O fim desta estrada

February 16, 2011 at 3:49 pm (Strange Land)

Estava a pensar numa citação ou referência literária, talvez cinematográfica, que representasse o fim de um ciclo, mas não me ocorre nada. Tenho editado este blogue há 6 anos, com muitas paragens ocasionadas por azáfama pessoal ou de trabalho. Principalmente de trabalho que me tem consumido mais do que eu desejaria. Mas quando se trabalha em algo que coincide com os nossos gostos não resta nenhuma alternativa senão abraçar o trabalho por inteiro. Eu sempre fui de grande dedicação a todos os projectos em que me envolvi e tentei dedicar a este blogue também alguma das minhas aprendizagens e inscrever nele o meu percurso ao longo destes últimos anos.

Quando abri este blogue, eu ainda era uma estudante universitária e era fã de muitas coisas, com gostos variados por livros, filmes, música, mas eu sabia pouco então e a cada dia que passava aprendi um pouco mais.

Misturei tantas coisas np Stranger que penso que acabei por perder o rumo. Quando quero escrever algo, não sei o que escrever ou então parece-me estranhamente desadequado, muitas vezes desadequado. Além disso, está demasiado associado a muitos momentos decisivos – os fóruns fantásticos, as mudanças de emprego, as muitas discussões e lutas em que me envolvi, a revista Bang! – que sinto já ter vivido várias vidas. E quero dar descanso a algumas dessas vidas e seguir em frente.

Em suma, este blogue acompanhou uma parte importante de tudo o que fiz, ou do que não fiz, mas sinto que chegou o tempo de lhe pôr um fim. Não porque não tenha mais nada para dizer, pelo contrário, mas porque sinto ser necessário um novo início, mais focado e maturo.

Sendo assim, este blogue despede-se da blogosfera, a não ser para indicar um possível novo sítio onde me possam encontrar. Ou talvez nem indique. O tempo o dirá. Vou ter pena de me despedir do título inspirado na obra de Robert Heinlein, pois sempre me descreveu bem.

Um abraço a todos os que me acompanharam e me têm apoiado continuamente nesta jornada. Até breve.

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Interregno

November 23, 2010 at 9:11 pm (Strange Land)

Não creio que vá haver muita actividade nas próximas semanas neste blogue. Na verdade, duvido que dê muitos sinais de vida até ao final do ano. Depois de um período de actividade muito intenso, chega o tempo de descanso e também o da reflexão e balanço.  E como a época que se avizinha é a ideal para desaparecer por uns tempos, deverei iniciar uma pausa muito necessitada para dar prioridade a alguns problemas inesperados que surgiram no meu horizonte.

Até breve!

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Bang! day

November 2, 2010 at 10:11 am (Livros/BD/revistas, Strange Land)

É hoje a apresentação! O encontro está marcado para as 19h, na Fnac Chiado.

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Tristes tristezas

October 15, 2010 at 10:33 am (Livros/BD/revistas, Strange Land)

É bom saber que o lançamento do Homem do Castelo Alto de Philip K. Dick esteve quase deserto. É sinal de que o nosso fantástico está cheio de boas obras e de grandes autores, de tal forma que o lançamento de uma das melhores obras do género numa nova tradução e acompanhada por um excelente ensaio, por um orador reputado no mainstream, não suscita sequer uma palpitação. Se antes estes acontecimentos eram raros, proporcionando ao fandom uma oportunidade para se encontrar, hoje é tão frequente que nem sequer justifica a deslocação a uma livraria…

A FC de qualidade já está tão divulgada entre o mainstream e a academia, que até a presença – que há anos seria pouco habitual – de uma personalidade televisiva para os apresentar é encarada com perfeita indiferença. E foi bom ver que NENHUM dos divulgadores de FC e autores esteve presente, estes últimos provavelmente por estarem a escrever mais um livro, para se juntar à mão-cheia que publicaram nestes últimos cinco anos…

Adenda: Comentário no fórum Bang! do editor Luís Corte Real ao lançamento do livro. Como penso que é relevante, transcrevo em baixo.

Triste, triste foi o facto de ninguém ter aparecido. É verdade que a apresentação do Nuno Rogeiro foi curta, mas teve mais conteúdo do que algumas apresentações que já assisti de uma hora. O Rogeiro foi directo e conciso. O livro de Philip K. Dick dava assunto para muitas horas, mas ele tinha de sair às 19h. E como a sala estava vazia e ninguém quis fazer perguntas, ele ainda foi embora mais cedo.

Apesar da excelência do autor e do livro e do mediatismo do apresentador, a sala estava às moscas. Foi uma boa amostra do interesse do fandom pela fc. Fala-se, critica-se, lamenta-se… mas poucos se mexem. Se não fosse a paixão que temos pelo género, deixávamos-nos destas aventuras e publicávamos apenas a PC Cast. Mas pronto…

Um abraço e votos de boas leituras,
Luis CR

Nova adenda: A caixa de comentários deste post foi fechada em virtude da discussão que tomou lugar nela ter cedido a trocas de galhardetes que não irei mais tolerar. Os comentários não foram apagados mas só surgem acedendo ao link do post.

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Vencedor do passatempo FOME

October 2, 2010 at 7:41 am (Livros/BD/revistas)

E eis que, com um dia de atraso, posso anunciar o vencedor do passatempo FOME. Bem sei que escrever frases criativas não é o passatempo mais fácil mas, apesar de tudo, a adesão foi boa e quero agradecer a todos os que participaram.

E agora sem mais delongas, apresento a frase vencedora que me conquistou pelas suas referências literárias.

Já li a Morte — a de Ivan Ilitch —, a Guerra — a dos mundos — e a Peste — a do Camus. Bem se vê que me falta a Fome. Entretanto, tenho disfarçado com a Luxúria — nem de propósito, estou neste momento a ler Fanny Hill, palavra! — que é bom e não engorda, mas pode meter doenças, infantário e outras chatices. Não, venha a Fome.

O autor da frase é o Hugo Emanuel da Rocha Carreira que deve entrar em contacto comigo para me indicar a sua morada de envio.

Obrigado a todos e para o ano há mais!

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Passatempo Fome

September 21, 2010 at 9:14 pm (Livros/BD/revistas, Strange Land)

Como já todos os meus leitores do blogue deverão saber, fui a tradutora da obra de Elise Blackwell, Fome, publicada em Portugal pela editora Livros de Areia. Um livro que tem recebido críticas bastante elogiosas e positivas na imprensa literária e blogosfera e pensei que seria uma boa altura realizar um passatempo de oferta de um livro. Como tradutora, tive direito a vários exemplares, pelo que não me importo de abdicar de um para os interessados em conhecer esta extraordinária história no tempo do cerco de Leninegrado.

Se ainda tiverem dúvidas sobre o que se trata o livro, podem ler os vários textos na blogosfera aqui, aqui e outro aqui.

Para concorrerem ao passatempo basta escreverem uma frase em 340 caracteres (pode ser menos, mas não mais) em que indicam a razão porque gostariam de ler este livro, até dia 30 de Setembro. A melhor frase, sujeita inteiramente a critérios subjectivos ditados pelos meus neurónios, será seleccionada e anunciada a 1 de Outubro, recebendo o livro como oferta.

Não se safam de um pequeno regulamento de participação, uma vez que a experiência já me ensinou a ter algum cuidado neste tipo de passatempos.

Deverão enviar para o o meu mail pessoal com indicação no assunto PASSATEMPO FOME , a vossa participação junto com o nome completo. Só é válida uma participação por pessoa. Só são aceites participações de Portugal (continente e ilhas). O envio do livro será da minha responsabilidade e custo, mas não me responsabilizo por extravios dos CTT ou moradas incorrectas. Reservo-me ao direito de não escolher uma frase vencedora se considerar que nenhuma me agrada o suficiente.

Resta-me desejar boa sorte a todos os participantes e que ganhe a frase mais inspirada e inventiva!

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A máscara da felicidade

September 15, 2010 at 4:53 pm (Cinema e TV)

Várias coisas vieram-me à mente após ter visto a adaptação cinematográfica de Truffaut do livro de Ray Bradbury. Primeiro, esquecera-me da beleza e perfeição da prosa de David Copperfield de Charles Dickens,  uma prosa tão perfeita que inspira um novo sopro de vida na personagem emocionalmente morta de Bradbury, o bombeiro Montag. Segundo, esquecera-me do quão poderosa era a ideia de transformar as pessoas no próprio livro, de perpetuar a obra literária através da memória humana. As vidas dessas pessoas tornam-se preciosas e ganham um novo sentido. No livro de Bradbury, Clarisse pergunta a Montag se é feliz. Apanhado desprevenido, a sua mente começa a reflectir e a libertar-se da sua própria passividade, até finalmente chegar à fulminante conclusão.

He was not happy. He was not happy. He recognized this as the true state of affairs. He wore his happiness like a mask and the girl had run across the lawn with the mask and there was no way of asking for it back.

O que me fascina é esse breve momento de pânico em que Montag deseja ser de novo aparentemente feliz e ignorante dos males da sua sociedade. Mas não há um caminho de volta.

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Os eventos do ano no fantástico português

September 7, 2010 at 8:55 am (Strange Land)

Há seis anos, no ano 2004, eu era estudante do meu 3º ano do curso de LLM da Faculdade de Letras de Lisboa. Não fui para o curso de Letras para fugir de ciências ou matemática, pelo contrário, desbravei o secundário no agrupamento de ciências mas decidi alterar o rumo que a minha vida tomava para ingressar na Faculdade de Letras porque gostava verdadeiramente de ler e de  livros.

Na Faculdade, várias coisas aconteceram. Conheci pessoas (fora do meu curso) que partilhavam o meu entusiasmo, particularmente por literatura fantástica, e descobrimos que havia muitos como nós. Até que em 2003 fui abordada pela pessoa que se tornou decisiva na minha vida de muitas formas. o Rogério Ribeiro convidou-me para organizar com ele o 1º Encontro de Fantasia e FC na FLUL, numa época onde o fantástico não tinha metade da força que tem actualmente. E a a partir daí começou uma jornada muito interessante.

Na altura em que organizei o 1º Encontro de FC&F não tive muito apoio da Faculdade. Na verdade, acho que todos consideravam tudo aquilo demasiado estranho e irrelevante, com excepções de alguns professores. Mas o destino prega muitas partidas. Hoje trabalho na melhor editora de Portugal de literatura fantástica, faço e divulgo os livros que adoro, e são-me oferecidas oportunidades únicas. Seis anos depois, volto à casa materna, qual filho pródigo.

Em Março deste ano, o Centro de Estudos Anglísticos da Faculdade de Letras convidou-me para fazer parte da Comissão Organizativa de um Colóquio dedicado a fantasia e ficção científica, com o título de “Mensageiros das Estrelas”. Fazem parte da organização antigos professores meus e ex-colegas, do Centro de Estudos Anglísticos, assim como o Luís Filipe Silva, e não pude deixar de aceitar o convite.

Acontece que as datas escolhidas quase coincidiam com outro evento que, como toda a gente sabe, organizo há 6 anos com o Rogério, o Fórum Fantástico. E assim vi-me na difícil posição de participar na organização de dois eventos com datas demasiado próximas. Se esta posição traz desvantagens, traz também outras vantagens: posso evitar que debates semelhantes ocorram, repetição de temáticas ou actividades, consigo manobrar por entre ambos e colocá-los lado a lado de forma a se complementarem e não a tornarem-se antagonistas.

Os meus esforços têm ido nesse sentido. O ideal seria que se realizassem com uma maior distância temporal e tivesse sido eu contactada com maior antecedência teria feito tudo para que isso acontecesse. Sendo assim, resta-me tentar diversificar os eventos o mais possível, de forma que os fãs possam deslocar-se ao Colóquio e ao Fórum e sentirem que ambos são paragens imperdíveis e obrigatórias. Não tenho dúvidas de que  Mensageiros das Estrelas e o Fórum Fantástico são os dois eventos do ano no fantástico português. Um terá uma natureza de um cariz mais académico com muitos professores universitários reputados envolvidos, mas não deixará de focar as várias facetas do género: literatura, BD e cinema.

O evento da FLUL irá realizar-se na faculdade durante a semana, considerando as imensas difilcudades logísticas do local em realizar o evento ao fim-de-semana. Ainda não houve divulgação oficial do evento porque ainda esperamos confirmação de um convidado de peso e estamos a ultimar os convites e dar os últimos toques à programação. A organização está a cargo de pessoas que pertencem ao meio universitário, sendo compreensível que no início do ano lectivo se aposte mais fortemente na divulgação.

A organização do Centro de Estudos Anglísticos desejava convidar alguém reputado do meio académico, por isso, sugeri Farah Mendelsohn que aceitou amavelmente o convite e estará presente na Faculdade de Letras de Lisboa no Colóquio. As pessoas que mais têm contribuído a nível nacional de forma credível e estimulante para a divulgação e evolução do género fantástico em Portugal foram convidadas (e ainda estão a ser) e a programação será em breve divulgada.

Uma semana depois poderão contar com o Fórum Fantástico que já dispensa apresentações. A qualidade dos participantes estará ao mesmo patamar, no entanto, com um maior número de convidados internacionais: contaremos com a presença de Peter Brett (Gailivro), Ricardo Pinto (Presença) e  Stephen Hunt (Saída de Emergência) para além dos autores nacionais David Soares, Afonso Cruz e João Pedro Duarte, entre outros.

Alguns convidados nacionais foram convidados para os dois eventos mas o programa tem temáticas diversificadas o suficiente para interessar o público e são eventos como este que precisam de apoio e divulgação para que possam crescer e continuar nos anos seguintes. Conto com a vossa participação, ou então, promoção. Não são dois eventos antagonistas, nem o poderiam ser estando eu envolvida na organização de ambos, mas são eventos que têm os mesmos objectivos e focarão várias áreas dentro do campo da literatura fantástica de uma forma que pretende dar credibilidade ao género. Afinal, não é isso que todos nós queremos? Mais reconhecimento e credibilidade para o género?

(ambos os cartazes são da autoria de Pedro Marques e ainda não se encontram na sua versão definitiva)


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Love Snapshot #10: The Last Picture Show

August 25, 2010 at 10:37 pm (Love Snapshots)

Há um amor selvagem e sem rédeas que só é trazido de volta graças à memória de um velho homem sentado à beira de um rio. Essa é uma entre muitas cenas memoráveis de um clássico americano que quebrou fronteiras e atreveu-se a traçar as linhas desgastadas da América profunda, a preto e branco. Mas das muitas formas de amor presentes em The Last Picture Show – o amor adolescente e virginal, o amor adúltero, o amor desencantado ou mesmo envergonhado – há o que sobressai acima de todos, o amor na flor da idade onde a paixão e a entrega incondicional são fortes, e nada mais importa. Me and this young lady was pretty wild, I guess. In pretty deep. O leão recorda no seu Inverno o fulgor de dias de Verão e esses breves instantes de amor permanecem para sempre no seu velho coração, inspirando sentimentos de saudade, desejo e uma vontade de reviver esses momentos perfeitos da vida. Afinal, é ele próprio, Sam the Lion, quem diz que o amor é a coisa certa a fazer: ‘Cause being crazy about a woman like her is always the right thing to do. Being an old decrepit bag of bones, that’s what’s ridiculous. Gettin’ old.

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Fome

August 24, 2010 at 11:13 pm (Livros/BD/revistas, Strange Land)

Há grandes livros e há pequenos grandes livros. O tamanho do livro é irrelevante perante a certeza de um autor que sabe com quantas palavras deseja contar uma determinada história. E num tempo em que cada vez mais o autor sente que tem que compensar o seu leitor com prosa extensa, é bom ver livros que marcam a diferença.

Tive o prazer de traduzir um pequeno grande livro, FOME de Elise Blackwell, que acaba de ser lançado pela Livros de Areia. Já poderão ter lido várias excelentes críticas ao livro como aqui e aqui, mas eu não queria deixar de partilhar algumas ideias e pensamentos sobre a obra.

O título não deixa margem para dúvidas. Durante a Segunda Guerra, a cidade de Leninegrado (hoje São Petersburgo) foi sujeita a um cerco de 900 dias pelas tropas alemãs e, tal como nos cercos da Idade Média a castelos e fortificações, os sitiantes apenas tinham que esperar que as necessidades mais básicas dos sitiados se esgotassem para conquistar lentamente a vitória da forma mais cruel.

A narrativa de Elise Blackwell é baseada em factos verídicos, centrando-se na campanha contra Nikolai Vavilov, um dos maiores geneticistas e botânicos do seu tempo e o principal responsável pela criação de uma das maiores colecções de sementes do mundo. Vavilov foi publicamente desacreditado pelo agrónomo Trofim Lysenko que conquistou os ouvidos de Estaline e incutiu nele um ódio por toda a genética mendeliana. Vavilov foi condenado à prisão e morreu de maus tratos e subnutrição em 1943 mas o seu trabalho não foi esquecido. Os cientistas do Instituto juraram proteger as colecções de sementes da população esfaimada, da destruição de bombas e deles próprios.

O cientista sem nome que nos conta a história de FOME relata na 1ª pessoa a sobrevivência atroz ao cerco, povoada de memórias intensamente pessoais e em torno da sua mulher Alena, também ela uma cientista, mas tão mais heróica do que ele próprio.

Mais do que descrever a experiência de fome – “essa fome cinzenta, e não a própria morte, que temia, que evitava a custo de toda a honra” – nesses meses de Inverno em que a população foi submetida a múltiplas tiranias, o olhar do narrador surpreende pela sua frieza e crueldade, por actos de egoísmo completo perpetrados por uma natureza cobarde e nada heróica.

Ele é de facto o elo mais fraco da cadeia, o homem que jurou proteger as sementes mas que foi incapaz de se submeter ao sacrifício por uma causa mais nobre. Afinal ele é o homem que estava disposto “a acreditar mais nas histórias sobre pessoas que cometeram actos piores do que os meus, as histórias sobre pessoas menos humanas (ou talvez mais humanas) do que eu”.

Numa prosa incisiva,  límpida e evocativa, Elise Blackwell expõe os demónios interiores de um homem atormentado pelo acto de traição cometido para com a sua mulher e colegas, mas também pela sua natureza cobarde.  É um homem acima de tudo governado pelas suas paixões, e que significa realmente a honra perante a necessidade imperiosa de sobreviver?

Apesar do tema trágico, FOME está longe de ser uma narrativa deprimente. O sentimento de perda e nostalgia é inescapável, mas contrasta com os episódios vívidos e sensuais do prazer do acto de comer ou fazer amor. As viagens pelo mundo inteiro – Abissínia, México, Lago Nicarágua – em busca de sementes constituem também alguns dos melhores pedaços de prosa deste livro, bem como os momentos que estabelecem enquadramentos interessantes referentes à notável agricultura babilónia. Babilónia essa devorada pelo “abismo da História”, bem como Leninegrado/São Petersburgo um dia o serão.

E o que resta? “Em noites quentes, quando acordo encharcado em suor, sei que a redenção, se possível, é irrelevante. Um homem é governado por apetite e remorso, e eu engoli o que pude.”

Não posso deixar de chamar também a atenção para a notícia recente de a colecção de sementes do Instituto Vavilov estar em risco de ser parcialmente destruída para dar lugar a condomínios privados. É surpreendente que uma colecção que sobreviveu aos nazis – até eles não permitiram a sua destruição – esteja em risco de morrer no século XXI, numa era onde precisamos desesperadamente de aprender com a biodiversidade dessas sementes e colecções de plantas e frutos. Leiam o livro. Tenho a certeza que aprenderão coisas novas com ele.

Entrevista a Elise Blackwell sobre FOME

Compra online do livro no site da editora

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