A máscara da felicidade

September 15, 2010 at 4:53 pm (Cinema e TV)

Várias coisas vieram-me à mente após ter visto a adaptação cinematográfica de Truffaut do livro de Ray Bradbury. Primeiro, esquecera-me da beleza e perfeição da prosa de David Copperfield de Charles Dickens,  uma prosa tão perfeita que inspira um novo sopro de vida na personagem emocionalmente morta de Bradbury, o bombeiro Montag. Segundo, esquecera-me do quão poderosa era a ideia de transformar as pessoas no próprio livro, de perpetuar a obra literária através da memória humana. As vidas dessas pessoas tornam-se preciosas e ganham um novo sentido. No livro de Bradbury, Clarisse pergunta a Montag se é feliz. Apanhado desprevenido, a sua mente começa a reflectir e a libertar-se da sua própria passividade, até finalmente chegar à fulminante conclusão.

He was not happy. He was not happy. He recognized this as the true state of affairs. He wore his happiness like a mask and the girl had run across the lawn with the mask and there was no way of asking for it back.

O que me fascina é esse breve momento de pânico em que Montag deseja ser de novo aparentemente feliz e ignorante dos males da sua sociedade. Mas não há um caminho de volta.

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6 Comments

  1. Samwise said,

    Viva,

    Never forget David Copperfield! ;-)

    Pois é. Eu era o tipo que fiquei sentado atrás de ti na esplanada e que tinha um livro com a trilogia do Hannibal Lecter em cima da mesa (de Thomas Harris, e não de Robert “Fatherland” Harris…).

    Já tinha visto o F. 451 há muito, muito tempo, na RTP 2, salvo erro, e achei-o, desta feita, um tanto ou quanto aborrecido. Não deixou, ao mesmo tempo e paradoxalmente, de me fascinar e prender aos aspectos da adaptação. Há uma atmosfera anacrónica que denuncia a época em que o filme foi realizado e que lhe dá um encantamento muito peculiar. Também gostei dos títulos dos livros que vamos vendo arder nas piras…

    Cumprimentos,

    Sam

  2. Safaa Dib said,

    Pois, eu vi-te por lá. Já te tenho visto na Cinemateca várias vezes. Também gosto de lá ir.

    Partilho a tua opinião sobre o filme. Também o achei um pouco aborrecido, especialmente no início, mas a adaptação não deixa de ser interessante em alguns aspectos. Curioso que a pessoa que estava comigo referiu o facto de o Truffaut ter utilizado edições dos anos 60 dos livros, o que logo aí denuncia, de facto, a sua época. Talvez tivesse sido mais interessante usar novas edições futuristas? Hehe.

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