Love snapshot #6: The Go-Between

Julie Christie em "The Go-Between" de Joseph Losey
Quando o rapaz Leo é convidado para passar um Verão crucial da sua adolescência com uma família aristocrática inglesa, é ainda demasiado inocente para se aperceber do mundo subtil dos adultos, permeado de jogos e silêncios eloquentes, de mentiras e manipulação.
Tudo o que vê é a beleza fulgurante e angelical de Marian (Julie Christie), irmã do seu amigo, destinada a ser uma futura Lady. A sua paixão de rapaz é inteiramente ingénua, levando-o a devotar-se a Marian com toda a sua alma. Mas a jovem mulher, mesmo tendo a face de um anjo, tem segredos que nunca revela por inteiro. Força Leo a servir de mensageiro entre ela e o homem por quem está apaixonada, um agricultor inferior à sua classe (Alan Bates). De forma inconsciente ao rapaz, é através dele que o casal consuma a sua relação sexual ilícita, nunca revelada por palavras em todo o filme (e essa é um dos feitos notáveis do argumento de Harold Pinter em que tudo está subeentendido nas entrelinhas, mas nunca claramente expresso).
Descrevendo uma Inglaterra de início de século que já não existe, e em particular uma classe extremamente opulenta e antiquada que se extinguiu para dar lugar a uma classe mais enérgica e consciente dos seus pares, The Go-Between é um filme todo ele sobre desejo e amor. Mas um desejo esmagado pela força das circunstâncias e por uma sociedade hipócrita que mantém as aparências da convencionalidade, ignorando propositadamente a imoralidade que corre no seu seio.
Aprisionado entre os amantes, e manipulado sem escrúpulos, o rapaz irá entrar da pior forma possível no mundo adulto, servindo de testemunha a um amor trágico. Ele será, acima de tudo, a principal vítima do egoísmo de outros, um mero peão no jogo entre deusas e homens que não são fortes o suficiente para resistir à luz tentadora que irradia do Olimpo dos deuses.


No seguimento do post do Luís Rodrigues no SF SIGNAL, iniciou-se uma discussão aqui: http://correiodofantastico.wordpress.com/2009/07/11/e-ja-daqui-a-pouco/#comments
Escrevi um artigo sobre o assunto aqui:
http://correiodofantastico.wordpress.com/2009/07/18/a-literatura-fantastica-portuguesa-uma-reflexao/
é importante a discussão: Participa!
Roberto Mendes
igdrasil
July 18, 2009 at 4:43 pm