lado, não para o meu blogue.

  31. Safaa Dib said,

    Bom, como me parece que já toda a gente disse o que queria dizer e já fui tolerante demais com muitos dos comentadores, fecho a caixa de comentários deste post por ter morrido há muito a discussão para dar lugar a infelizes trocas de galhardetes. Na página principal do blog, os comentários vão desaparecer e vai dar a aparência que os apaguei, mas basta ler aceder ao link do post que eles voltam a surgir.

Comments are closed.

Follow

Get every new post delivered to your Inbox.

%d bloggers like this: