Quer publicar gratuitamente? Ou talvez não…
Nunca como este ano se tem visto uma tal proliferação de empresas/indivíduos a oferecerem serviços especializados de edição que funcionem como uma alternativa à edição tradicional.
Num país em que se publica em excesso, não é inesperado que haja também aspirantes a escritores em excesso. Num mundo utópico, só se publicariam as obras de grande qualidade narrativa, mas não precisam que vos diga que isso não acontece. Temos livros de todos os tipos para todos os gostos. Alguns excelentes, outros tão maus que envergonhariam grandes editores da velha guarda. E se é verdade que nem tudo o que é publicado é ouro, também é verdade que nem tudo o que se deseja publicar é digno de alcançar o patamar da edição.
Acontece que neste mundo que se move a uma velocidade supersónica graças a redes sociais que nos permitem expandir a nossa rede de contactos e divulgar o fruto do nosso suor de formas impossíveis de alcançar há vinte anos, as pessoas são mais do que nunca encorajadas a mostrar os seus projectos. O lado pernicioso que existe nesta partilha de projectos é o facto de receberem opiniões demasiado positivas, induzindo o autor ou aspirante a autor a uma ilusão de que “talvez eu seja mesmo bom…”
Dar uma opinião sobre um manuscrito nunca é fácil. E se um editor gosta do manuscrito, já nem é sinónimo de qualidade estes dias, uma vez que o editor poderá julgar essa obra por padrões puramente comerciais, e não literários. Mas também não é o trabalho do editor escrever uma carta para o autor de cada manuscrito recusado a explicar as razões da recusa ou apontar formas de melhorar a narrativa.
Claro que neste mundo ultra-super-sónico já é possível encontrar alternativas à edição tradicional, embora essa ainda seja a forma mais almejada de publicação. Envolve uma certa noção de prestígio e sentido de realização a que poucos ficarão indiferentes. Mas sejamos honestos. Quantos desses ambiciosos aspirantes têm algo realmente de bom para partilhar com o público?
E chegamos à questão que quero abordar neste post. Os tais serviços especializados que agora abundam por todo o lado e que prometem publicação e assentam num sistema de print on demand. O sistema POD (print on demand) funciona com base no esquema de só imprimir consoante o volume de encomendas, logo, não imprimem tiragens como as gráficas convencionais. Muitos destes serviços optam por assumir uma fachada de editoras, mas na verdade são conhecidas no mundo anglo-saxónico por vanity-presses. Qual é a diferença em relação a uma editora tradicional? Ao passo que esta assume inteiramente o custo de publicação do livro e paga aquilo que é devido ao autor, as vanity press publicam às custas do autor.
É o autor que paga a publicação do livro e se isso for claramente assumido desde o princípio, não tenho nada contra este tipo de negócio em edição. Mas o problema das vanity press é precisamente a fachada enganadora que assumem. Não são verdadeiramente editores, pois não estão interessados em encontrar o próximo Murakami. Estão apenas interessados no dinheiro do autor. O que é bem pior neste tipo de editoras é a forma como se aproveitam da ignorância do público sobre o mundo da edição para alcançarem os seus objectivos. Prometem uma publicação gratuita, prometem pagamento de percentagem de vendas, prometem distribuição nacional, embora não prometam sucesso… Essa deve ser a única coisa em que são verdadeiramente honestos.
Mas há uma variante ainda mais perniciosa agora. São os que oferecem os serviços de auto-publicação gratuita (ou não). Não se dão ao trabalho de fingir serem algo que não são. Estão interessados em oferecer uma oportunidade às pessoas que desejem publicar um livro. Para vos explicar melhor como funciona este esquema de auto-publicação, pegarei num exemplo que me chocou pela forma como foi imensamente publicitado nos meios de comunicação social portugueses, diria até cega e vergonhosamente publicitado, até por jornalistas que deveriam saber melhor do que anunciar o que vem nos press-release, sem sequer procederem a uma análise mais aprofundada. Falo da Bubok.
A Bubok assenta toda a sua estratégia nas palavras mágicas, A Bubok é um serviço de auto-publicação on-line e gratuito. Gratuito? I beg to differ. Antes de mais, o processo de publicação de um livro é composto por cinco passos:
1. Faça o upload da sua obra. Tem de enviá-la como documento PDF, DOC ou PPT. Após o upload clique em Continuar para avançar para o segundo passo.
2. Indique o título, o autor, a sinopse, etc…
3. Escolha o tipo de encadernação e o formato que pretende para o seu livro.
4. Escolha a imagem para a capa do livro.
5. E finalmente o quinto passo é o de definir o preço para o ebook e para a edição em papel. Pode também escolher se pretende que seja um livro público ou privado.
Ena, isto realmente parece fácil. E tudo à borla! Uau! Vou já enviar o meu manuscrito que está na gaveta. Vou ser um escritor! Não perco nada e ainda ganho 80% do lucro de livros vendidos!
STOP! REWIND!
Vamos analisar estes passos com calma. Publicar um livro não implica apenas pegar no ficheiro word, ajeitá-lo, fazer uma capa e voilá! Há todo um processo de edição desde a chegada do ficheiro em word até ao produto final.
O ficheiro word tem que ser primeiro limpo de gralhas numa primeira revisão rápida de verificação do texto, verificação de capítulos, ordenação, nomes correctamente escritos, etc. Depois é paginado por um designer num programa específico (não, não está disponível no Office). Segue-se a fase de revisão por um revisor especializado. O revisor não só lê o livro, como detecta todos os erros ortográficos e semânticos, inconsistências, más construções frásicas, and so on. Após a revisão, o designer ou outra pessoa que saiba fazê-lo, coloca as emendas do revisor no texto em computador. Segunda revisão para verificação de emendas (as verificações que forem precisas). Finalização do miolo pelo designer que implica a composição da ficha técnica, design interior, colocação de excertos, publicidade, listas de títulos, etc. Em paralelo, está a ser preparada uma capa para o livro. Há que preparar a sinopse, as críticas, solicitar o ISBN e o depósito legal, calcular o PVP e o design da capa tem que coincidir com o design interior.
Todo este processo que expliquei muito sucintamente é moroso, complexo, recheado de detalhes que dão cabo da cabeça de um assistente editorial e designer (e eu nem falei das gráficas…), e que leva semanas a ser feito. Os ficheiros finais têm que ser revistos x vezes por várias pessoas antes de irem finalmente para as gráficas. E mesmo assim, sentimo-nos com o coração na boca sempre que o livro chega à editora, tal é o medo de ter deixado passar algum erro horroroso e imperdoável.
Ora a Bubok é inteligente e sabe perfeitamente disto. Sabe que para fazer um livro não basta só fazer upload da obra. A parte gratuita é só mesmo essa, fazer o upload do livro e criar uma página no site para o livro. Sim, porque deixem-me apresentar-vos os packs editoriais da Bubok...
Acedendo a esse link, vemos realmente a extensão do quão enganosa é a palavra gratuito. Ora se a Bubok se propõe a imprimir o livro e a colocá-lo à venda, então o livro vai precisar de duas coisas: ISBN e depósito legal. ISBN não é obrigatório por lei, embora seja fortemente recomendado por razões comerciais, de distribuição e catalogação em bibliotecas. Mas o depósito legal já é obrigatório por lei, assim como a entrega de 5 a 10 exemplares à Biblioteca Nacional. E se repararem bem nos packs, é só a partir do pack gestão integral que custa 195 euros que a Bubok solicita ISBN e depósito legal… Mas eu dou-vos uma dica preciosa. Não precisam da Bubok para pedir isso, qualquer indivíduo pode pedir gratuitamente junto à APEL o ISBN. E o mesmo para o depósito legal. Mas eis que é obrigatório enviar 5 livros… Ora a Bubok não disponibiliza exemplares gratuitos para o autor, logo, terá que os comprar. E a julgar pelos preços praticados, nunca será por uma quantia inferior a 16 euros (estimativa com portes) por cada livro. Ora façam as contas… São 80 euros só para poder enviar os livros ao depósito! E ainda haverá os exemplares que o autor quer para si.
Mas vejamos os outros packs. Temos o pack escritor profissional. Só o nome promete. Ora este pack inclui serviço de maquetização profissional (pesquisei no site e descobri que isto se trata da paginação), capa personalizada e 10 exemplares da obra. Ah boa! Precisam de ser vocês a paginar o vosso livro e precisam de ser vocês a a fazer as capas ou ficam apenas com uma mera imagem que nem sequer é capa… E pelas alminhas dos santinhos, não se metam no photoshop a inventar capas que isso é um trabalho feito por profissionais. O caminho mais certo para matar qualquer livro é uma capa que tem um aspecto amador. E se julgam que paginar um livro é fácil, então tenho pena de vocês. Portanto, ou pagam a um designer para vos fazer a paginação e uma capa (conheço um muito bom se quiserem que recomende), ou aceitam os serviços da Bubok que custam… 980 euros. Claro que o futuro escritor pode sempre optar por um pack best seller que ainda lhe prepara o press-release, trata da revisão e ainda oferece um banner promocional, iuhuu…! E tudo pela módica quantia de 1770 euros.
Tanta massa por um livro publicado em print on demand? É um roubo. Claro que a Bubok não vos irá imprimir uma tiragem de 500 exemplares, era só o que faltava. Nem vai distribuir o livro ou colocá-lo à venda em livrarias. Mas reparem na parte que aborda os custos de produção do livro e os lucros que revertem para a Bubok. O link a explicar tudo está aqui.
Vejamos primeiro o livro em papel. Escolhidas as características do seu livro, como o número de páginas, o número de imagens, a escolha do tipo de papel (etc), cabe ao autor decidir se quer acrescentar ou não ao preço de custo, algum lucro na venda da sua obra. 80% da quantia escolhida reverte para o autor e 20% para a Bubok.Pt.
Neste exemplo, o custo de impressão do livro é de €9,25 e o autor escolheu lucrar €3 pela venda de cada livro. Com a soma do custo de impressão e do lucro escolhido, o livro será vendido na Livraria da Bubok a €13.00.
Eu não sei como calcularam o custo de produção como 9,25 € mas tenho cá a suspeita que esse valor já está à partida inflacionado. E ainda cobram uns adicionais 20%…!
Mais engraçado ainda é colocarem ao autor a opção de disponibilizar gratuitamente ou vender PDFs. Quem é que compra PDFs de edições de autor…? Hmmm, talvez os amigos que não queiram comprar as edições em papel que são bem mais caras.
Inteligentes como eles são, a táctica agora é a de angariar colaborações com empresas de forma a aliciarem as pessoas a pagarem pelos packs... Que bonito!
Portanto, meus amigos, este é apenas um exemplo de um negócio que tem proliferado e prosperado à custa de pessoas que deviam pensar três, cinco, cem vezes antes de investirem as suas poupanças neste tipo de serviços. Custa-me ver pessoas a deixarem-se iludir por isto e por outras vanity-press ainda piores (as tais que fingem que são editoras!).
E não vale a pena culpar as editoras tradicionais, as únicas que publicam gratuitamente, porque nunca foi tão fácil como hoje publicar uma obra minimamente aceitável. É um facto (lamentável) que os padrões baixaram e precisam apenas de persistência e conhecer minimamente as regras do jogo. E eu poderia talvez ter abordado muitas outras coisas em relação à Bubok, mas esta exposição de hoje acho que é bastante elucidativa.
ADENDA: Um esclarecimento relativamente à atribuição do depósito legal. Em Portugal, por lei, devem ser depositados 11 exemplares na Biblioteca Nacional. Os tais 5 exemplares referidos pela Bubok referem-se ao indicado na legislação espanhola. Mas a lei indica também que só é necessária uma cópia para edições até 100 exemplares, ou edições luxuosas até 300 exemplares. Sendo estes livros impressos em sistema POD, só seria necessária na verdade um exemplar. Será? Porque o livro pode ter sucesso e imprimir mais de 100 exemplares. E há outra questão: acontece que o pedido do depósito legal só é feito através de tipografias. Penso que particulares não o poderão fazer, pelo que alguém que tencionasse publicar na Bubok teria que necessariamente recorrer aos seus serviços para conseguirem o depósito legal. De qualquer modo, o melhor seria um especialista ou advogado clarificar esta parte.


FABULOSO!
Parabéns pelo post. Conciso e clarificador.
Também eu me tenho interrogado como anda tanta gente, que devia saber melhor, a divulgar, por vezes acriticamente, a publicidade e virtualidades destas “empresas”, e até a instituições “sérias” relacionadas com o meio editorial a apoiar esquemas idênticos.
Rogério
Rogério Ribeiro
September 7, 2009 at 10:36 pm
O custo de produção por unidade que a Bubok.pt indica é um absurdo. Contratando uma gráfica Print On Demand como a Lightning Source ou a Booksurge conseguem-se preços na ordem dos 6 dólares — pouco mais de 4 euros — por um livro de 400 páginas.
Luís Rodrigues
September 7, 2009 at 11:08 pm
Excelente post, Safaa.
Mas discordo do Rogério e do Luís. Esses tansos com aspirações a autores ainda deviam ser mais severamente taxados pela sobredimensão do ego. Ou acham que se nenhuma editora os quer publicar é porque são génios incompreendidos?
João Seixas
September 8, 2009 at 10:14 am
Vá insultar a sua avozinha. Tenho aspirações a autor, e não é o facto de nenhuma editora me querer publicar que me desmotivará. Veja isto, se lhe aprouver: http://jose-catarino.blogspot.com/2009/11/relatorio-de-uma-ausencia.html
Sobre a genialidade, é preciso ler primeiro, admitindo que o leitor em causa tem capacidade para farejar o génio.
José Cipriano Catarino
José Catarino
November 14, 2009 at 11:36 am
Gostei muito de ler.
Eu fico extremamente admirado com a quantidade de pessoas que pensam que estes serviços são o standard da indústria, isto é, que é necessário pagar para ter um livro publicado. Também me admira que haja tanta gente a meter-se nestas coisas sem se tentar informar minimamente da forma como a indústria funciona. Já perdi a conta ao número de autores que se meteram nestas coisas e esperavam ver em destaque em todas a livrarias. Enfim…
Joel Puga
September 8, 2009 at 3:23 pm
Pesquisei sobre algumas destas vanity press para perceber se a antologia Vollüspa poderia ser assim finalizada. Acabei por desistir porque os preços eram exorbitantes…Excelente post, quem me dera que tivesse sido escrito mais cedo!
igdrasil
September 8, 2009 at 9:23 pm
E conseguiste encontrar alguma alternativa de publicação? Vamos ter Volluspa depois de Dagon?
Rogério Ribeiro
September 8, 2009 at 9:49 pm
Caro Rogério,
Neste momento a esperança que tenho reside num senhor que se candidata presidente da câmara de Sousel no Alentejo, e que “prometeu” levar a revista em frente; Vamos ver o que dá esta promessa…mas uma coisa é certa: mais cedo ou mais tarde vamos ter Vollüspa e em papel fresquinho:) A Editora Corpos do Porto ainda está em Stand-by…
Estou à espera da tua opinião sobre a Dagon;
igdrasil
September 8, 2009 at 10:54 pm
Roberto,
Como disse no post em que divulguei a Dagon, o simples facto da Dagon contribuir para dar mais um ponto de vista, e proporcionar mais um local de publicação, já é de si de aplaudir.
Quanto ao ponto de vista gráfico, que parece ter gerado mais polémica que propriamente o conteúdo, abstive-me da acessa discussão porque acho que isso é dependente do gosto do editor. No entanto, seja qual for a tua opção, obviamente partilho da opinião que deve ser consistente do principio ao fim da revista.
Quanto às inúmeras gralhas que assolaram a primeira versão da revista, não sou tão condescendente na minha crítica como também tenho visto por aí. És tu, como editor, o responsável máximo pela sua qualidade. NUNCA a devias ter lançado sem teres feito uma revisão atenta de TODA a revista, ou teres providenciado que alguem a fizesse. Mesmo assim, sabe Deus as gralhas que escapam! Acredita, falo por experiência própria. Não o teres feito, afecta a seriedade do projecto e insulta os leitores! (e penso que te terá servido de emenda
).
Quanto ao conteúdo, sempre tive um problema de principio com o que já tinha conhecimento ir ler na Dagon: muito do material ser retirado da net, e eu proprio já o ter lido. Isso diminui, para mim, a “sedução” da leitura.
Os artigos, parte a que dei primeiramente atenção, pareceram-me numa primeira leitura demasiado inconsistentes, mas aguardam uma segunda leitura para uma análise mais baseada. Por exemplo, a ideia com que fiquei do teu é que estará demasiado colado às fontes e que, como um todo, terá ficado desarticulado. Mas, como disse, foi uma passagem de olhos…
Os contos, li alguns excertos, para ter uma ideia do tom, mas, por razões de trabalho, as minhas leituras agora têm sido outras, e não me têm permitido pegar no que quero ler da literatura actual (particularmente os contos da Dagon, terminar o ebook da Carla Ribeiro/Carina Portugal, pegar no livro do Telmo Marçal, etc.).
Mas assim que puder, entro em mais detalhes…
Um abraço,
Rogério
Rogério Ribeiro
September 9, 2009 at 8:30 am
Rogério,
“Como disse no post em que divulguei a Dagon, o simples facto da Dagon contribuir para dar mais um ponto de vista, e proporcionar mais um local de publicação, já é de si de aplaudir.”
Obrigado, mas não me parece que seja assim tão simples; penso que para que a revista seja um espaço de aplaudir tem, necessariamente, de atingir um patamar de qualidade diferente do alcançado no número zero.
“És tu, como editor, o responsável máximo pela sua qualidade. NUNCA a devias ter lançado sem teres feito uma revisão atenta de TODA a revista, ou teres providenciado que alguem a fizesse. Mesmo assim, sabe Deus as gralhas que escapam! Acredita, falo por experiência própria. Não o teres feito, afecta a seriedade do projecto e insulta os leitores! (e penso que te terá servido de emenda
”
Sim a responsabilidade é dos editores, e assumo a minha responsabilidade pelas gralhas e não só, por todo o projecto, todas as suas falhas:)
E
igdrasil
September 9, 2009 at 12:44 pm
E claro que me serviu de emenda! Este é um número experimental, queria publicar a revista, com vários objectivos, um dos mais fortes era ouvir as críticas e melhorar através delas. Tenho que dizer que estou muito agradecido a todos os que têm criticado, assim todos estão a ajudar para que o primeiro número seja um estrondo:) Existem muitas surpresas no primeiro número: vai ser uma revista mais pequena, terá um especialista de cinema (participou na organização do MOTELx) a fazer críticas ao cinema asiático com pendor fantástico, será uma revista mais pequena e sem material publicado anteriormente na net, trará traduções de obras de ficção e artigos internacionais e apostará, como é seu apanágio, nos melhores autores do fantástico português (estou à espera das tuas participações, das da Saafa, da Acrisalves, entre outros…) com espaço também para as novas vozes;
Quanto à parte gráfica estou a tentar que o artista português Andreas Rocha (fez agora a capa da Cloverfield) faça a capa da revista e as capas de cada conto;
O número um será mais cuidado em termos de gralhas e afins, isto é uma promessa:)
Nós editores não queremos que a Dagon seja apenas mais um espaço, queremos que seja apontada com um espaço de qualidade, uma certeza e não uma promessa. A viagem já começou, e por aquilo que já conheces de mim, já deves perceber que não vou parar enquanto a Dagon não for “o espaço” do fantástico português como é por exemplo o caso da excelente Bang!
Roberto Mendes
igdrasil
September 9, 2009 at 12:56 pm
“O número um será mais cuidado em termos de gralhas e afins, isto é uma promessa
“Nós editores não queremos que a Dagon seja apenas mais um espaço, queremos que seja apontada com um espaço de qualidade, uma certeza e não uma promessa.”
Luís Rodrigues
September 9, 2009 at 2:31 pm
Obrigado Luís; Pesno que se percebe o sentido:)
igdrasil
September 9, 2009 at 3:04 pm
errata:
onde se lê “pesno” deve ler-se “penso”;
igdrasil
September 9, 2009 at 3:04 pm
Bem sei que sim, só queria mesmo apontar que, para não se ser visto “apenas” como uma promessa, é preciso não as fazer sem indícios de que serão cumpridas. Não se pode dizer que a Dagon tenha arrancado sem derrapagens, e querendo vocês almejar à qualidade e a um estatuto de referência, terão de meter muito mais trabalho do que já meteram, não podendo haver pormenor demasiado insignificante.
Espero também que não se fiquem pela meta da Bang!, porque apesar dos vários méritos dessa revista, não posso considerar qualquer das suas encarnações “excelente”. Mas cada um escolhe os ídolos que bem entende . . .
Luís Rodrigues
September 9, 2009 at 4:00 pm
Caro Luís,
Gostaria de obter uma crítica sua à Dagon. Tenho a certeza que me iria ajudar muito, pela sua experiência e saber;
O meu e-mail é igdrasil@sapo.pt , pode enviar um e-mail para que o possa contactar? Gostaria de pedir lguns conselhos sobre a revista.
Roberto Mendes
igdrasil
September 9, 2009 at 4:28 pm
E parece que as coisas já estão a andar…depois de escrever este comentário recebi um convite interessante da Nova Fantasia de Espanha para que eu escrevesse para lá e que eles possam colaborar com o correio e a dagon:)
igdrasil
September 9, 2009 at 1:00 pm
Boa, eles são muito simpáticos e apoiantes. Ainda me lembro que, quando começou o Fórum Fantástico, eles divulgaram-no mais que muita gente cá do burgo!
Rogério Ribeiro
September 9, 2009 at 1:20 pm
Em primeiro lugar os parabéns à Safaa Dib pelo excelente post, e já agora pelos outros sobre os quais não dei a minha opinião, claro.
Tenho de concordar com quase todos os outros, na opinião em relação ao post, mas, e apesar de toda a admiração que tenho pelo João Seixas, tenho de discordar. Não estou a dizer que todos sejam “génios”, mas a verdade é que as vezes eles existe, afinal a excepção confirma a regra. A proposito, lembrei me dum caso que se passou em Inglaterra, em que pegaram nos clássicos da literatura, como os de Jane Austen, e apenas lhes alteram os nomes da personagens e enviaram as editoras. Resultados? Foram quase todos descartados com criticas algo “violentas”.
O que parece ser um caso inverso é o do Rafael Loureiro com a sua trilogia “Nocturnos”, que começou com uma edição de autor em 2007 com direito a uma segunda edição e que agora vai ser editado pela Editorial Presença, ainda que pessoalmente, e ainda sem ter lido a obra, ache que também seja um maneira da Presença entrar no mercardo da literatura “Vampiresca” e culmatar esta lacuna no seu catalogo.
Marco Lopes
September 9, 2009 at 2:36 pm
Mas, Marco, o post não é contra as edições de autor! É contra a forma de algumas empresas operarem nesse mercado!
nAlém disso, Nesta era cibernética, os génios já não têm desculpa para se manterem desconhecidos. O reverso da medalha é que agora o desafio é “topar” os génios no meio do ruído branco!
E se calhar exagero. Em 99% dos casos, acho que basta ler a primeira página de uma obra de 400 para determinar se ao menos o escritor é competente ou não. Só isso já deve reduzir bem os candidatos a génio…
Um abraço,
Rogério
Rogério Ribeiro
September 9, 2009 at 2:44 pm
Caro Rogério
Eu também não sou contra as edições de autor e até acho que o que a Safaa Dib fez ao colocar este post foi quase “Serviço Publico”, mas acho a opinião do João Seixas “algo” extrema e foi só sobre isso que falei no meu post, desviando-me do verdadeiro tópico.
Agora a verdade é que existem muitas editoras que passam por cima de muitas e boas obras só porque o mercado neste momento não lê esse género de literatura, como é o caso de obras de Ficção Cientifica, e aceitem outras só porque o mercado assim o pede no momento, quem não se lembra da avalanche de títulos que inundou o mercado na esteira do Best-seller do Dan Brown “O Código de Da Vinci”? E nem todas tinham qualidade, mas como o mercado assim exigia tudo o que “vinha à rede era peixe”, afinal os livros também são um negócio. As edições de autor acabam por ser uma boa opção para quem quer ver a sua obra publicada em situações como a que refiro acima, ou outras, como medo de rejeição, uma sobre dimensão do ego (como diz o caro João Seixas) de tal forma grande que não aceite criticas construtivas, ou pura e simplesmente ignorância. Claro que é pena que existam pessoas sem escrúpulos que se aproveitem de outras, mas isso, lamentavelmente, sempre existiu, mas nesta era cibernética não nos podemos queixar de falta de informação.
Um abraço
Marco Lopes
Marco Lopes
September 9, 2009 at 4:16 pm
Obrigado por todos os comentários, embora alguns se tenham desviado para outros assuntos não propriamente relacionados com o tópico.
Roberto, não me leves a mal, mas achei esta última Dagon tão fraquinha que preferi abster-me de fazer comentários, senão corria o risco de ser encarada como a bruxa má que deita abaixo o esforço de outros na divulgação do género.
A Dagon ainda tem bastante trabalho pela frente e acho louvável que estejas empenhado em melhorá-la nas suas próximas edições. Mas não estou interessada em contribuir para a zine neste momento, até porque tenho cada vez menos tempo disponível.
Safaa Dib
September 9, 2009 at 7:47 pm
Olá, atençáo que o deposito legal de 5 ejemplares é feito em Espanha porque se fora feito em Portugal será de 12 ejemplares, náo sei como a Bubok contorna a lei ou entáo náo conhece a lei de Portugal.
Juan Robles
September 15, 2009 at 8:32 pm
Caro Juan Robles,
Tem toda a razão. Na verdade, por lei, são 11 exemplares que têm que ser entregues em Portugal, que serão distribuídos por várias bibliotecas no continente e regiões autónomas.
Neste link explicam o processo de atribuição do depósito legal:
http://www.bnportugal.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=153&Itemid=190
Mas de acordo com o capítulo IV do decreto-lei n.º 74/82, só se exige apenas uma cópia de tiragens especiais até 100 exemplares ou edições de luxo até 300 exemplares. O sistema POD não imprime tiragens, pelo que devo concluir que só é necessário o envio de um exemplar? Não tenho bem a certeza, seria preciso um advogado para me esclarecer isto.
E há outra questão que não tenho bem a certeza. A atribuição do depósito legal é gratuita, mas parece que só compete a tipografias. Significa que um particular não pode solicitar depósito legal? Logo, um indivíduo que quisesse publicar através da Bubok teria que recorrer necessariamente aos seus serviços para a atribuição desse depósito. Nesse caso, eles estão a induzir em erro os seus aderentes.
De qualquer modo, vou colocar uma adenda ao meu texto a clarificar essa questão do depósito legal. Provavelmente a Bubok traduziu a partir do site/documentação espanhola, daí a referência a cinco exemplares.
Safaa Dib
September 16, 2009 at 8:14 am
Safaa Dib
O seu artigo acerca das “vanity press” esclareceu-me de tal maneira, que fiquei estarrecido e cheio de remorsos por ter reproduzido o artigo acerca da Bubok, no meu fanzine gratuito “Folha Volante”, que distribuí no mais recente encontro (6 Out.) da Tertúlia BD de Lisboa.
Como você esteve lá, e fez o favor de me chamar a atenção para a forma duvidosa como funciona essa tal Bubok, vim ler o seu “post” e fiquei, repito, com remorsos. Isso porque poderá haver incautos que acreditem nas promessas dessa editora virtual.
Sei que no sistema de POD/Print on Demand, de que a editora Lulu é representante bem conhecida, há já dois autores que foram bem sucedidos, Luís Peres e Fernando Relvas.
Medi pela mesma bitola esta da qual tive conhecimento recente.
Graças ao seu esclarecedor artigo, vi que estava enganado, e talvez tenha disseminado o meu engano por outros crédulos (e pouco cuidadosos) como eu.
Cordialmente.
Geraldes Lino
Geraldes Lino
October 7, 2009 at 6:43 pm
Caro Geraldes Lino,
Não se sinta de forma nenhuma estarrecido porque se há alguém que culpo por esta desinformação em relação à Bubok são os meios de comunicação social em Portugal que nem sempre fazem o trabalho de casa como deviam e põem-se a anunciar as coisas tal como elas vêm escritas nos press-releases.
Infelizmente, a Bubok não é nenhuma Lulu e e para ter um livro seria necessário aderir, de forma inevitável, aos tais pacotes pagos. Não quer dizer que, aderindo a tal, um autor não vá ter sucesso, mas nunca será, à partida, uma publicação gratuita…
Safaa Dib
October 7, 2009 at 7:20 pm
Olá Safaa,
reparei que se tem dedicado à literatura fantástica, mas eu escrevi uma história de amor/desamor e sexo entre duas mulheres, que gostaria de ver publicada.
Será que poderá dar-me algum apoio nesse sentido?
Obrigada
Lilith
November 2, 2009 at 12:15 am
[...] a comment » Lembram-se daquele meu post sobre as vanity-press em que dei o exemplo da Bubok? Pois bem, recentemente chegou ao meu conhecimento através de um determinado fórum mais um caso de [...]
Em como se expõe uma pseudo-editora « Stranger in a Strange Land
November 4, 2009 at 9:48 am